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Universidade e inclusão Social

      

Por Marcel Frota, de Belo Horizonte

Faltou tempo para discutir tantos pontos de vista ligados ao tema "Universidade e inclusão Social" da primeira mesa de debates do Congresso Internacional de Reitores Latino-americanos e Caribenhos. Em palestra proferida na abertura do dia, Miguel Rojas Mix do Centro Extremeño de Estudios y Cooperación con Iberoamérica, da Espanha, falou sobre o "Compromisso Social das Universidades" da região. Para ele, as instituições de Ensino Superior não devem apenas transmitir conhecimento aos alunos.

"A universidade deve desenvolver a capacidade do aluno aprender a aprender. Devemos transforma o conceito de sociedade da informação na sociedade do conhecimento", disse Mix. Ele agrupou em três tópicos o que considera o tripé missionário das instituições de Ensino Superior. "A universidade deve, além de ensinar uma profissão, difundir o conhecimento e transmitir a cultura", afirmou.

Para Mix, estão entre os compromissos sociais das universidades um ensino voltado para a eficiência profissional, a cultura ética funcional, a conservação da memória pública e a pesquisa. Nessas tarefas, segundo ele, as universidades devem atuar em duas frentes, não apenas no contexto nacional, mas também trabalhando para uma cooperação regional internacional.

Mix destacou que as universidades públicas são o retrato do modelo social do país e reflexo das políticas públicas governamentais para o setor. De acordo com ele, isso inevitavelmente interfere no próprio conceito de qualidade do ensino, que como a própria instituição, varia de acordo com a realidade de cada país. A formação cultural como identidade pessoal marcante foi defendida por Mix, que destacou ainda a importância da disciplina de filosofia dentro das universidades para estimular melhor as discussões nos campi.

Dentro da discussão da universidade e inclusão social, Arquimedes Diógenes Ciloni, presidente da Andifes - associação que reúne os dirigentes das 58 instituições federais de Ensino Superior brasileiras, apresentou uma série de dados para escancarar o paradoxo entre índices de desenvolvimento humano e taxas de exclusão social no Brasil. Ele apontou que apesar do Brasil estar entre um terço dos países com melhor colocação no índice de desenvolvimento humano (69 lugar) aparece entre um terço dos países com pior taxa de exclusão. O país é o 109 colocado, atrás de Albânia (97), Gana (102) e Mongólia (106), por exemplo.

No cenário interno, Ciloni afirmou que o Brasil ainda fracassa em superar suas própria divisões regionais. Algo que se reflete em outra estatística, aquela que diz respeito à taxa de escolarização: enquanto a região Nordeste tem índice de 9,5% e o Norte do país registra 12% - regiões mais pobres do Brasil e que concentram 21% da população mais excluída, o Sul, segunda região mais rica, tem 29,7% de escolarização.

"É preciso pensar em como concretizar políticas de inclusão educacional nas instituições de Ensino Superior em países com fortes índices de exclusão social. Quanto menor o poder econômico, maior é a exclusão", propôs Ciloni, que afirmou haver no mundo todo pelo menos 2,14 bilhões de pessoas excluídas nos 60 países com piores índices de desenvolvimento.

Inclusão total e transformação

A vice-ministra de Educação Superior da Venezuela, Tibisay Hung, considera que a missão inicial é cada país, cada universidade, conhecer a si e o próprio potencial. Ela defendeu a participação de todos no processo de combate da exclusão. "A educação superior deve ser o motor da transformação. Educação superior é um fator estratégico para a transformação social, consolidação da soberania nacional e a construção de uma sociedade melhor", disse Tibisay.

O reitor da Universidade de Havana, Rubén Zardoya Loureda, classificou como principal responsabilidade social das universidades a inclusão social de todas as pessoal. "Deveríamos considerar um crime não permitir o pleno acesso à educação", disparou ele. Loureda opinou ainda que acha um suicídio tentar desvincular o Estado da Educação, numa clara responsabilização dos governos nacionais e em qualquer esfera de atuação que sejam gestores do sistema de ensino pelo fomento às universidades e o combate à exclusão. "De minha parte, digo que não poderíamos ter feito nada pela educação de nosso país (Cuba) sem a participação do Estado", finalizou ele.

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