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Ronaldo Mota critica situação educacional do Brasil

      

Por Marcel Frota, de Belo Horizonte

O secretário de educação superior do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, classificou como perversa a situação educacional do Brasil no que diz respeito à exclusão das camadas mais pobres ao acesso à formação universitária. Ao falar sobre o programa ProUni (Programa Universidade para Todos), que concede bolsas em escolas particulares do Ensino Superior para alunos de baixa renda, Mota apresentou dados sobre o desempenho dos beneficiários do programa. De acordo com esses dados, os alunos do ProUni têm desempenho acima da média e superior a muitos alunos vindos de classes econômicas privilegiadas.

"O país é perverso, somos um grande desperdiçador de talentos. Ao longo dos anos, temos deixado de formar muitos gente boa. São pessoas que são barradas por filtros econômicos. E quando um país deixa de formar talentos promissores, perde a oportunidade de ter recursos humanos valiosos e quem perde com isso é o próprio país", disse Mota durante a palestra de abertura do terceiro dia do Congresso Internacional de Reitores Latino-americanos e Caribenhos que ocorre no campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em Belo Horizonte.

Mota disse que o Brasil precisar crescer no setor de ensino superior, mas não apenas crescer. Ele apresentou dados que apontam que há hoje no Brasil seis milhões de estudantes de nível superior. Porém, ainda de acordo com os dados dele, existem sete milhões de pessoas com formação superior no país, sendo somente cinco milhões economicamente ativas. "Ou seja, temos hoje no Brasil, mais gente estudando nas universidades do que com formação superior. Isso mostra que não apenas precisamos crescer, mas crescer com qualidade. Mais do que isso, precisamos crescer com inclusão social e não existe melhor ferramenta de inclusão social do que a educação", disse o secretario de educação superior do MEC.

Mota falou ainda sobre a necessidade de adaptação do setor para se acomodar os diferentes perfis de alunos que chegam às universidades. Ele usou o dado recentemente divulgado pelo MEC de que houve um aumento de 13,6% no número de matrículas no ensino superior apesar da manutenção e até pequena queda no número de alunos formados no ensino médio. Isso, segundo ele, demonstra que a alta reflete a chegada de alunos acima de 25 anos vindos do mercado de trabalho em busca da formação necessária para ascensão profissional.

O secretário lembrou a proximidade do aniversário de 20 anos da Constituição brasileira e disse que o desafio da vez é em relação à educação. Para ele, o Brasil enfrentou o desafio da democratização na década de 1980, depois enfrentou, com relativo sucesso apesar das missões por cumprir, o desafio do setor econômico na década de 1990. Mota disse que ainda permanece uma "enorme frustração" sobre a questão educacional. "O país só muda quando existe um consciência coletiva em relação à necessidade de mudança. Foi assim no processo democrático nos anos de 1980, a mesma coisa em relação ao processo inflacionário na década de 1990. Agora, a educação se configura como eixo central que esta década aponta", declarou Mota.

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