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Universidades querem estimular doações

      

Por Marcel Frota

Universidades brasileiras querem importar para cá uma prática muito comum nos Estados Unidos e em partes da Europa. O chamado fundraising, termo que representa os esforços das Instituições de Ensino Superior em captar dinheiro por meio de doações de indivíduos, empresas, instituições de caridade ou agências governamentais. Ou "filantropia educacional" como chamou Francisco de Bella Júnior, diretor de desenvolvimento institucional da Escola Graduada. Essa prática é notoriamente rara no Brasil, mas representa um importante sustentáculo para universidades de ponta dos Estados Unidos, como Harvard e Princeton, por exemplo.

Quem nunca ouviu, até meio incrédulo, que um milionário doou quantias volumosas para universidades? Bill Gates, dono da segunda maior fortuna do mundo, freqüentemente faz doações para universidades. As Instituições de Ensino Superior americanas são muitas vezes beneficiárias de heranças gigantescas. Aqui, tais notícias, para a maioria das pessoas, parecem algo sem sentido.

Mas é uma questão cultural que as universidades brasileiras querem mudar. Para isso, pretendem debater formas de convencer as pessoas aqui a abrir a carteira. "No Brasil e em outros países de cultura colonizada, sempre se pensa que a sustentação das universidades se dá pelo governo. Em outros países não, há colaboração dos ex-alunos", afirma Custódio Filipe de Jesus Pereira, diretor-geral das Faculdades Rio Branco.

"O brasileiro está acostumado a doar, mas não da forma como o americano. Essa prática do fundraising está no tecido americano. Aqui, quando se pede dinheiro para uma instituição de ensino, é algo que soa estranho. E isso é normal porque o brasileiro não foi criado com essa cultura. O americano sabe doar e entende porque doa", opina Bella Júnior. Para ele, isso também é conseqüência da falta de idoneidade de algumas instituições em geral - não somente as de ensino superior - e pessoas. "O brasileiro muitas vezes se viu diante da 'pilantropia'. Quem vai dar dinheiro para alguém que não deixa claro onde aplicar? O brasileiro desconfia", completa ele.

Mas Pereira aposta numa mudança dessa realidade brasileira. Ele cita como exemplo um país com características em como conosco, o México. Segundo ele, a Universidade Técnica de Monterrey, arrecada cerca de US$ 40 milhões por ano em doações. "? uma coisa que o Brasil não está acostumado. Existe a idéia de que as pessoas não dão dinheiro porque não pedimos e quando pedimos não sabemos fazer. Estamos engatinhando nessa área, não temos profissionais especializados nisso", aponta Pereira.

"Estamos numa situação tão absurda que é uma realidade que ninguém enfrentou. Veja, o aluno estuda 8 anos medicina e não paga nada. Aí, algum tempo depois, a universidade precisa aumentar a biblioteca e ninguém pede nada para esse ex-aluno. As universidades não mantêm uma relação boa com os ex-alunos. Nos Estado Unidos é diferente. Harvard se sustenta assim", acrescenta ele.

Bella Júnior concorda que há espaço no Brasil para tal prática. "O Brasil tem todas as condições de ir nessa direção". Mas para isso, destaca ele, é preciso preparar o terreno e nesse sentido, e aí a palavra chave é "transparência". "Transparência total. A base da filantropia é a transparência. ? preciso ter relatórios anuais de resultados claros, número de bolsas concedidas, apontar os esforços para reciclagem dos funcionários, o número de prédios construídos, enfim. A coisa tem de ser bem feita. E tem de ser escolas que demonstrem que tem um bom projeto", disse Bella Júnior.

Ele aposta no potencial de captação do setor. "O produto educação, é muito forte. As possibilidades são grandes, mas precisa ser bem feito e não olhar com imediatismo, porque aí vem a frustração", declarou ele Bella Júnio, que incluiu as escolas de ensino médio como possíveis beneficiárias de doações, não apenas as universidades.

Mas o diretor-geral das Faculdades Rio Branco aponta a legislação brasileira como obstáculo para o sucesso do fundraising no Brasil. "A legislação entrava tudo. Não pedimos, não sabemos pedir, quando pedimos ninguém dá e quando resolvem dar, não podemos receber. Então tem muita coisa a ser feita", afirma ele, referindo-se à lei que dificulta muito o recebimento de aportes por parte das universidades.

Pereira afirma que não são raros os casos em que Instituições de Ensino Superior deixam de receber doações por causa da burocracia envolvida nesses processos. "Grande parte das instituições públicas não pode receber, elas precisam abrir fundações para viabilizar essas transações. Fora isso, aqui quem doa, não recebe benefício algum. Nos Estados Unidos a lei não apenas facilita para quem vai receber como estimula quem vai doar", completa ele.

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