text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Integração da América Latina

      

Por Marcel Frota, de Belo Horizonte

Mudança de mentalidade. Essa parece ser a chave para a tão sonhada integração da América Latina. Durante a primeira mesa de debates dessa terça-feira, os participantes do Congresso Internacional de Reitores Latino-americanos e Caribenhos foram mais incisivos ao abordar uma mudança de mentalidade com efeitos práticos. Ou seja, levar as propostas do campo do debate, muitas vezes abstrato, para as realizações propriamente dita. O congresso ocorre no campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em Belo Horizonte.

O vice-ministro de Educação Superior da Bolívia, Jorge Ramiro Tapia Sainz, foi entusiasta dessa visão e deu exemplos. Segundo ele, as universidades poderiam ter cadeiras que falassem da região, como exemplo, disse que poderia ser lecionada história da América Latina, não apenas história nacional dos países. "Quando começarmos a fazer isso (mudar o pensamento e tomar atitudes concretas) entraremos no próximo congresso para falar dos benefícios dessa nova postura", afirmou Sainz.

O Secretário Executivo Geral da Anuies, do México, Rafãl López Casta¤ares abordou a questão do desemprego ao falar da Universidade. Foi o primeiro a abordar esse viés. Ele fez isso ao diagnosticar os fatores que influenciam a transformação das universidades. Segundo ele, a transições demográficas, insuficiência de recursos e ausência de canais mais adequados de comunicação entre as universidades e o setor produtivo colaboram decisivamente para a transformação das instituições.

O último desses aspectos foi o gancho utilizado por Casta¤ares para falar do desemprego. "Títulos universitários já não garantem postos de trabalho. Mais do que isso, não garantem sequer boa remuneração", afirmou ele, destacando que para pensar numa transformação é fundamental não esquecer de como enfrentar o problema do desemprego entre os egressos das universidades.

Paulo Itacarambi, diretor do Instituto Ethos, afirmou que antes de pensar em mudança é preciso ter consolidada a idéia exata de qual mudança será essa e sobretudo qual será a estratégia para atingi-la. Ele descreveu o quadro atual como o de uma sociedade mundial despreocupada com a questão da sua própria sustentabilidade. Para ele, esse é o ponto chave, porque acredita ser necessária a criação de uma consciência coletiva em relação à sustentabilidade. São coisas que acabam se refletindo no dia-a-dia de qualquer pessoa, mesmo quem nunca pisou numa universidade.

Itacarambi se refere ao desequilíbrio ambiental, cujo "impacto é desastroso", ao desequilíbrio social, com crescimento da desigualdade e da miséria, e ao esgarçamento dos malores morais, que segundo ele são os grande propulsores do crescimento da violência e da injustiça. "Há um crescimento permanente da desigualdade ao ponto em que hoje se estabelece mundos diferentes para as diferentes classes sociais. Temos um padrão de consumo e produção que não se sustenta", criticou ele, e acrescentou que se todos os cidadão do mundo conseguissem obter as riquezas e o padrão de vida que alguns poucos privilegiados têm acesso, o mundo se tornaria inviável. Se não se resolver essas questões, não há agenda possível para as universidades", completou.

Clélio Campolina, diretor-presidente do BHTEC da UFMG, encerrou a mesa ao falar de aspectos históricos da América Latina que levam a uma separação dramática entre os latino-americanos, que estão muito mais próximos de outras metrópoles mundiais do que de seus próprio vizinhos. De acordo com seu raciocínio, é fundamental refazer o diagnóstico do problema regional, com a revisão da herança colonial escravista e reavaliação da forma como a América Latina se insere no resto do mundo.

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.