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Internacionalização solidária

      

Por Marcel Frota, de Belo Horizonte

A quarta mesa de debate do Congresso Internacional de Reitores Latino-americanos e Caribenhos abordou um tema importante no processo de integração da América Latina: "Internacionalização solidária: bases, parcerias e possibilidades". Não apenas os integrantes da mesa, mas vários debatedores discutiram as diretrizes para uma boa internacionalização das universidades. Todos muito dispostos a por em prática a mobilidade docente e discente na região, mas durante as discussões, ficou clara a dificuldade de concorrer com ofertas de países desenvolvidos. Além disso, a briga para não perder bons estudantes seduzidos pelo modo de vida mais confortável oferecido por países europeus e os Estados Unidos, se mostrou um desafio a mais na realização de uma zona latino-americana de mobilidade.

Pierre Paquiot, reitor da Universidade d'Etad d'Haiti, afirmou que os estudantes da América Latina são muito mais propensos a seguirem o caminho dos países desenvolvidos do que escolherem um destino na região. Mesmo assim se mostrou otimista. "A cooperação Norte/Sul trouxe muito pouco benefício para nós. A cooperação Sul/Sul poderia ser muito boa", disse. Ele expôs um quadro da situação do ensino superior no Haiti, uma país cujo orçamento recebe 60% de seu valor total de ajuda de outras nações. "É difícil desenvolver pesquisa de qualidade e até mesmo desenvolver algum tipo de pesquisa. Para agravar ainda mais essa situação, boa parte de nossos professores dedicam-se em tempo parcial às atividades de docência", disse Paquiot.

Após fazer esse descritivo, Paquiot se mostrou totalmente favorável à internacionalização solidária, até como mecanismo de ajuda para seu pais combater os altos índices de analfabetismos. Entretanto, ele fez ressalvas. "A internacionalização não servirá de nada, se não ajudar os países subdesenvolvidos a se aproximarem dos países desenvolvidos", afirmou. Ele descreveu o mundo como uma grande rede interligada e se apoiou no exemplo europeu de mobilidade para afirmar os benefícios da prática. Mas mesmo assim destacou que a tecnologia deve servir ao desenvolvimento. "Até hoje, nossas tecnologias não serviram para diminuir as diferenças entre os países e tão pouco as desigualdades internas de cada nação", criticou ele.

E falando justamente sobre ferramentas de tecnologia, Yamileth Gonzalez García, reitora da Universidade da Costa Rica, apostou que elas podem ser a grande possibilidade de integração do bloco. Ela destacou que internacionalização é um assunto que passa obrigatoriamente pela questão da mobilidade docente e discente. E para ela, esse tema adquire cada dia mais importância, a medida que a economia mundial se torna mais complexa, o que torna a missão de se gerar mais recursos humanos fica mais importante.

Yamileth falou sobre o exemplo costarriquenho de intercâmbio, algo que segundo ela já é uma tradição de seu país. Mas a reitora reconheceu que muitas vezes o intercâmbio é mais freqüente com países desenvolvidos e lamentou o déficit entre os estudantes costarriquenhos que sãm para estudar (27 em 2006) e os que chegam ao país com o mesmo objetivo (400 em 2006). "A internacionalização passa por necessidades mútuas das nações envolvidas e pela reciprocidade entre eles", ponderou. Ela defendeu ainda o que chamou de “rentabilidade acadêmica e social” como o objetivo que as universidades deveriam buscar.

Xiomara Zarur, coordenadora de Pesquisa da Associação Colombiana de Universidades, foi outra que abordou o problema entre o intercâmbio na região e as sedutoras condições oferecidas pelos países desenvolvidos. "As vezes é mais fácil para nós estabelecer relações com universidades muito mais distantes do que com nossos vizinhos. Há até uma preferência por parte dos estudantes em relação a esses países", lamentou ela. Xiomara sugeriu que o próprio Iesalc pode ter uma participação decisiva para fomentar essas parcerias entre os latino-americanos. De acordo com ela, atualmente, fatores econômicos contribuem para que as desigualdades permaneçam já que somente os filhos dos mais ricos é que fazem intercâmbio, e potencializam suas possibilidades através de um currículo mais recheado, enquanto os mais pobres fazem somente o básico.

Corinth Morter-Lewis, reitora da Universidade de Belize, acrescentou que as parcerias regionais entre as universidades irão afetar outras dinâmicas e relacionamentos na América Latina. Na opinião dela, se não se pensar essas conseqüências e planejar esse processo, as parcerias não passarão de "um casamento de conveniências". Durante a abertura do debate para a platéia, muitos se mostraram preocupados com a questão da fuga de cérebros nos países da região para as nações desenvolvidas.

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