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Notícias

Apresentação do programa de pré-iniciação científica

      

Por Mayana Zatz*

Na minha geração, quem estudava em escola pública, como eu, tinha muito mais chance de entrar numa boa universidade do que os alunos de escolas particulares. Cursinho? Nem pensar..... Aluno daqui não precisa de cursinho diziam nossos professores enfaticamente.

Hoje, 30% dos alunos que terminam a oitava série em escolas públicas são analfabetos funcionais. Se não conseguem nem se alfabetizar, que dirá entrar em uma boa universidade ou conseguir uma bagagem mínima que os preparem para uma atividade profissional, para a vida adulta.... Isso tem sido repetido exaustivamente por todos.

A questão é: como reverter esse processo? O que podemos fazer? Como plantar pelo menos uma sementinha?

Foi pensando nisso e com base nos resultados fantásticos dos programas de Iniciação científica que surgiu a idéia de implantar esse programa de pré-IC em parceria com a secretaria da educação do Estado de S.Paulo.

O plano, a ser iniciado em fevereiro de 2008 é abrir os nossos laboratórios para os alunos do secundário. Dar-lhes a oportunidade de serem pesquisadores na USP por um ano.

Vamos iniciar com 400 alunos que serão acompanhados por 80 professores das suas escolas: um professor para cada 5 alunos. Esses alunos serão distribuídos em cerca de 100 a 120 laboratórios da USP, numa média de 3 a 4 alunos por laboratório, em todas as áreas: biológicas, exatas e humanas.

Eles virão duas vezes por semana para USP, serão inseridos em projetos de pesquisa e terão contato direto com jovens universitários em todos os níveis desde IC até pós-doutores . Além disso, participarão de seminários onde serão discutidos assuntos polêmicos como organismos transgênicos, células-tronco, bio-ética etc...

O objetivo, a longo prazo, é de aumentar as chances dos bons alunos de escolas públicas de entrar na Universidade ou em escolas técnicas, de desenvolver o espírito crítico, de aumentar sua motivação para estudar ou simplesmente ler. E mais do que tudo de serem contaminados de modo irreversível com o VÖRUS DA CURIOSIDADE e que esse vírus os acompanhe pelo resto da vida.

E como iremos avaliar o impacto desse programa?

Vamos ter uma avaliação no aprendizado formal, o que será feito sob a orientação da prof. Myriam Krasilchik.

Mas além disso, vamos analisar outros aspectos , em um projeto inovador liderado pelo Dr. Jorge Forbes e uma equipe de 20 psicanalistas que vão acompanhar esses jovens por um ano. Eles vão avaliar o impacto dessa experiência em outros aspectos tais como:

  • Muda a visão de mundo? A visão de futuro?
  • Altera a escolha profissional?
  • Mexe com a auto-imagem? Com a motivação?
  • Modifica as relações professor-aluno?
  • Modifica as relações entre colegas?
  • Modifica as relações com a família?
  • Desenvolve o espírito crítico?
  • Retifica a relação com o saber?
  • Transforma o medo reverencial da USP?

    Essa avaliação vai gerar um livro que servirá de parâmetro não só para a USP mas esperamos também como pólo disseminador em outras universidades brasileiras.

    Esse projeto só está sendo possível graças ao apoio de várias entidades que estão aqui presentes e a quem eu gostaria de agradecer publicamente:

    O Banco Santander que dará bolsas para os 400 alunos permitindo-lhes pagar a condução, alimentação etc..

    A Monsanto que dará bolsas para os professores das escolas públicas que vão acompanhar os alunos e vai apoiar em parte o projeto de avaliação desse programa

    A Microsoft

    E a Fundação Faculdade de Medicina que está nos ajudando a fechar as suturas, ou melhor, as contas, a fim de viabilizar o programa.

    O projeto de avaliação será financiado pelo Instituto Unibanco e a Monsanto.

    Queria terminar agradecendo a equipe da pró-reitoria , da secretaria da educação, o comitê que vem trabalhando exaustivamente na idealização desse projeto, em particular A Prof. Angélica Miglino, Prof. Paulo Saldiva, Prof. Myriam Krasilchik, Prof. Pedro Bombonato e Prof. Carlos F. Menck e principalmente os nossos parceiros que vão financiar esse projeto porque acreditam como nós que só através da educação poderemos transformar o Brasil em um país melhor.

    *Mayana Zatz é Pró-reitora de Pesquisas da USP (Universidade de São Paulo)

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