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Doações privadas na América Latina

      

Por Lilian Burgardt

Nas últimas duas décadas, houve uma profunda transformação da educação superior latino-americana, marcada com a proliferação de universidades, maior concorrência, expansão de matrículas e novos sistemas de reconhecimento. Em contrapartida, houve uma redução de verbas públicas destinadas ao Ensino Superior, foi o que constatou a chefe do Departamento Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade do Pacífico, no Peru, Cynthia Sanborn, autora de diversos estudos sobre o fortalecimento da democracia e da sociedade civil e ao papel da filantropia nesse processo.

 Ao longo dos anos como consultora de fundações e agências de desenvolvimento, a pesquisadora percebeu um "enxugamento" das verbas no Ensino Superior na América Latina e o aumento da desigualdade entre os estudantes com condições de custear seus estudos para entrar em uma universidade pública de qualidade e aqueles submetidos à educação básica precária, além de uma educação superior de inferior qualidade. As disparidades constadas por Cynthia serviram de catalisador para estudos sobre como a doação de recursos poderia auxiliar no acesso, a eqüidade de qualidade da educação.

Ao contrário do que muitos pensam, o estudo da pesquisadora apontou que os países da América Latina apresentam uma tradição na doação de recursos para o Ensino Superior tão relevante como a que acontece nas instituições norte-americanas. No entanto, elas são mais fragmentadas e dispersas, o que reduz seu impacto. "Em alguns casos,  - incluindo a educação - as doações privadas reproduzem a elite social existente e reforçam a desigualdade, daí a resistência de algumas autoridades públicas em dar incentivos maiores", explicou  a pesquisadora.

Nos últimos 15 anos, a forma de doação vinda da esfera corporativa teve o crescimento mais expressivo na América Latina. Entre 80% e 95% das grandes corporações praticam alguma forma de doação direta sendo que a segunda área que mais recebe recursos é a de educação e treinamento, perdendo apenas para a caridade e serviços sociais.

Vale destacar, porém, que boa parte destas empresas se coloca como autora de suas ações, ou seja, criando projetos específicos geridos por elas, ao invés de destinar recursos para entidades ou instituições já existentes. Para a especialista, tal característica reforça a idéia de que o investidor quer ter o controle de como e onde serão investidos os recursos doados, especialmente por não ter clareza do que as entidades farão com a verba.

 Outro apontamento interessante constado pela pesquisadora foi o de que a caridade religiosa - marcada pelas tradicional filantropia da igreja católica - abriu espaço para que outras religiões como o protestantismo e o judaísmo, também passassem a arrecadar e doar fundo para fins de educação e treinamento. "Ainda assim, a doação de fiéis nem sempre cobre as despesas, há a necessidade de contar com outros recursos", disse.

 Para a pesquisadora, tais constatações servem para desmistificar a visão de que a América Latina está muito atrás dos Estados Unidos no que diz respeito à captação de recursos. O que há é uma diferença na forma pulverizada como os recursos chegam até a educação, fazendo com que eles pareçam menos significativos. Além disso, a falta de incentivos fiscais, desencorajam a doação, um entrave que precisa ser vencido para facilitar e estimular a vinda de recursos para a educação. 

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