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Novos paradigmas da educação

      

Como, afinal, atingir e responder pelo drama social da juventude que sonha com o Ensino Superior mais está à margem do 3º grau? Abordando este desafio é que o membro do CNE (Conselho Nacional da Educação), Mozart Neves Ramos iniciou sua palestra na manhã desta quinta-feira, durante o 9º FNESP (Fórum Nacional Ensino Superior Particular e Brasileiro).

Ramos, que já foi reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), reforçou aos gestores e mantenedores das universidades a importância de se levar adiante os debates promovidos em eventos desta proporção dizendo que muito se fala, mas poucas são as ações coletivas que realmente são realizadas com a finalidade de tirar as idéias do papel.

"Em 1998, participei de um encontro na Europa ainda como reitor da UFPE, lá, Peter Mansen, especialista no tema educação, destacou alguns pontos fundamentais para promover o Ensino Superior de qualidade. De lá para cá, pouca coisa mudou em nosso país e vejo que continuamos a bater cabeça em tais pontos", destacou.

Ramos destacou que a burocracia que envolve o Ensino Superior brasileiro, seja ele público ou privado, é o principal entrave para vencer a disparidade nos números de jovens existentes no país e jovens presentes no meio universitário. Ele citou a falta de incentivo para a mobilidade, especialmente por conta da dificuldade na revalidação dos créditos, a falta de políticas públicas que estimulem o ingresso de estudantes carentes e as instituições de dar continuidade a projetos visando à inclusão social.

Recentemente, um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostrou que o que acontece no país é uma espécie de assalto à torre de marfim. Cerca de 20 milhões de jovens estão na faixa etária de 18 a 24 anos, ou seja, aptos para ingressar no ensino superior, enquanto apenas pouco mais de dois milhões deles estão nas universidades. "? preciso prestar atenção a tais números e chamar para si o problema. Não podemos ignorar que este déficit da educação comprometa o crescimento e o desenvolvimento do país", destacou Ramos.

Como alternativa Ramos propõe o que ele chama de ProUni para pessoa física. Uma espécie de variação do Programa Universidade Para Todos em que cada indivíduo pudesse se propor a financiar os estudos de um jovem e abater do seu imposto de renda. "Em resposta ao que a sociedade me proporcionou quando custeou meus estudos em uma universidade pública, hoje, eu financio dois alunos no Ensino Superior. Se cada membro da sociedade se propusesse da mesma forma, certamente teríamos um saldo mais positivo na Educação Superior", disse.

A idéia do ProUni para pessoa Física foi recebida com entusiasmo pelos debatedores da mesa, em especial, para o presidente da Anhanguera Educacional S/A, Antônio Carbonari Neto que, além de evidenciá-la em seu discurso, apresentou novas idéias a fim de aumentar a proporção de estudantes no Ensino Superior.

Carbonari acrescentou que iniciativas simples - facilmente aplicadas com vontade política - poderiam não só acrescer mais jovens ao Ensino Superior, como estimular a participação da sociedade no que se poderia chamar de "febre da educação". A primeira delas seria que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) se transformasse em ferramenta de ingresso a tecnólogos e cursos de humanidades, uma espécie de propedêutico mais extenso. "Com essa medida, seria possível inserir mais cinco milhões de estudantes em cursos com viés diferenciado da graduação tradicional", disse.

Outra proposta seria utilizar recursos do FGTS para financiar o FIES (Programa de Financiamento Estudantil). "Este é um tema que sempre está em debate, mas que acaba sendo vetado. Volto a dizer que a relação do governo com o FGTS é de posse sobre o dinheiro do trabalhador, como se ele não tivesse direito sobre tal reserva", reclamou.

Por fim, Carbonari destacou que a inclusão social está pautada em ação coletiva, com isso, para que ela saia do papel, todos os educadores, dirigentes e membros do setor devem somar esforços em prol do objetivo, do contrário, continuaremos a assistir, inertes a continuidade do cenário que temos hoje. "Só com ações coletivas em prol de mudanças é que teremos um cenário diferenciado e favorável à Educação Superior", encerrou.

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