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Natalia sofreu com o "pois não"

      

Por Marcel Frota

"Pois não". ? difícil imaginar quanto transtorno essa expressão pode causar. Mas demorou algum tempo até que a costarriquenha Natalia Jimenez Gomez, 27 anos, entendesse seu significado. Ela está no Brasil em companhia do marido, Raul Heraud, 27 anos, administrador financeiro. Ele faz mestrado em relações internacionais nos Estados Unidos e durante as férias de verão lá, decidiu fazer um curso aqui. "Ele adora a cultura brasileira. Aproveitei para conhecer a cultura e aprender o idioma", conta ela.

Ela está no Brasil há três meses e vai terminar o nível básico do curso de português que faz na escola de idiomas To Go. "Como falamos espanhol, é muito mais fácil aprender o português", diz Natalia. "Aluno que fala espanhol tem material diferente. Não posso colocar junto quem fala espanhol com quem não fala", revela Mônica Lança Navarro, 34 anos, diretora da Idiomas To go, que recebe alunos de diversos países como Estônia, Luxemburgo, Suíça, França, Itália, Estados Unidos e Austrália.

Apesar disso, Natalia passou por situações engraçadas por causa do "pois não". Como não entendia a expressão, achava que o "pois não" era simplesmente uma maneira típica de dizer "não". Isso gerou situações cômicas, não para ela, mas que agora já se diverte ao lembrar. Entrava numa loja e perguntava ao vendedor sobre algo. Ao ser abordado o vendedor dizia: "pois não". Ela achava que a resposta era "não" e saia da loja. Ficavam ambos sem entender nada. Afinal a mercadoria que ela queria estava ali e o possível comprador também, mas esse ruído de comunicação era um entrave. Ia numa padaria, pedia pão e "pois não". Saia frustrada e com fome.

Natalia é formada em Direito, curso que completou em 2002, na Universidad Escuela Libre de Derecho da Costa Rica. Mas fala que exercer a profissão dela aqui é difícil. "As leis são diferentes", resume. Ela admite que o casal pode ficar por aqui mesmo, mas ainda não sabe. Assim mesmo, procura um mestrado na área de moda e está otimista. "O que me motiva é que os brasileiros têm uma indústria da moda boa e reconhecida e isso me motiva a vir estudar aqui", afirma ela.

Mesmo empolgada com o Brasil, Natalia não esconde a saudade de sua terra natal. "Não gosto muito de ficar longe da Costa Rica". Ela diz que fala muito com a família. "Três vezes por semana", garante. A família pergunta se São Paulo é interessante. "As pessoas acham que é melhor ir para outro lugar no Brasil porque São Paulo não é um local turístico. Eles perguntam como é a cidade e digo que é muito grande. Perguntam também sobre violência, o que acho da comida... Gosto da comida daqui e gosto da comida baiana, que vocês aqui em São Paulo acham muito temperada, mas gosto", conta Natalia. Para ela é fácil, acostumada com o tempero da mãe, que é mexicana e nunca economizou nos condimentos.

Como qualquer forasteiro, Natalia sofria. Não muito pela língua, mas pela convivência no local estranho. "Me surpreendeu a grandeza da cidade". Mas isso também tem o lado positivo. "Tem tudo aqui. Tem muita diversidade cultural dentro do Brasil". Ela conta que no início não conhecia nada e sofria na mão de taxistas oportunistas. A corrida de sua casa, no bairro do Itaim Bibi, até Moema custava R$ 20. Hoje, mais habituada ao caminho, o mesmo trajeto já sai por R$ 12. "Mas acho que isso não é uma coisa que só acontece aqui".

Agora Natalia já aprendeu a pegar ônibus. Teve de se informar com os passageiros mesmo. "Aqui não tem muita informação para turista e os táxis são muito caros", critica. Depois de algum tempo e mais familiarizada, Natalia acredita que a adaptação até que não foi tão difícil. "Não sei se é porque falo espanhol e a cultura dos dois países (Brasil e Costa Rica) é semelhante. Também porque as pessoas aqui ajudam muito. Nos Estados Unidos, por exemplo, se você está sozinho é muito mais difícil encontrar informação, as pessoas são mais individualistas", lembra ela.

Mesmo sem definir exatamente o futuro no Brasil, Natalia revela que já aproveitou a estadia para realizar um desejo que foi instigado antes da chegada aqui. Aproveitou a fama que o Brasil tem no exterior como grande paraíso das cirurgias estéticas e não perdeu tempo, fez lipoaspiração e colocou silicone. Outro produto tipicamente nacional que conquistou o gosto da estrangeira foi o guaraná. "Adoro", resume ela.

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