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Quando é hora de mudar de estágio?

      
Por Lilian Burgardt

Namoro & estágio

Um dia a gente nasce. Frágil, dependente, ignorante. Depois, o aprendizado se inicia através do contato direto com as coisas e as pessoas. Em seguida, de posse da fala, são exploradas as memórias humanas a partir dos testemunhos dos pais, irmãos, parentes, amigos e professores. Então, chega a época de se preparar para as escolhas de "gente grande". E "gente grande" vive a tomar decisões. De algumas se arrepende. De outras sai satisfeita.

O arrependimento e as frustrações nascem das nossas ilusões. Uma pessoa ouve o que os outros dizem, vê o que eles fazem, e sua imaginação constrói um cenário bonito e aconchegante, cheio de tranqüilidade, compreensão, carinho e prazer. Mas ao tentar transformar o sonho em realidade, falta não só um terreno sólido o bastante para sustentá-la como materiais resistentes e duráveis. Felizmente existem as oportunidades para a gente namorar e estagiar.

Ao namorar, se descobrem muitas coisas: que as pessoas vistas de pertinho são diferentes de quando são observadas à distância. Que nem tudo que se promete, se cumpre. Que as opiniões se alteram. Que seduzir dá trabalho e nem sempre compensa. Que um dia junto da pessoa amada parece um minuto, mas um dia sem vê-la parece um século.

Além disso, depois de ter tido várias namoradas ou namorados, é possível comparar as diferentes experiências e fazer escolhas para permanências mais longas, com menor risco de frustração. Ou seja, as frustrações não desaparecerão, somente poderão ser menores e menos freqüentes.

O mesmo ocorre com relação ao estágio. Há muitas histórias que se contam a respeito do mundo empresarial e das profissões. Algumas lembram filmes como os da série "Guerra nas Estrelas", onde heróis vencem desafios, quebram paradigmas e conquistam o sucesso todos os dias. Outros (no extremo oposto) mais parecem filmes em preto e branco, considerados "cult", ou seja, monótonos, lentos, cheios de repetições; num cenário dominado pela rotina, pessoas se arrastam de um procedimento para o outro e esperam pela aposentadoria.

O estágio é a grande chance de cada estudante explorar o ambiente empresarial e colher amostras em diferentes organizações, departamentos e atividades. Este contato direto com as pessoas que fazem o dia-a-dia do ambiente corporativo é que permite a cada um construir sua própria imagem.

? claro que alguns se apaixonam pela primeira empresa e esta paixão é correspondida, o que gera uma convivência harmoniosa de muitos anos. O contato com diferentes empresas de diferentes portes e setores, porém, pode ser muito útil para conhecer a realidade do mercado e, assim, construir uma base melhor para a tomada de decisão com relação ao emprego que seja mais compatível com a natureza do indivíduo.

* Sebastião de Almeida Júnior é consultor empresarial na área de Desenvolvimento Gerencial & Organizacional.

O que ele tem para me oferecer? Será que atende às minhas expectativas? E eu, estou dando o melhor de mim? Quem namora sabe que estas três perguntas são decisivas na hora de decidir levar adiante o relacionamento ou "pular para outro galho." Com o estágio, dizem os especialistas, é a mesma coisa. (Leia o artigo ao lado)

O estudante precisa viver, no mínimo, dois "relacionamentos" distintos para ter acesso à cultura e valores empresariais diferenciados. Em cada um destes relacionamentos ele precisará passar pelo período de experiência. Só depois disso, e com as três respostas para as perguntas acima, é que ele saberá se ainda é tempo de investir ou se é hora de partir para outra.

A dúvida do "fico ou não fico" é muito comum para a maioria dos estagiários, especialmente porque na universidade todo mundo insiste na máxima de que estágio serve para dar experiência e quanto mais experiência melhor. A atual realidade do mercado, porém, mostra que não é só isso que pesa na balança. Antes de sair trocando de estágio a cada seis meses o estudante deve enxergar as possibilidades que uma empresa pode oferecer. E, acredite, elas vão muito além da efetivação.

Segundo a consultora de carreira do Unifieo (Centro Universitário FIEO), Maria Bernadete Pupo, em primeiro lugar, o estudante tem que se preocupar com o que a empresa pode oferecer em termos de aprendizado. Ainda que seja comum ter a preocupação com a efetivação - especialmente para os jovens que pagam sua faculdade - o melhor é pensar na troca de experiências entre empresa e estagiário. Se não houver mais ganhos para ambas as partes, é hora de trocar. "O estudante precisa levar em conta o que aprende com sua experiência profissional. Há empresas que, infelizmente, não têm plano de carreira, mas mesmo assim são capazes de contribuir para o crescimento do estagiário", diz a consultora.

Esse crescimento está diretamente ligado às competências que o estudante vai desenvolver no ambiente de trabalho, são elas: disciplina, iniciativa, espírito de equipe, ética profissional, visão de conjunto e comprometimento com metas. "Esta junção de competências é que transformam o estudante inexperiente no profissional desejado pelo mercado. Isso não se aprende na faculdade, mas no trabalho", acredita Maria Bernadete.

O diretor da Agieer - empresa de consultoria de estágios - Eduardo Collinett, lembra que uma empresa pode dar a oportunidade de contato com grandes especialistas em sua área, profissionais com carreira brilhante que, só pela proximidade, já inspiram o estudante. Para ele, isso conta tanto quanto a chance de efetivação. "Estar envolvido no dia-a-dia de uma grande redação, por exemplo, com grandes profissionais com muita história para contar é uma vantagem imensurável para qualquer estudante e é algo que a faculdade não consegue oferecer", diz.

Além disso, os especialistas lembram que com as mudanças nas relações do trabalho e a demanda crescente por profissionais autônomos, depois de formado, um estagiário pode facilmente se tornar um freelancer bem requisitado ou ser indicado para uma outra empresa. Por isso, defendem os especialistas, não vale dar adeus ou recusar um estágio apenas por causa do valor da bolsa-auxílio ou pelas remotas chances de efetivação.

Por esta razão, a consultora do IBTA Carreiras, Cristiane Cortez, faz uma sabatina com os alunos quando eles batem a sua porta decididos a trocar de estágio. O objetivo é entender o porquê da mudança e orientar os jovens sobre o desligamento de uma empresa. "A reclamação que ouço de boa parte das empresas é a falta de comprometimento do estudante. Ele quer o estágio, mas na primeira dificuldade acha que a solução é abandonar", explica.

Segundo Crestina, o problema é que estudantes com esse perfil ou se "queimam" quando sãm da empresa precocemente, ou se tornam dispensáveis na equipe porque não conseguem expor e tampouco vencer suas dificuldades. "Os estudantes precisam entender que estagiar é fazer parte do meio profissional, uma vez inserido neste meio, suas decisões não podem mais ser pautadas na impulsividade, pois irão se refletir lá na frente, tanto para seu sucesso como para seu fracasso", diz.

Em sua opinião, o estudante precisa ter autocrítica para avaliar seu comportamento, crescimento e dificuldades, afim de que também possa se ajudar a crescer. "O estagiário precisa ter capacidade de auto-avaliar para identificar se sua conduta é apropriada e coerente ao ambiente de trabalho do qual faz parte. Hoje, vejo que muitos esperam tudo da empresa e pouco contribuem. ? preciso lembrar que o que me difere do outro é o valor agregado que individualmente trago para a empresa. No caso dos estagiários, vale apostar na humildade, pró-atividade e vontade de aprender", ressalta Cristiane.

Mas certamente muitos já pensaram em jogar tudo para o alto diante de um contexto turbulento. Não que uma vez ou outra pensar nisso e desanimar seja um problema. Os estagiários, porém, não só têm mais facilidade, como menos peso na consciência para fazê-lo. ·s vezes decidem ir embora sem dar qualquer feedback de que não esteja satisfeito, outra reclamação das empresas.

Neste caso, embora não haja vínculo empregatício entre empresa e estagiário, vale o bom senso: peça alguns dias para organizar sua rotina e não deixe a empresa na mão. "O futuro empregador não só será compreensivo com tal atitude, como ficará aliviado em saber que contratou um estagiário comprometido e que não fará isso com ele quando chegar sua hora", diz Cristiane.

Os especialistas lembram que, antes de partir para outra, vale fazer um mapeamento de carreira para procurar obter todas as experiências necessárias durante seu período como aprendiz. "Não adianta fazer um spam de currículo. O estagiário precisa saber o que busca em termos de aprendizado e de oportunidades de crescimento. Por isso, vale fazer um mapa das 'empresas dos sonhos' para adquirir as experiências procuradas e as oportunidades desejadas", defende Maria Bernadete.

Na opinião de Collinett, outra boa dica é procurar empresas que ofereçam estágios do tipo job rotation, ou seja, que dêem oportunidade do estudante passar por diversas áreas ligadas à sua formação e ter uma visão macroscópica do negócio da empresa. "Nesse tipo de estágio, o estudante pode conhecer diferentes atuações de sua área profissional, sem precisar trocar de empresa para adquirir diferentes experiências", conclui.

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