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Ficar ou não ficar muito tempo numa empresa?

      

Por Larissa Leiros Baroni

Treze anos em uma empresa, mais doze meses num programa de trainee, outros dois anos e meio em uma nova companhia e, por fim, os últimos seis meses dedicados aos projetos de outra instituição. Esse vai-e-vem resume o currículo do engenheiro elétrico Anderson Tadeu de Santi Barbosa de Almeida. Com 31 anos e apenas dois de formatura, ele já passou por grandes empresas, como Volkswagen, Alstom, General Motors e Ford. Mas como o mercado de trabalho enxerga esse ping-pong profissional? ? bom permanecer muitos anos em uma única empresa? Ou é melhor ter uma rotatividade na carreira?

Há uma divergência entre os especialistas sobre a questão. De um lado, aqueles que acreditam que trabalhar em um lugar por mais de dez anos é sinônimo de acomodação. Do outro, os que defendem a idéia de que a troca freqüente de emprego remete a falta de compromisso profissional. No entanto, quando o assunto é crescimento profissional, eles são unânimes: nada de ficar parado. Se permanecer numa única empresa ou em fazer carreira em diversas instituições, o ideal é sempre estar em busca de novos desafios.

Para a gerente de recrutamento e seleção da Gelre, empresa de recrutamento humano, Sidneia Palhares, não existe prazo mínimo e nem máximo para o profissional ficar em uma empresa. Segundo ela, tudo depende dos aprendizados adquiridos com a experiência. Mesmo assim, ela faz uma ressalva. "Cinco ou seis anos é suficiente para se aprender. Excedendo esse período, a vivência já pode ser encarada como comodidade, uma característica nada admirada pelos recrutadores", afirma ela.

A professora de liderança da BBS (Brazilian Business School), Irene Azevedo, que é também consultora de carreiras, não partilha da opinião de Sidneia. Para ela, não é o tempo de casa que determina a comodidade de um profissional e sim as atitudes dele dentro da empresa. "Dez anos é sinal de estabilidade, o que não é ruim desde que durante esse período o funcionário tenha se movimentado. Ou seja, tenha assumido novas responsabilidades, funções ou posições", aponta a consultora. "O que não pode acontecer é a estagnação, ou melhor, entrar e sair do emprego com a mesma rotina e as mesmas atividades" completa ela.

Anderson Tadeu de Santi Barbosa de Almeida, cujo currículo tem um pouquinho das duas coisas - muito tempo numa empresa só e depois curtos períodos em diferentes companhias - afirma que os treze anos de Volkswagen foram fundamentais para o seu desenvolvimento profissional. "Fiz três anos de curso técnico, passei por diversas áreas e por diversos cargos. Explorei bastante essa experiência. Mas chegou um certo momento que já não tinha mais para onde crescer. E acabei largando mão da estabilidade para buscar novas oportunidades", conta ele. Uma decisão nada fácil, mas que trouxe muitos ganhos ao engenheiro. "O mercado de trabalho viu com bons olhos essa minha experiência, tanto é que em menos de dois meses já estava empregado novamente".

Com o fim da faculdade e com as despesas financeiras mais baixas, Almeida pôde explorar mais as oportunidades do mundo dos negócios, passou por três empresas em um período de quatro anos. "Cada uma dessas companhias colaboraram para o meu desenvolvimento profissional. E o tempo que fiquei em cada uma delas foi suficiente para aprender e colaborar com elas", diz Almeida. "Esse movimento é importante para o crescimento, para conhecer novos métodos de trabalho, novas tecnologias e, principalmente, para se manter antenado com o mercado e suas tendências", completa ele.

A rotatividade na carreira também tem dois lados. Ao mesmo tempo em que pode ser vista como falta de compromisso, pode ser encarada como dinamismo profissional. Ainda assim, de acordo com Irene, é mais fácil justificar ao empregador a permanência de vários anos em um único emprego do que as mudanças contínuas. "Mas tudo depende do empregador e da justificativa que é dada a ele", alerta. O ideal, para a professora, é que o profissional tenha bom senso, saiba qual é o melhor momento de buscar mudanças e esteja ciente de todos os riscos que pode correr.

Sinais para uma mudança

Se você não tem mais ânimo para levantar, dá desculpas para faltar no emprego, não suporta nem mais ouvir a voz do seu chefe e dos seus colegas e já não agüenta mais a mesmice do trabalho é hora de dar uma virada na sua carreira. Mas antes de meter os pés pelas mãos e pedir demissão, é preciso levar em consideração alguns fatores, afinal por trás de toda mudança há alguns riscos.

O primeiro passo, segundo a consultora Irene Azevedo, é avaliar a situação. Questione-se: "O que acontece comigo?", "? um problema pessoal ou profissional?", "Mudar de emprego é a solução?", "O que eu quero da minha carreira?" e "Esse é o melhor momento para eu tomar essa ou aquela decisão?". Por meio dessas repostas ficará mais fácil decidir o caminho a tomar. Mas lembre-se: essa é uma responsabilidade única e exclusivamente sua.

Se o problema for pessoal, a mudança de empresa não vai funcionar. Em alguns casos, uma simples troca de função ou de área pode resolver a questão. "Só opte por procurar um novo emprego quando os seus valores não baterem mais com os da organização ou quando não há mais perspectivas de aprendizado. Caso contrário, explore mais as oportunidades", orienta a professora.

A idade também deve ser levada em consideração. Quanto mais jovem, melhores são as oportunidades de mudança. ? na fase do estágio, por exemplo, que o profissional deve aproveitar para experimentar e conhecer os diversos segmentos do mercado, até para ter uma visibilidade da área em que atua. Mas os problemas crescem com a idade. "Além da dificuldade de absorção, os compromissos financeiros das pessoas mais velhas são maiores", aponta Sidneia. Isso, no entanto, não é desculpa para acomodação. "A busca por novos desafios e aprendizados não se limita apenas a troca de função, atividades ou empresa. Busque fazer cursos e quem sabe até viajar para o exterior", aconselha Sidneia.

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