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Já é possível até estudar no Second Life

      

Por Marcel Frota

Elas ainda não iniciaram todas as atividades que pretendem desenvolver nesse universo paralelo, mas sabem que dá para fazer muita coisa por lá. Alguns vêem com estranheza a entrada delas na plataforma Second Life, mas depois de grandes corporações multinacionais anunciarem com estardalhaço seu ingresso, 2007 foi o ano em que as universidades e instituições de ensino superior brasileiras decidiram também fazer parte deste meio na esteira do que fizeram algumas das mais importantes universidades dos Estados Unidos, como Harvard, por exemplo.

Os responsáveis pelas instituições tratam com naturalidade essas iniciativas e chegam a se empolgar com as possibilidades, que envolvem a atração de alunos do mundo virtual para o real, ensino à distância, palestras, conferências, mobilidade estudantil e até cursos com aulas ministradas exclusivamente no ambiente virtual de três dimensões do Second Life. Na visão deles, o ambiente tridimensional do Second Life é muito provavelmente a próxima etapa da comunicação via rede das universidades e do mundo.

"As três funções clássicas da universidade são: ensino, pesquisa e extensão. E há uma quarta função que chamo de 'meta função' que é a própria comunicação. Para ensinar, tem de comunicar. E a medida que as ferramentas de comunicação evoluem, temos de evoluir junto", disse Gilson Schwartz, diretor da Cidade do Conhecimento espaço público existente no Second Life que abriga projetos educacionais, culturais e empreendimentos tecnológicos. "A própria capacidade de pesquisar depende das universidades participarem de todas essas ferramentas", acrescenta ele.

Clique nos links abaixo para saber mais sobre o tema:

Segundo Schwartz, a entrada das universidades no Second Life pode estimular a inclusão digital, tudo depende do tipo de projeto que seja desenvolvido. Ele avisa que projetos de pesquisa com notório interesse podem até receber terrenos gratuitos no Second Life. "? uma verdadeira reforma agrária", resume ele. Schwartz cogita também outra possibilidade aberta com o Second Life, novas formas de mobilidade, mas segundo ele, isso mais uma vez depende de decisões estratégicas de cada universidade.

Nessa perspectiva, alunos brasileiros poderiam freqüentar aulas em instituições do mundo todo sem sair de casa. Bastaria que a pessoa criasse seu avatar - nome dado aos "corpos virtuais" que cada usuário tem no Second Life - e fosse até os campi dessas instituições. Lá, haveria classes iguais as salas de aulas de qualquer escola, só que, obviamente, estariam dentro do ambiente virtual.

O coordenador do projeto Second Life do Senac de São Paulo, Paulo Rezende, nega que o interesse da instituição que ele representa seja meramente em função de uma euforia com a nova ferramenta. "O Second Life é uma opção real de divulgação e transmissão de conhecimento. E além da transmissão, existe até a possibilidade de construção de conhecimento a partir dessa plataforma. Tudo depende de como você interage com as pessoas ali", aposta Rezende.

Ele acha que o receio com novas tecnologias pode levar as instituições a repetir no ambiente virtual práticas e procedimentos antigos, que adotam em ferramentas que já utilizam e conhecem. Isso seria um erro na avaliação dele. Com exemplo de mudanças em função de observação da ferramenta, Rezende diz que o Senac promove alterações freqüentes em seus prédios e construções dentro do Second Life. Segundo Rezende, isso é uma forma de fazer os usuários perceberem que há movimento ali. Para ele, isso é um estímulo a quem visita o local com freqüência.

Rezende cita um projeto do Senac que ajuda os usuários a criar seus avatares. Esse foi um exemplo de como uma idéia simples pode sim envolver diferentes áreas do conhecimento. "Quando ajudo um usuário a montar seu avatar, crio um processo que envolve design, cultura local, moda, comportamento e até liguagem", opina. O Senac também lançou um curso de programação dentro do Second Life. Rezende classificou os resultados com "interessantes".

Ele disse que aulas no ambiente virtual exigem uma abordagem diferente por parte dos professores e um comportamento novo por parte dos alunos. "Lidar com isso é o primeiro desafio. Professores e alunos devem estar em negociação para ensinar e para aprender", declarou Rezende. Ele revelou que o Senac já tem um curso preparatório para ensinar professores a trabalhar na plataforma Second Life. "As vezes o professor não está preparado para trabalhar da maneira diferente que esse ambiente exige".

Ao falar de sua instituição, Dalton Quadros, diretor de internet da Uniban, aborda outras pretensões que se procura no Second Life, como a busca por novos mercados e novos públicos. Seria mais uma vertente além dos projetos de ensino e pesquisa, ou seja, conquista de mercado dentro desse universo paralelo para levar alunos do Second Life para o campus real da faculdade. "A internet nos leva a novos públicos", acredita Quadros. "Lá também você pode criar uma rede de comunicação que aprimore o relacionamento aluno/professor, professor/professor e aluno/aluno".

Pioneira no Second Life, a Universidade Presbiteriana Mackenzie decidiu montar seu campus vitual em abril de 2007. José Augusto Pereira Brito explica que dois princípios nortearam a iniciativa do Mackenzie, inovação e o viés educacional. "O mundo caminha para isso, todos conectados e num ambiente gráfico", afirma. Brito conta que o Mackenzie lançou seu vestibular do meio do ano no Second Life, na perspectiva da captação de alunos de dentro para fora, e lançou um guia de profissões com conteúdo extenso que pode ser consultado no Second Life, na óptica da produção de conhecimento exclusivo para o mundo virtual.

Para os incrédulos que acham que aulas, palestras e conferências no Second Life seriam inviáveis por causa da ação de usuários mal intencionados que poderiam tumultuar, Brito explica uma solução simples. "Você pode criar ambientes fechados, cujo ingresso demande o uso de senhas. As salas de aulas propriamente ditas poderiam ser fechadas. Então o aluno faz a matrícula, dentro do Second Life mesmo, para o curso que quer fazer e recebe o login e a senha para entrar na sala", explica ele, que adverte que as boas regras de conduta social precisam ser aplicadas na segunda vida. "O ápice da tecnologia é a ética", dispara ele.

Mas apesar de acreditar na tendência de inserção das universidades no Second Life, Brito reconhece que as demandas desse universo paralelo em termos de software e hardware atrapalham o processo de popularização do ambiente virtual. Para funcionar adequadamente, o Second Life exige um computador potente e uma conexão de internet de alta performance, coisas distantes do alcance da maioria dos internautas brasileiros.

Mas os fracos índices de participação ativa no Second Life não desestimulam esses entusiastas. Schwartz acredita que na medida em que as instituições e os participantes em geral puserem conteúdo dentro do Second Life, esse cenário vai mudar paulatinamente. Mas ele admite que é necessário que as instituições pensem a longo prazo e do ponto de vista da sustentabilidade dentro desse universo paralelo.

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