text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Regional São Paulo conhece seus dezessete finalistas

      
Por Lilian Burgardt

A noite da última segunda-feira, 29 de outubro, revelou novos talentos do mundo do empreendedorismo e da ciência. Em cerimônia oficial, os dezessete finalistas da regional São Paulo dos prêmios Santander de Empreendedorismo e Ciência e Inovação foram homenageados por terem seus projetos classificados para a finalíssima, que será realizada em Brasília, no próximo 29 de novembro. Deste total, 10 trabalhos foram homenageados com menções honrosas pelo seu caráter de inovação e importância regional. (Participaram da final regional concorrentes das seguintes localidades: Regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, cidade de São Paulo, Região do ABC e Litoral.)

Os participantes receberam homenagem das mãos de importantes figuras do setor empresarial como o presidente do Banco Santander no Brasil, Gabriel Jaramillo, e o conselheiro do Hospital São Luiz, Hélio Vasone, que não só elogiaram as idéias como, em alguns casos, demonstraram interesse em patrociná-las devido a sua qualidade técnica e importância para a sociedade.

Categoria empreendedorismo

Para o Prêmio Santander de Empreendedorismo, a primeira iniciativa de destaque que recebeu uma menção honrosa da banca avaliadora foi o projeto do pós-graduando em Engenharia ãronáutica da USP (Universidade de São Paulo), Alexandre Bernardes Barros. Sua idéia prevê a criação de um sistema flex para motor de avião. O motor projetado pelo engenheiro apresenta diversas vantagens com relação aos disponíveis no mercado. Primeiro, a flexibilidade do combustível reduz os custos. "Se o avião for abastecido com álcool, o gasto com combustível será apenas 20% do que se fosse abastecido com gasolina ãronáutica", explica.

Além disso, muitas ãronaves utilizam pequenos motores de automóveis com pequenas adaptações. Com o motor flex de Barros, é possível ter um produto até 50% mais leve do que os existentes hoje, uma vez que o ferro fundido foi substituído por alumínio, entre outros materiais como: titânio e ligas de magnésio. Para o pesquisador, ser um ganhador do prêmio poderá alavancar esse projeto via parceria com a universidade e com o setor industrial. "Por hora, a menção honrosa é a consagração de anos de trabalho e dedicação. Ser agraciado com ela é, sobretudo, uma vitória pessoal", disse.

Outro pesquisador que vibrou muito com a menção honrosa recebida na cerimônia foi o engenheiro químico e mestrando em Engenharia Agrícola da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Leandro Shiroma. Ele desenvolveu um projeto para a criação de uma indústria, a Quartz, voltada para a produção de artefatos de decoração e revestimentos ecológicos para a construção civil, usando o resíduo das pedras de piscina, conhecido como quartzito.

Segundo o engenheiro, em alguns casos, apenas 20% do material extraído do solo é aproveitado para o revestimento de piscinas, o que faz com que os outros 80% de toda a extração vire resíduo. Com sua idéia, a fábrica irá aproveitar esse resíduo para a fabricação de texturas, argamassas e mosaicos. O projeto prevê uma parceria com uma cooperativa de São Tomé das Letras, em Minas Gerais, pólo comercial deste material e de duas empresas de São Paulo que farão o acabamento dos artefatos e revestimentos ecológicos produzidos pela fábrica de Shiroma.

É o segundo ano consecutivo que o mestrando está entre os finalistas do prêmio Santander de Empreendedorismo. No ano passado, ele concorreu com o projeto de reutilização de resíduos de pó de serra para a fabricação de concreto. "É fantástico estar entre os finalistas de novo, especialmente porque o prêmio garante uma visibilidade para o projeto. No ano passado, empresas entraram em contato comigo graças à visibilidade que obtive ao ter sido finalista", lembrou.

Com apenas 22 anos de idade, o jovem aluno da USP, Eduardo Vasconcellos, foi outro a sentir o gostinho de estar entre os finalistas e ter recebido menção honrosa por seu projeto. Ele desenvolveu uma empresa que utilizará jogos de realidade alternativa como ferramenta para a produção de campanhas publicitárias. Esse novo tipo de propaganda divulga pistas e mensagens subliminares nos meios de comunicação, que levam à resolução de um mistério apresentado ao público. "O diferencial deste projeto é a interação do público com a propaganda", explica.

O aluno, que cursa Engenharia Mecânica, espera inovar a publicidade brasileira apresentando um novo conceito, o da realidade alternativa. "Além de vender um produto, as empresas devem também proporcionar ao público uma experiência", acredita. Em sua opinião, o prêmio ajudará nessa mudança de conceito de publicidade e alavancará os primeiros investimentos para que o projeto saia do papel. "Será uma oportunidade de construir um projeto novo e de sucesso. Para mim, que ainda sou estagiário, será uma oportunidade inigualável", destacou.

Na onda da responsabilidade social

Apesar de não terem recebido menção honrosa no Prêmio Santander de Empreendedorismo, os projetos a seguir, se destacaram pelo caráter de responsabilidade social, o que os colocam perfeitamente dentro do páreo na disputa final.

O projeto do analista de sistema e mestrando em Administração da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Francisco Rodrigues, propõe a criação de um portal de comércio eletrônico para a compra e venda de produtos ecologicamente corretos, cuja produção esteja baseada na política de não agressão ao meio ambiente, o uso de energias renováveis e a reciclagem.

Outra vantagem do portal, será ceder espaço para que produtores e artesãos de comunidades ribeirinhas, pesqueiras e de agricultores possam comercializar seus produtos em larga escala e num mercado global como o da Internet. "Hoje, há cerca de 1.500 comunidades no país que produzem artefatos ecologicamente corretos, com material reciclado ou que não tinham utilidade. Além de dar a eles a oportunidade de aparecer, o portal também ajudará as pessoas que querem comercializar estes produtos e não sabem onde encontrá-los", destacou.

O trabalho do aluno de graduação em Física da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), Edivagner da Silva Ribeiro, consiste em uma forma de reduzir custos de instalação dos painéis de energia solar a fim de difundir sua utilização para pessoas de menor poder aquisitivo e reduzir assim os danos ao meio ambiente por meio da utilização de outras fontes de energia. O projeto pretende oferecer consultoria para clientes e fabricantes antes de fechar negócios, para que os consumidores obtenham melhor relação custo/benefício com tal tecnologia.

"Avaliamos a propriedade do cliente e desenvolvemos um projeto de instalação de acordo com sua realidade. Existem 250 modelos de placas de energia solar, mas como nem todos atendem às necessidades dos consumidores, eles acabam pagando mais caro para conseguir o mesmo resultado. Em nossas pesquisas, percebemos que ao oferecer um projeto de instalação, os clientes obtêm melhor relação custo/benefício", afirmou.

A inspiração do pós-graduando em Energia na Agricultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp/Botucatu (Universidade Estadual Paulista - Campus Botucatu), Diego Cunha Zied, foi o cogumelo Pleurotus Ostreatus, popularmente conhecido como "shimeji". A idéia do pesquisador é desenvolver a produção do cogumelo em resíduos agrícolas e agroindústrias que, na maioria das vezes, são queimados ou descartados no ambiente, causando danos.

"A utilização do 'shimeji' na biotecnologia é tão fascinante que este cogumelo é capaz de se tornar um alimento riquíssimo, nutritivo, saboroso, orgânico e com algumas propriedades farmacológicas e medicinais, mesmo se desenvolvido em materiais inorgânicos como, por exemplo, a serragem, que não pode ser consumida por seres humanos ou animais", descreve.

Também estão entre os finalistas do Prêmio Santander de Empreendedorismo: Aparecida Maria Fonseca da UCB (Universidade Católica de Brasília), com o projeto para a produção de alimentos com frutos do cerrado; Rafãl Mazariolli da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), com o projeto violão eletrônico; Rodrigo Vitorio Alonso da Unesp (Universidade Estadual Paulista), com o projeto diagnóstico genético em embriões bovinos e ovinos; Wagner da Silveira Bezerra da UFG (Universidade Federal de Goiás), com o Portal Multimídia de Educomunicação; e Wilson Barros Luiz da USP, com o projeto em prol do melhor aproveitamento do etanol.

Ciência e Inovação

O Prêmio Santander de Ciência e Inovação agraciou com menções honrosas todos os projetos dos finalistas inscritos na regional São Paulo. O primeiro deles foi o do físico e doutor em Engenharia Mecânica, Artur de Souza Moret, que propõe a utilização do óleo de babaçu, derivado de uma palmeira comum no norte do país, como combustível para geração de energia elétrica em lugares isolados e de difícil acesso, além de servir como alternativa para o desenvolvimento de atividade econômica da população local.

"Com a casca do babaçu é possível fabricar papel; com o mesocarpo (parte entre a casca e o caroço) produzimos uma farinha rica em proteína que pode ser consumida como mistura; usamos o coco para substituir a lenha e o carvão; e da amêndoa, extraímos o óleo, que pode ser usado como combustível para a geração de energia, para a fabricação de sabonete e ainda comercializá-lo para a indústria de cosméticos", destacou.

Em sua opinião, o prêmio servirá de combustível para levar adiante o projeto de pesquisa que ainda está em fase inicial, especialmente numa região carente de recursos. "Qualquer projeto de pesquisa que proponha uma intervenção fora do eixo sul-sudeste carece de recursos. Uma iniciativa como a dos prêmios Santander, sem dúvida, poderá mudar essa realidade", disse.

O engenheiro químico, também da Unicamp, instituição que classificou quatro dos seis trabalhos finalistas do Prêmio de Ciência e Inovação, Eduardo José de Arruda, se destacou por criar um projeto que prevê o controle da larva do mosquito da dengue, doença que ainda não foi erradicada no país.

A idéia do pesquisador prevê a criação de um dispositivo para ser colocado nos criadouros (locais em que o ãdes ãgypti deposita seus ovos), que liberará íons metálicos. Resultado: a morte de aproximadamente 90% das larvas, além de impedir os ovos do mosquito de eclodirem. "O método quer tornar mais eficiente e menos tóxico o controle do mosquito, para prevenir surtos epidêmicos e diminuir a incidência da dengue, o que gera economia de recursos tanto para o controle quanto para o tratamento da doença", explicou.

O doutor em Neuroquímica da USP e professor titular da Farmacologia da universidade, Antonio Carlos Martins de Camargo, foi homenageado por ter desenvolvido um tratamento alternativo à hipertensão na gravidez com medicamento à base do veneno de jararaca. O projeto, inusitado para alguns, já gerou uma patente no Brasil e nos Estados Unidos, por seu caráter inédito e promete ser uma alternativa avançada no tratamento da pré-eclâmpsia.

"Neste processo, os vasos sanguíneos da mãe se contrãm, o que diminui o fluxo de sangue para o feto. Encontramos uma substância no veneno da cobra capaz de atuar diretamente nas artérias, por mecanismo ainda não utilizado pelas drogas existentes, relaxando-as e podendo manter a pressão arterial controlada", explicou. Os créditos da pesquisa, o doutor credita também aos pesquisadores de seu grupo: Claudiana Lameu e Juliano Guerreiro. "Sem eles, esse projeto não teria saído do papel", destacou.

Por fim e, de novo, da Unicamp, merece destaque o projeto do pesquisador Eduardo Galembeck, que desenvolveu um jogo on-line para ser usado por alunos do Ensino Médio. Neles, os estudantes podem participar simultaneamente de um jogo que abordará o conteúdo de várias disciplinas de forma integrada. De acordo com o biólogo e doutor em Bioquímica, deverá ser o primeiro jogo multiusuário on-line de estratégia com enfoque pedagógico baseado na aprendizagem colaborativa e na resolução de problemas.

"O objetivo do projeto é unir diversão e aprendizado. Entre os principais benefícios está o desenvolvimento de raciocínio lógico e da habilidade de trabalhar em equipe. Além disso, o jogo ajudará na compreensão das matérias dadas em aula e estimulará o aluno a aplicar esses conhecimentos na resolução dos problemas propostos", afirmou.

Também estão entre os finalistas do Prêmio de Ciência e Inovação os projetos de Eugênio Akihiro Nassu da USP, com um sistema de mudança de códigos de banco de dados sem alterar seu funcionamento e Erich Vinícius de Paula da Unicamp, com sua terapia para evitar infecções generalizadas. A final nacional dos prêmios Santander Empreendedorismo e de Ciência e Inovação será realizada em Brasília, no próximo dia 29 de novembro.

Clique nas imagens abaixo

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.