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À espera da grande final

      

Por Renato Marques, do Rio de Janeiro

Terminou na noite desta quarta-feira, 31 de outubro, a etapa regional dos Prêmios Santander. Em cerimônia realizada no Rio de Janeiro, foram anunciados os oito finalistas regionais dos Prêmios Santander de Empreendedorismo e Ciência e Inovação que completam a lista dos 38 que seguem na disputa pela premiação. Agora, com todos os participantes devidamente anunciados e homenageados, é hora de preparação para a grande final, quando serão revelados os sete vencedores. Nesta última cerimônia, sobrou emoção para os finalistas e, também, muita expectativa para a nova etapa da competição.

"A sensação, neste momento, é muito boa. Acredito que conseguimos marcar o espaço do Prêmio Santander nas regiões, que era o que buscávamos, tanto nas universidades como junto ao empresariado", afirmou Alina Côrrea, diretora-geral do Universia, após a última das cerimônias regionais. "Agora, vamos ter uma dificuldade enorme - pobre comissão julgadora! Com tantos projetos bons, vai ser super-complicado decidir os vencedores. Serão 38 finalistas concorrendo para sete vagas, é uma grande expectativa."

Como nas cerimônias anteriores, o alto nível e a relevância dos projetos foram destacados por reitores e empresários presentes. ·s portas da grande decisão, no entanto, todos fizeram questão de destacar a importância de que estas iniciativas não se restrinjam à disputa do Prêmio, mas que se tornem grandes empreendimentos e ganhem a merecida atenção da sociedade.

"Que os finalistas não sejam apenas premiados. Que sejam empurrados a realmente realizar o projeto que empreenderam e que os projetos não sejam apenas projetos, e sim uma realidade. E que tenham um compromisso com a sociedade", afirmou o reitor da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Padre Jesus Hortal.

Setor produtivo atento

Um tema relevante na última cerimônia regional dos Prêmios Santander de Ciência e Inovação e Empreendedorismo foi a relevância que os projetos têm ganhado junto ao setor produtivo. E a observação não veio apenas dos finalistas, que contam com essa relevância para o futuro de seus trabalhos, mas também dos próprios empresários, que admitem olhar com atenção a estas iniciativas - até mesmo para encontrar negócios que mereçam apoio.

"Acho que nesta cerimônia ficou muito claro que o empresariado tem interesse nesta iniciativa e até fica desconcertado por esse projeto ter partido de um banco multinacional. O que é muito legal. Isso só faz com que os prêmios fiquem mais valorizados e marcados para as pessoas", comentou a diretora-geral do Universia Brasil, Alina Correa.

Tradicionalmente, projetos de universitários - e mesmo de pesquisadores, em muitos casos - têm dificuldade de sair da instituição e ir para o setor produtivo. Ao mesmo tempo, este, mesmo que tenha em mente destinar seus recursos para estas revelações, não consegue penetrar no sistema de Ensino Superior para garimpar boas iniciativas.

Para o presidente da Gávea Angels, Ernesto Weber, entidade que reúne os chamados investidores-anjos, o prêmio Santander tem o papel de relevar potenciais negócios para empresários e investidores.

"Claramente, uma das dificuldades que temos como investidores-anjos é ter acesso a projetos interessantes. Entendo que esse trabalho do Santander realmente amplia o número de projetos na vitrine", explicou Weber. "Dessa forma, temos uma série de jovens empreendedores que apresentam projetos que, para nós, que fazemos parte do início da cadeia, são muito interessantes."

A força das mulheres

Se nas cerimônias anteriores as mulheres eram minoria, na Região Verde, que reúne os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, interior do estado de São Paulo e toda a região Nordeste, elas dividiram a cena com os homens. Quatro mulheres se classificaram entre os oito finalistas da região - todas com menção honrosa da comissão julgadora. Ao final da cerimônia, Patricia Valente da Silva, classificada como finalista na categoria Biotecnologia do Prêmio Santander de Ciência e Inovação, mal podia acreditar que estava entre os selecionados para a grande final.

"? inacreditável! Pra mim é uma honra ter sido selecionada, vou ficar muito conhecida na minha universidade e, profissionalmente, acredito que essa classificação vai abrir muitas portas", comemorou. Patricia, que se inscreveu com a pesquisa para desenvolvimento de um novo agente antifúngico de amplo espectro de ação baseado em toxinas killer de leveduras, explicou que, neste momento, sua pesquisa já será beneficiada pela repercussão do Prêmio. Não apenas pelos recursos que ainda podem chegar na final, mas principalmente pelo respaldo que a pesquisadora ganha nas negociações de patrocínio.

"Pensando na questão de visibilidade, o que aconteceu até agora já foi muito bom. Ser finalista e ter recebido menção honrosa com o projeto já é um certificado de qualidade que me dá condições de sair em busca de financiamento como um dos melhores projetos do país", explicou. "Se eu conseguir ganhar, o que vai me favorecer é o financiamento. Porque é uma pesquisa que, nesse momento, não tem financiamento. Tenho a idéia, tenho as leveduras, testei, sei que elas têm potencial para dar resultado, mas não tenho verba pra continuar o projeto. E é um bom projeto."

Ganhar respaldo com o prêmio também é a meta da professora e pesquisadora Leda dos Reis Castilho, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também finalista na categoria Biotecnologia do Prêmio Santander de Ciência e Inovação. Coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares da instituição desde 2003, ela concorre com o projeto Expressão, Produção e Purificação de Biofármacos Obtidos através do Cultivo de Células Animais. Segundo Leda, sua pesquisa visa ampliar a produção de biofármacos no Brasil, um tema pouco explorado pelos pesquisadores e que custa R$ 1,5 bilhão aos cofres nacionais por ano com importação.

"Há poucos grupos trabalhando nessa área de biofármacos no Brasil, embora seja uma área importante para o país. Desenvolver uma tecnologia nacional para isso pode resultar em um grande benefício no que diz respeito à economia de verbas públicas. Além disso, com tecnologias mais eficientes conseguiremos baratear o custo e promover maior acesso a esses fármacos modernos para a população de menor renda", disse a pesquisadora.

O uso de mídias na Educação é o eixo do projeto Espaço Midiar, finalista da categoria Cultura Educação do Prêmio Santander de Empreendedorismo. "? um projeto que visa o trabalho da mídia na educação. Não só nas escolas públicas, mas também nas privadas. E isso será feito com o foco no professor. A intenção é capacitar os docentes pra trabalhar as mídias com os alunos", explicou uma das autoras do projeto Andreia Ernesto. "Queremos transformar os professores em multiplicadores do uso destas ferramentas."

Para Fabiana, ganhar o Prêmio Santander é o impulso que falta para que o seu projeto saia do papel. "Acredito que teremos benefícios em duas frentes. Nosso projeto ainda não foi aplicado, então o investimento inicial terá um papel relevante. Porque fará com que o Espaço Midiar aconteça de verdade. E a visibilidade vai ajudar pra que ele tenha um desenvolvimento sustentável pra durar muito tempo", afirmou. "E acredito que para minha faculdade também, porque a pedagogia não é uma área que participa de projetos dessa natureza. Então, fico feliz de levar essa repercussão para a PUC-Rio."

Além de Andreia, Fabiana Pimentel Santos, da UCSal (Universidade Católica de Salvador), também está classificada como finalista da categoria Cultura Educação do Prêmio Santander de Empreendedorismo. Fabiana disputa a premiação com o projeto Salvador - Roteiros Históricos.

Retorno para a sociedade

Uma das novidades implantadas nos Prêmios Santander desse ano é o fator "Responsabilidade Social". Isso porque responsabilidade social deixou de ser uma categoria para se tornar um direcionamento obrigatório em todos os projetos. Alguns dos projetos, em especial, já mostram, em sua raiz, essa preocupação. ? o caso, por exemplo, do MagLeve Cobra, classificado, com Menção Honrosa, como finalista regional na categoria Indústria do Prêmio de Ciência e Inovação.

O projeto, coordenado pelo professor Richard Stephan, da UFRJ, prevê a criação de um trem de levitação magnética. Fazendo uso da tecnologia de supercondutores, o projeto transitaria em velocidade média de 70 km/h, flutuando próximo ao chão e sem provocar o ruído que resulta do contato entre rodas e trilhos - típico dos trens tradicionais. De acordo com Stephan, o projeto tem forte impacto social, pois custa apenas 30% do valor de construção do metrô, o que permitiria a ampliação das malhas de transporte público e facilitaria o acesso à população.

"Acredito que é um projeto com fortes potencialidades ecológicas, econômicas, políticas e sociais, porque envolve uma questão extremamente relevante, que é o transporte dentro das cidades", afirmou. "No momento, precisamos de R$ 4,7 milhões pra mostrar que o sistema, que testamos em modelo reduzido, funciona em escala real. Acredito que o Prêmio Santander vai mostrar às empresas que o que estamos propondo é algo de muito sério e que pode ter um retorno social, ecológico, energético e também financeiro muito significativo."

Na grande final, Stephan terá a concorrência de Demercil de Souza Oliveira Junior, professor da UFC (Universidade Federal do Ceará), também classificado na categoria Indústria do Prêmio de Ciência e Inovação. Autor do projeto Sistema Eólico para Interligação à Rede Elétrica, Demercil aposta no desenvolvimento do seu projeto para reduzir significativamente as tarifas da energia para o usuário final, além de propor alternativas energéticas para o país, um problema constante no que diz respeito à nossa infra-estrutura.

"Com o desenvolvimento do projeto, há a possibilidade de reduzir contas para o consumidor, onde houver ventos adequados disponíveis. E, também, cada vez mais desenvolver tecnologias para geradores eólicos de grande porte, já que o Brasil não domina essa tecnologia", explicou. Segundo Oliveira Junior, classificado com Menção Honrosa, já tem sido possível notar a repercussão do Prêmio no seu dia-a-dia. "Tenho percebido uma valorização do meu trabalho e mais alunos têm me procurado. Isso é o melhor, não tem preço."

Projetos "prontos" para o mercado

Outro destaque também entre os prêmios classificados para a grande final dos Prêmios Santander é a aplicabilidade comercial dos projetos. No caso do software Lex, por exemplo,vencer o Prêmio Santander pode ser o impulso definitivo para o lançamento. Classificado com menção honrosa como finalista na categoria Tecnologia da Informação e Comunicação do Prêmio Santander de Empreendedorismo, o projeto já tem até uma versão de demonstração em testes, esperando apenas pelo financiamento.

"O projeto é um jogo educacional que usa palavras cruzadas pra aprimorar o vocabulário dos jogadores. E pode ser usado tanto em casa como nas escolas, pelos alunos", explica Luiz Manoel Gerosa, já "experiente" no Prêmio Santander (no ano passado, também chegou à final com um software educativo). "Esse incentivo vai ser importante porque queremos adaptar o modelo educacional das escolas. Hoje ele usa um modelo mais comercial, pensando no consumidor final. E queríamos adaptar, por exemplo, pra rodar em Linux, que é um sistema operacional comum em escolas públicas."

Outro caso de produto "pronto" para ir ao mercado é o Sistema 2tech-Consig, desenvolvido por Vinicius Rangel, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O projeto, um software para gestão de crédito consignado, já está em fase piloto, sendo testado por oito empresas.

"Nosso projeto já funciona, ele já existe como um projeto piloto e já faz parte da operação de empresas. A idéia foi buscar no mercado um processo falho, somar tecnologia a esse processo e dividir os resultados", explicou Renan Maldonado, também aluno da UERJ e integrante da equipe que desenvolveu o software. Para Vinicius, ganhar o prêmio será um passo definitivo na definição de suas carreiras.

"? um sentimento de realização muito grande. Somo universitários e o sistema de Ensino Superior nos direciona para ser servidor público ou seguir uma carreira multinacional. Mas nós fizemos uma opção diferente, que é encarar o empreendedorismo como carreira", explicou Rangel. "Vamos tentar montar o nosso negócio, crescer. Depois de um ano trabalhando nessa direção, já conseguimos um reconhecimento no Prêmio Santander. ? uma indicação que vale a pena investir no seu negócio, no Brasil, ainda como universitário."

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