text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Unesp: Estudo aponta erro de políticas de ensino de matemática

      

Para professor, descontinuidade de projetos prejudica formação

"A falta de projetos contínuos pode ser considerado um dos principais obstáculos para uma formação mais consistente de professores dessa área." A conclusão é do professor Antonio Vicente Marafioti Garnica, do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências, câmpus de Bauru. Ele é o criador e coordenador do Grupo de Pesquisa História Oral e Educação Matemática (Ghoem), que busca compreender as consequências das políticas públicas iniciadas no início do século passado e, ao mesmo tempo, obter subsídios para interferir nessa questão.

Após onze anos de trabalho e cerca de duzentas entrevistas realizadas, o professor chegou à conclusão de que a formação desses profissionais, ao longo dos anos, repete uma trajetória de carências, sempre ditada pela urgência. De forma geral, parte-se da constatação da necessidade de profissionais em relação à demanda. O poder público desenvolve, então, programas emergenciais sem continuidade.

Garnica cita como exemplo a criação da Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Superior (Cades), na década de 1950, para formar, em ritmo acelerado, professores já em exercício para lecionar nas escolas secundárias recém-criadas na época. "Esses professores tinham cursos de um mês, durante o período de férias, e conseguiam um documento que os habilitavam a atuar nas escolas até que fosse criada alguma faculdade na região em que atuavam."

No Maranhão, por exemplo, as universidades de São Luiz enviavam seus professores para formar educadores em cursos de licenciatura emergenciais no interior do Estado - cursos com aulas
concentradas, em curtos períodos de atividade. "Isso até hoje acontece em vários estados."

Para o estudioso, essa forma de ?projeto educacional? deixa lacunas que se perpetuam porque o processo não comporta correções. O coordenador do Ghoem lembra uma opinião comum entre os entrevistados ? antigos formadores de professores: em algumas regiões do país, as avaliações dos cursos emergenciais, como os cursos de formação de professores de curta duração, não podem ser profundas para evitar repetências em programas que já cumpriram sua programação e foram encerrados. "A história está nos indicando as negligências governamentais", enfatiza o pesquisador.

Recuperação de acervos

Como ponto inicial para uma historiografia da Educação Matemática brasileira, o Ghoem adotou a História Oral como metodologia. Além disso, segue uma proposta de descentralização nos estudos: em lugar de escolher um centro de pesquisa tradicional ? grandes cidades, grandes instituições e grandes acervos disponíveis ?, o Ghoem busca as periferias e, entre suas fontes, além das entrevistas, estão os arquivos de antigas escolas.

"Levantamos muito material nos extintos Grupos Escolares, cujos prédios atualmente são ocupados pelas escolas municipais". Os cerca de 30 membros do grupo já mapearam aspectos da formação de professores nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Goiás. Outros estudos estão em andamento também em Tocantins, Maranhão e na Paraíba.

Com apoio financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a produção do grupo tem sido intensa, lembra o professor de Bauru. Atualmente os mapeamentos envolvem duas frentes relativas à recuperação de acervos.

Em parceria com os municípios, uma das propostas busca recuperar os acervos dos Grupos Escolares para que fiquem à disposição de pesquisadores. "Este trabalho já foi realizado em Pederneiras, município próximo a Bauru, onde foram recuperados cerca de 1,5 mil documentos", diz.

A outra frente de ação do Ghoem é a constituição de um acervo com livros de matemática e materiais didáticos utilizados no passado. Em uma sala no prédio da FC já estão disponíveis e catalogados 1,2 mil livros. O mais antigo data do século XVII.

"Nosso projeto é ambicioso, pois compreender a formação de professores de Matemática implica resgatar e analisar fontes, materiais usados nas escolas, como livros, cadernos e atas", comenta Garnica. ? um esforço contínuo e constante, ao contrário do que ocorre com as políticas públicas para o setor, como observa o professor.

Fonte: Unesp

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.