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Unesp: Pesquisadores avaliam transposição do São Francisco

      

Equipe de Presidente Prudente percorreu 8,5 mil km de sertão

O professorAntônio Thomaz Júnior, daFaculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), câmpus de Presidente Prudente, coordenou uma pesquisa que levou 67 alunos de geografia a percorrer 8,5 mil km de sertão, de 3 a 18 de outubro. Eles estudaram o acesso e o controle das águas transpostas dos rios São Francisco e Jaguaribe, nos estados de Pernambuco e Ceará. Os futurosgeógrafos conheceram a amplitude das obras de transposição de águas e como funcionam as construções de açudes, adutoras e canais secundários.

Para realizar a viagem, eles foram divididos em equipes. Alguns se ocuparam da logística, isto é, contatos, alojamentos, tempo na estrada e paradas durante o trajeto. Um outro time cuidou da limpeza e da alimentação, enquanto os demais participantes se ocuparam das atividades operacionais: filmagens, entrevistas, fotografias e tomadas de coordenadas pelo aparelho GPS.

"Nossas atenções se voltam, em particular, ao acesso privilegiado aos recursos hídricos pelos grandes grupos empresariais nacionais e estrangeiros, dedicados ao cultivo e processamento de frutas para exportação", afirma Thomaz Júnior. A consolidação desses privilégios foi testemunhada no açude Castanhão. A estrutura inundou a cidade de Jaguaribare(CE), que foi deslocada e passou a se chamar Nova Jaguaribara. "O açude fica ao lado do município, mas é vigiado por câmeras, impedindo que os cidadãos possam utilizá-lo para pesca, lazer ou irrigação, como faziam antes", explica ?rica Liberato, integrante da equipe.

Situação parecida é enfrentada pelos moradores de uma Vila Produtiva Rural criada para receber os reassentados da cidade de Cabróbo (PE) que foi alagada. "O conforto de ter água na torneira não disfarça o descontentamento da população em ter que pagar por um recurso que, antes, era gratuito", diz o estudante Gilmar Soares, que participou dos trabalhos. A cobrança é um meio de garantir o uso racional e de gerar recursos para investimentos no setor, informa a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH).

Resistência

A distânciados açudes fez com que famílias tivessem dificuldades para dar continuidade a atividades agrícolas. Muitas foram obrigadas a arrendar terras aos que têm mais recursos, e outras tentam driblar a fiscalização para pegar água de graça nos canais. "As obras de transposição seriam positivas se a água fosse para quem precisa, inclusive, se estendendo mais ao norte do Ceará", opina Soares.

Há conflitos em torno da desapropriação das terras do perímetro irrigado de Tabuleiro de Russas (CE). Os estudantes ouviram da população reclamações quanto à demora nos processos de indenização e das condições insatisfatórias das terras oferecidas. Movimentos de resistência também foram observados em municípios que ainda serão alagados e realocados. Relatos de moradores que foram pegos de surpresa pela inundação indicam ausência de diálogo entre o poder público e o povo. Segundo a SRH, em algumas localidades os donos das áreas resistem às negociações. Os pesquisadores constataram ainda que muitas pessoas perderam a identidade territorial e apresentam dificuldades em lidar com os vizinhos no novo espaço.

Já na Região Metropolitana de Fortaleza (CE) a expectativa é de melhora da infra-estrutura hídrica. As obras do Canal da Integração devem garantir o abastecimento na capital por 30 anos, segundo estimativas do governo estadual.

Impacto social

As grandes plantações de frutas que se estendem pelas regiões de Limoeiro do Norte e Tabuleiro de Russas (CE) são controladas por agroindústrias. Sem possibilidade de competir com os grandes produtores, os lavradores locais tiveram que passar a produzir para essas empresas e dentro do que elas determinam, perdendo a autonomia sobre suas roças. "Alguns entrevistados chegaram a dizer que nem sequer comem os frutos cultivados e que toda a produção é exportada", relata ?rica.

O porto do município cearense de Pecém foi construído em 2002 para viabilizar a exportação dessas frutas. A estrutura, que está sendo ampliada, também permitirá a instalação de complexos siderúrgicos e petroleiros. Os habitantes que viviam da pesca agora têm a oportunidade de desenvolver outras atividades econômicas, como a prestação de serviços. Em consequência, a perturbação do ambiente marinho prejudicou a atividade pesqueira, e a exploração sexual já é um dos principais problemas sociais.

AA viagem para o Nordeste foi financiada por verbas da Universidade e também por meio de rifas, venda de camisetas e ingressos para festas organizadas por universitários, além da doação de dinheiro e de alimentos. No dia 9 de dezembro, às 19h, o grupo fará, no auditório da FCT, um balanço da jornada, com a apresentação de um relatório e de um documentário sobre as atividades.

Fonte: Unesp

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