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Dopping intelectual: alunos usam remédios para suportar maratona do vestibular

      
A menos de seis meses da maratona de prova dos principais vestibulares do País o ritmo de estudo ganha ainda mais velocidade.Qualquer brecha no tempo é dedicada aos livros, aos exercícios de matemática, português, química, biologia, história ou física. Não dá para dormir no ponto. E para dar conta do conteúdo programático de três anos em apenas 180 dias, muitos estudantes optam pelo Dopping Intelectual com o uso ilegal de remédios para tratamentos de Déficit de Atenção.

 

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Como é o caso do estudante de Campinas (SP), Pedro (nome fictício), 19 de anos, que dedica grande parte dos seus dias a missão de ingressar no curso de medicina. Embora ele reconheça que o remédio não aumente sua inteligência, enfatiza seu potencial no rendimento dos estudos. Com o remédio o aluno consegue estudar até 2h, mesmo acordando às 6h para frequentar as aulas do pré-vestibular. "Consigo ficar 'ligado' por muito mais tempo. Assim estudo mais e faço mais exercícios", relata ele.

 

É essa promessa de melhora nas capacidades de concentração e memorização, associadas à redução do cansaço e do sono, que tem induzido muitos estudantes, assim como Pedro, a recorrerem a substâncias como o metilfenidato (comercializada com o nome de Ritalina). O próprio efeito colateral do medicamento - a insônia - atrai os vestibulandos. E mesmo diante da restrição da comercialização do medicamento, as vendas do remédio cresceram 1.500% entre 2000 e 2008.

 

Mas os efeitos do consumo indevido do remédio destinado para pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), segundo o professor de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Henrique Ferreira Bertolucci, são ilusórios. "A substância é utilizada para recompor a alteração química no cérebro das pessoas com o transtorno. Se não há o déficit, as melhoras no rendimento são pequenas e algumas vezes até imperceptíveis", garante o médico.

 

Além de não alcançar o resultado desejado, o estudante pode ainda ser surpreendido com os efeitos colaterais. E ao invés da concentração, terá que se contentar com a sonolência, além da dor de cabeça, dor abdominal, náuseas e vômitos. O uso prolongado do remédio pode desencadear problemas ainda mais sérios como crises de ansiedade e stress profundo. "Em casos mais raros, pode induzir ou piorar tiques e até causar convulsões", acrescenta Bertolucci.

 

Diante de todos esses riscos, o Diretor Pedagógico do colégio Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, recomenda que os estudantes evitem tomar qualquer medicamento sem a prévia prescrição de um especialista. "Não dá para o aluno achar que vai superar seus concorrentes a partir do uso de substâncias, como o metilfenidato", ressalta. De acordo com ele, a medida pode causar prejuízos enormes e inviabilizar o principal sonho do estudante: o ingresso na universidade.

 

Recomendação que o estudante Thiago (nome fictício), 22 anos, vivenciou na pele. Ele afirma ter ficado entusiasmado com o uso do remédio no início. "Estudava bastante, tinha disposição para ir a baladas, fazer simulados e ir às aulas no dia seguinte", relata. Mas com o tempo, a disposição se transformou em irritação. "Ficava acordado, mas nenhuma atividade rendia", conta ele, que decidiu abandonar o uso do remédio, mas o cansaço mental e o stress acabaram dificultando seu ingresso no curso de Arquitetura.

 

Portanto, para conseguir dar conta da pressão do vestibular é preciso investir nos estudos, mas não descuidar da saúde. "Muito melhor do que tomar Ritalina é ter uma boa noite de sono", orienta Bertolucci.



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