Estude os livros obrigatórios da Fuvest e Unicamp 2013: Capitães da Areia, de Jorge Amado

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Capitães da Areia, de Jorge Amado, tem como tema principal a sociedade, em específico os garotos de rua. A obra mostra as diferenças de classe, a má distribuição de renda e os efeitos da marginalidade na vida de crianças e adolescentes. A obra foi publicada em 1937 e pertence à primeira fase do escritor.
A narrativa, de cunho documental e realista, aborda a crueldade da vida dos meninos de rua, a luta diária por alimento e dinheiro. As desigualdades sociais e o comportamento violento dos meninos são abordados como frutos da marginalização; da desonestidade, do egoísmo e do pouco caso das classes dominantes. Mas o livro também mostra a pureza das crianças.
Esses meninos se pegos, seriam enviados para o Reformatório de Menores, visto pela sociedade como um estabelecimento modelar para a criança em processo de regeneração, com trabalho, comida ótima e direito a lazer. No entanto, esta não era a opinião dos menores infratores. Sabendo que lá estariam sujeitos a todos os tipos de castigo, preferiam as agruras das ruas e da areia à falsa instituição.
Um dia, a cidade de Salvador teve uma epidemia de varíola. Como os pobres não tinham acesso à vacina, muitos morriam isolados no lazareto. Almiro, o primeiro do grupo a ser infectado, ali morreu. Já Boa-Vida teve outra sorte; saiu de lá, andando.
Quando roubavam um palacete de um ricaço na ladeira de São Bento, foram presos. Parte do grupo conseguiu fugir da delegacia, graças à intervenção de Bala que acabou sendo levado para o Reformatório. Ali sofreu muito, mas conseguiu fugir. Em liberdade, preparou-se para libertar Dora (que entrou para o bando tempos antes).
Um mês no Reformatório feminino foi o suficiente para acabar com a alegria e saúde da menina que, ardendo em febre, se encontrava na enfermaria. Após invadirem o reformatório, Pedro, Professor e Volta-Seca fugiram, levando Dora consigo. Não resistindo, ela morreu na manhã seguinte. Don’aninha embrulhou-a em uma toalha de renda branca e Querido-de-Deus levou-a em seu carro, jogando-a em alto mar. Dali pra frente, cada um seguiu seu rumo na vida.
Jorge Amado mostra como os meninos recebem a crueldade da sociedade e como agem com ela em resposta, mas também a pureza de criança de cada menino. Filho de um líder sindical, Pedro Bala fica órfão cedo e aprende a lidar com a realidade das ruas. Corajoso, torna-se o líder dos Capitães da Areia. Conhece os prazeres sexuais ainda jovem, tanto ele como os demais do grupo estupram as negrinhas nas ruas à noite e frequentam bordéis. Apesar disso, Pedro descobre o amor puro da adolescência com Dora, órfã cujos pais morrem da epidemia de varíola.
Dora torna-se sua noiva e integrante ativa do grupo, participando de todas as ações na companhia dos meninos. Em um dos roubos, os meninos são presos pela polícia. Num ato de coragem, Pedro Bala consegue distrair os policiais para que os amigos possam fugir. No entanto, ele e Dora são presos. O líder do bando vai para o reformatório, onde é torturado pela polícia; e Dora, para o orfanato, onde também sofre maus-tratos. Bala consegue fugir e resgata a namorada, que adoece pelo tratamento recebido. O casal vive uma noite de amor e Dora amanhece morta.
Tendo Dora como musa, como a mulher mais forte que já existiu na Bahia, Pedro Bala continua a luta diária, e encontra na luta sindical a esperança. Pedro representa o idealismo e a resistência.
O grupo possui ainda outros personagens importantes: o negro João Grande, bondoso e forte; o Professor, de grande potencial artístico e intelectual; Pirulito, místico e introvertido; o Gato, elegante e conquistador, típico malandro brasileiro; o Sem-Pernas, menino com deficiência, cuja revolta encobre a pureza e a bondade; Volta Seca, afilhado de Lampião.
Estreou na literatura em 1930, com a publicação da novela Lenita, escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Foi traduzido para 48 idiomas e dialetos. Teve também romances adaptados para o cinema, o teatro, o rádio e a televisão.