text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

“Acreditava-se que as obras naturalistas não eram apropriadas para as ‘mocinhas’ terem em casa”, diz professora

      
Fonte: Universia Brasil

Você sabia que o escritor Aluísio Azevedo foi responsável pela produção do primeiro romance naturalista do Brasil? Sua obra O Mulato, publicada em 1881, inaugurou o movimento literário no País. Além desse texto, O Cortiço, do mesmo autor, e Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, também tiveram grande destaque. Neste domingo (21) comemora-se o Dia do Naturalismo e, por isso, a Universia Brasil conversou com a professora de literatura do Cursinho Poliedro de São Paulo Rosana Sol sobre o assunto.

 

Você pode ler também:
» Quer escrever bons textos literários? Aprenda a diferença entre dizer e mostrar
» Professor: saiba como aumentar o interesse de seus alunos por literatura clássica
» Todas as notícias de Educação

 

Criado na França por Émile Zola com a publicação da obra Thérèse Raquin (1867), o Naturalismo surgiu em conjunto com o Realismo, outro movimento literário da época. Havia muitas questões que levaram ao aparecimento do primeiro movimento: do âmbito político, sendo que Marx e Engels lançaram o Manifesto Comunista em 1848, o grande progresso tecnológico e, principalmente, o surgimento de teorias cientificistas voltadas para a Medicina, a Genética e as patologias.

 

Segundo Rosana, essas teorias são fundamentais para começar a basear e entender o estilo naturalista. “Nós falamos que o romance naturalista é experimental, como se fosse um teste em laboratório. É como se as histórias criadas pelos escritores fizessem com que as teorias cientificistas fossem comprovadas. Tentavam provar que algumas atitudes do homem são pautadas pelo determinismo e evolucionismo”, comentou.

 

As duas principais teorias presentes nas obras são o evolucionismo e o determinismo. Para explicá-las, a professora disse que a primeira foi concebida na segunda metade do século XIX, época em que Darwin lançou a obra Origem das Espécies. “O foco é a teoria da seleção natural, pregando justamente a lei do mais forte, ou seja, a tentativa da depuração da espécie em razão de o mais forte sempre vencer o mais fraco”.

 

Já o determinismo defende que algo externo é necessário para determinar a vida do indivíduo. A docente explica: “segundo a teoria, o homem tem um comportamento que pode ser determinado pelo ambiente em que se encontra ou pelo fator hereditário, que pode ser a genética ou o momento histórico em que vive”.

 

Naturalismo no vestibular


Por ser um movimento literário de relevância, as chances de serem cobrados nos principais vestibulares são altas. A docente acredita que, como aconteceu em anos anteriores, questões podem ser criadas utilizando trechos de livros para falar sobre o naturalismo em si. “Há possibilidade de escolherem um trecho de O Cortiço, por exemplo, e perguntarem se há alguma característica que seja condizente com a estética naturalista. O aluno tem que perceber se há algo lá que comprove o determinismo ou o evolucionismo”, explicou.

 

É importante reforçar também a forma como os romances naturalistas eram escritos. “O narrador tende a ser impessoal, deixando a subjetividade de lado, com o objetivo de comprovar sua teoria. A linguagem normalmente é clara e objetiva, como seria a linguagem científica”, reforçou como uma informação de grande relevância para as provas. Por essas características textuais, Rosana acredita que a maior parte dos alunos tenha facilidade com os livros naturalistas, além de costumarem gostar do que leem.

 

Machado de Assis não se identificava com o movimento


O consagrado escritor brasileiro Machado de Assis jamais se identificaria com o Naturalismo, mesmo que pertencesse ao Realismo, movimento literário que conta com diversas semelhanças. O escritor não acreditava na força de situações externas para determinar a vida de uma pessoa. “Machado de Assis não gostava do Naturalismo, porque acreditava no livre arbítrio. Cada um pode escolher o próprio caminho, sendo certo ou errado”, explicou.

 

Além do escritor, a maior parte da sociedade da época não simpatizava com o movimento. “Acreditava-se que as obras naturalistas não eram apropriadas para as ‘mocinhas’ terem em casa, escancaradas nos móveis. Os assuntos chocavam a camada de leitores acostumada com o romance romântico”, explicou. Alguns tópicos recorrentes nas obras são a prostituição, o homossexualismo e a devassidão sexual.

 


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.