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Todo dia não é Dia da Mulher e é preciso ter consciência, diz professor

      
Fonte: Universia Brasil

“As datas comemorativas como o Dia da Consciência Negra e o Dia Internacional da Mulher são intensificadoras do preconceito?”. Segundo o sociólogo e professor do curso Poliedro Rodolfo Neves, esse discurso, muito comum entre os brasileiros, é bastante falacioso.

 

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O ponto fundamental desses dias de consciência é que eles chamam a atenção para um problema vigente. Seu objetivo é criar uma mobilização maior da mídia, das pessoas e dos educadores, para chamar atenção para essas causas”, explica. Para ele, acreditar que o Dia das Mulheres reforça o preconceito é um discurso de quem, na verdade, quer manter o preconceito vivo.

 

“Mas todo o dia deveria ser Dia da Mulher”. Sim, deveria! No entanto, segundo o sociólogo, isso, infelizmente, não acontece. “Temos que trabalhar com a realidade e, no mundo real, essas datas chamam a atenção para os problemas”, opina.

 

Onde estão as grandes mulheres da história?


Na Paris do século XIX, a jovem polonesa Marie Curie iniciava seus trabalhos científicos. Entre seus feitos está a descoberta da radioatividade, a criação de centros militares especializados nessa tecnologia e também dois prêmios Nobel, um de física, no ano de 1903, e outro de química, em 1911, tornando Marie a única pessoa a ser premiada duas vezes na história.

 

Mas, quanto se fala sobre a mulher que descobriu a radioatividade? Ela está nas salas de aula, como Isaac Newton, Charles Darwin e Albert Einstein? Qual outra grande cientista mulher é mencionada nas aulas de física ou química? Segundo Rodolfo, não há dúvida que a história a qual temos acesso na escola é patriarcal, colocando o homem como um ser que realiza grandes feitos e a mulher como alguém que apenas acompanha essa evolução.

 

“Quando falamos de pré-história, as funções dos homens e das mulheres são igualmente importantes e se complementam. As fêmeas cuidam da prole por questões biológicas e os machos vão à caça, também por questões biológicas. Não há uma hierarquia entre fêmea e macho. A hierarquia começa a surgir quando criamos o papel social do homem e o papel social da mulher”, explica o sociólogo, reforçando a ideia de que a ciência e a história ensinadas em sala de aula são, sim, machistas e patriarcais.

 

"Ninguém nasce mulher, torna-se mulher"


A citação a cima pertence à escritora francesa Simone de Beauvoir, que apareceu em uma das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015. Segundo Rodolfo, essa frase explica muito bem a questão do papel social feminino, imposto pela sociedade. “A mulher não nasce mulher, ela nasce fêmea, e deveria poder escolher se deseja assumir o papel social de homem ou de mulher. Isso quer dizer que ela tem tantos direitos quanto o sexo masculino”, explica Rodolfo.

 

O feminismo no Brasil


A partir da Constituição de 1988, em que constam os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prevê a igualdade de direitos, as mulheres ganharam a ferramenta necessária para exigir a equidade dos gêneros.

 

Após a criação das redes sociais, os grupos que lutavam por essa causa quebraram a barreira da distância e puderam somar forças, divulgar suas ideias e fortalecer seu discurso. “Quando as mulheres se sentem empoderadas, elas reagem no momento em que seus direitos fundamentais são negados. Se voltarmos 40, 50 anos no tempo, quando um homem cerceava o direito de uma mulher ela, provavelmente, não reagiria a isso. Hoje, ela tem consciência de que tem aparato social e jurídico para colocar isso em prática”, conta.

 


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