text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Livros Fuvest 2017: o que estudar sobre Vidas Secas

      
Fonte: Shutterstock
Neste ano, o vestibular da Fuvest terá algumas mudanças em sua lista de leituras obrigatórias para a prova. Alguns dos clássicos deixaram de fazer parte da relação de livros e deram lugar a outras importantes obras da literatura brasileira, portuguesa e também angolana. As edições dos próximos dois anos também trarão novidades.


Você pode ler também:
» Fuvest 2017: manual do candidato já está disponível
» 4 livros para todo estudante ter na estante
» Todas as notícias de Educação


Til, de José de Alencar, Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, saíram para dar lugar a três outras obras de leitura obrigatória.

Para o vestibular 2017, além de Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), O Cortiço (Aluísio Azevedo), A Cidade e as Serras (Eça de Queirós), Capitães da Areia (Jorge Amado) e Vidas Secas (Graciliano Ramos), que já estavam na lista de obras do último vestibular, os alunos deverão fazer a leitura de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, Sagarana, de João Guimarães Rosa, Iracema, de José de Alencar, e Mayombe, do escritor angolano Pepetela.

Pensando nas mudanças, a Universia Brasil entrevistou o professor de literatura João Luís Machado, do Sistema Poliedro. A seguir, confira as dicas do educador sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

O autor

Para Machado, Graciliano é um autor que reproduz um realismo mais denso, com forte caráter social e de denúncia. “ Por ser nordestino e ter visto e vivido de perto situações parecidas com as expostas em Vidas Secas, Graciliano tem um ‘know how’ fora de série para tratar do assunto”, opina o professor.

Segundo ele, as narrativas de Vidas Secas estão um pouco relacionadas com a própria história do autor e à morte de alguns de seus familiares, que influenciaram diretamente na obra.

Machado ainda destaca que o forte aspecto social do livro está ligado ao fato de Graciliano ter sido militante do partido comunista. “No final da segunda guerra, Graciliano ingressa no partido comunista e passa a estar vinculado, inclusive, a Luís Carlos Prestes (famoso militante e comunista brasileiro) ”, contextualiza.

A obra

“Vidas Secas é um verdadeiro retrato em branco preto. Tiramos as cores da cena, pois a vida é dura, a terra não é fértil, a estiagem se prolonga por semanas, meses e até por anos inteiros e faz com que essas famílias tentem até resistir ou sobreviver naquele contexto árido, mas que depois de um certo tempo tenham que migrar e desistir, pois as cabeças de gado morreram, não há mais galinhas, os bodes e as cabras estão muito magros”, descreve o professor do Poliedro.

Segundo ele, em um determinado momento, a família (Fabiano, Sinhá Vitória, menino mais novo, menino mais velho e a cadela baleia) não consegue mais achar meios para resistir à força da natureza. “É amargo, uma condição de dor, de abandono e infelicidade, que segrega aquelas pessoas e gera a marginalização social”.

Para o professor, a Fuvest cobrará a obra partindo justamente do enfoque da tristeza e da secura daquelas vidas sertanejas, que vivem uma luta diária contra as agressões do ambiente e da natureza.

Além disso, segundo Machado, quando os vestibulares cobram em uma mesma prova Capitães de Areia e Vidas Secas, é quase certeza que haverá uma comparação entre as obras. “A secura de Capitães de Areia é a falta de atendimento social para as crianças abandonadas. Em Vidas Secas é a inexistência de apoio para esses pequenos agricultores, que acabam sendo derrotados pela seca”, conclui.


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.