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“Não podemos esquecer que nem todo mundo tem acesso à internet”, diz professor sobre Enem ser online

      
“Não podemos esquecer que no Brasil nem todo mundo tem acesso à internet”, diz professor sobre possibilidade do Enem ser online
“Não podemos esquecer que no Brasil nem todo mundo tem acesso à internet”, diz professor sobre possibilidade do Enem ser online  |  Fonte: Universia Brasil

Após o anúncio da abertura de uma consulta pública sobre o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), feito nesta quarta-feira (18), pelo Ministério da Educação (MEC), uma série de questões e dúvidas atingiu estudantes e profissionais da educação. O coordenador do Colégio Poliedro em Campinas, Leandro Baldo, comenta algumas das propostas e fala dos possíveis impactos.

Apesar de a proposta oferecer mudanças estruturais consideráveis – como a sugestão da prova ser realizada em um único dia ou em fins de semana diferentes – Baldo acredita que, em questão de conteúdo, os estudantes não devem se preocupar. “O modo de preparação dos alunos continuaria da mesma forma, então, isso já traz uma tranquilidade, mas gera apreensão quando você muda o formato da prova”, explica.

O professor, no entanto, afirma que é preciso manter um padrão no formato para que resultados sejam alcançados e que se possa trabalhar um mesmo estilo com mais segurança. “Eu gostaria que, definido um determinado modelo, ele permanecesse. Agora estamos indo para dois, três anos de aplicação. É preciso que, se definido, ele [o modelo] permaneça por mais tempo”.

Entre as propostas mais polêmicas, está a da mudança da prova impressa para online, algo que, ao que tudo indica, tanto professores quanto o público não aprova. Em uma pesquisa informal feita pelo Twitter da Universia Brasil, 68% das pessoas não eram a favor da alternativa. Algo que Leandro concorda. “Não podemos esquecer que, no Brasil, que nem todo mundo tem acesso à internet, nem toda a escola tem acesso a um computador. Quando a gente pensa em um exame de nível nacional é justamente o acesso”, afirma.

Para ele, a segurança também é algo a se debater. Vale lembrar que, em 2016, um relatório da Polícia Federal chegou a afirmar que algumas provas do Enem e, inclusive, o tema da redação haviam vazado. “A questão da segurança é um ponto problemático. Pode até ser que tenham métodos de monitoramento durante o exame, mas é complicado”.

Sobre a prova deixar de ser uma certificação do Ensino Médio, o professor vê algo positivo. “Apenas 7,7% dos alunos que pediram a certificação conseguiram. Ou seja, a prova não está apta a servir de avaliação para o Ensino Médio. Continuar a usar como certificado ajuda uma parcela muito pequena, ela perde a sua essência”, diz.

RESULTADOS EM 2016

Após a avaliação de 2016 registrar queda nas médias gerais de ciências da natureza e humanas e ter menos estudantes – apenas 77 – com a nota máxima na redação e mais com zero, surgiram questionamentos sobre os resultados. Para Leandro, se trata de um reflexo do grau de dificuldade exigido na prova. “Apesar de o Inep negar, foi uma unanimidade entre os professores dizer que a prova estava com um nível acima dos anos anteriores. Há sim uma impressão de que aumentou o grau de dificuldade”.

Pouco após a liberação dos resultados, o Ministro da Educação, Mendonça Filho, em coletiva de imprensa, afirmou que o desempenho é um sinal de falhas da educação. “Reflete justamente aquilo que a gente tem colhido nos principais mecanismos de avaliação internacionais como o PISA que indicam que o desempenho da educação básica no Brasil estagnou”, afirmou.

O professor, no entanto, discorda. “Isso transporta a culpa para as escolas. O que pode acontecer [sobre a fala do ministro] é que já estão preparando uma justificativa para legitimar uma mudança no Ensino Médio, que estão querendo realizar”, diz. Para ele, as mudanças não devem transformar o conteúdo dos vestibulares. “Cada vez mais os vestibulares estão cobrando esse tipo de conteúdo [como filosofia e sociologia]. A própria Fuvest cobrou na redação. Acho que é um caminho sem volta e positivo”, conclui.

A fala de Leandro se refere à diluição de matérias como Filosofia e Sociologia em outras disciplinas e a sua obrigatoriedade com ressalvas, algo que deve ser implementado após a reforma do Ensino Médio, prevista para ocorrer ainda em 2017.

Saiba tudo sobre as mudanças no Enem e fique por dentro

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