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O que elas querem ser quando crescerem?

      
O que elas querem ser quando crescerem?
O que elas querem ser quando crescerem?  |  Fonte: Shutterstock
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

Na última quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) lançou uma campanha questionando a presença feminina em áreas como a ciência e a tecnologia. Utilizando o icônico jogo "Onde está o Wally?", a ONU Mulheres fez uma pergunta necessária: onde estão as cientistas? Isso leva a outro questionamento um pouco mais profundo: o que as nossas meninas querem ser quando crescerem? Será que elas estão mesmo tendo acesso a todas as opções possíveis?

Uma pesquisa feita pelo Guia da Carreira a partir de dados coletados pelo Censo da Educação Superior 2015, publicado pelo Inep, revelou que gênero ainda é um fator determinante na hora da escolha profissional. Enquanto homens têm predileção por Exatas, as mulheres tendem a focar em áreas como Educação e Saúde. Entre os dez cursos universitários com mais matrículas feitas por mulheres estão Pedagogia, Enfermagem, Serviço Social e Arquitetura.

Não há absolutamente nada errado em uma menina sonhar em ser enfermeira ou pedagoga. O problema não está nas profissões nas quais já temos grande representatividade, mas nas que ainda não temos. Pois, a principal questão é: será que tantas meninas optam pela mesma área por realmente gostarem ou simplesmente porque aquela foi a única em que viram mulheres atuando, que sentiram as portas abertas? Até que ponto se trata apenas de identificação e paixão e não falta de acesso a outras opções?

Esse é um ponto que eu já abordei no Sobre Elas e possivelmente continuarei abordando. Apesar do debate e do resgate de mulheres importantes na história, principalmente em áreas como a ciência, a tecnologia e a inovação, quando buscamos exemplos bem-sucedidos, ainda são homens que ganham mais notoriedade. Aí mora o começo de tudo, afinal, sentir-se representada em determinado ambiente pode fazer toda a diferença para a escolha profissional de uma criança.

Até pouco tempo atrás, era comum brinquedos como blocos de montar e que utilizavam mais o raciocínio lógico serem vistos como "de menino". Ainda hoje, quando toda a temática dos estereótipos de gênero está sendo questionada e desconstruída, é comum encontrar tal divisão. Tendemos a achar que a escolha de uma profissão se inicia no ensino médio, perto do vestibular, mas a inclinação para determinado campo depende muito do incentivo e estímulo, e isso começa na infância. Não significa, é claro, que ao dar bloquinhos para meninas teremos mais engenheiras, mas sim que estamos mostrando a elas que essa opção também existe, é a chance de experimentar, testar e ver se gosta. Algo que as nossas meninas acabam sendo impedidas de fazer.

Eu já mencionei anteriormente que uma pesquisa feita recentemente pela New York University mostrou que meninas de seis anos associam brilhantismo e dom como traços masculinos. Trago-a novamente nesse texto para reforçar que, de acordo com os cientistas, tal fator faz com que, por acreditarem que tais habilidades são exclusivamente masculinas, as meninas se afastam de determinadas possibilidades profissionais, reduzindo o número de mulheres nas mesmas.

A importância de mostrar às meninas que mulheres estão sim presentes em áreas que tendemos a acreditar que não, chegou a uma das mais tradicionais e famosas marcas de brinquedos do mundo, a Lego. Após a grande repercussão de Estrelas Além do Tempo, filme que narra a trajetória de três cientistas negras que com seu trabalho possibilitaram a exploração da Lua, a marca decidiu lançar uma linha chamada "Mulheres da NASA", com figuras que foram fundamentais para a história da agência. Até mesmo a Barbie recentemente ampliou a sua linha de bonecas sobre profissões e incluiu, por exemplo, uma desenvolvedora de jogos em sua gama de opções.

Por mais que ainda exista relutância em aceitar tal fato, a representatividade faz toda a diferença. Ver alguém semelhante a você obtendo sucesso e "voando alto" desperta algo extremamente poderoso, a inspiração. Um bloco de montar ou uma boneca podem não formar uma futura cientista, mas sua ausência claramente não traz ganho algum.


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