text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

SALDO POSITIVO - Como fazer o melhor uso do cartão de crédito?

      
SALDO POSITIVO - Como fazer o melhor uso do cartão de crédito?
SALDO POSITIVO - Como fazer o melhor uso do cartão de crédito?  |  Fonte: Shutterstock
Andy de Santis - Universia Brasil

Andy de Santis

É educadora e consultora financeira. Andy comanda a série Saldo Positivo. Acompanhe!

Se tem um assunto ligado às finanças que gera muita dúvida é o uso do cartão de crédito. Todo mundo conhece alguém que já tenha se enrolado com ele, não é mesmo? Pois é, ao mesmo tempo em que pode ser um aliado, se mal utilizado, ele também pode tornar-se uma armadilha para seu bolso. Por isso, vale a pena conhecer bem como ele funciona.

Um cartão de crédito tem, basicamente, duas funções: substituir o dinheiro vivo na hora de fazer compras e adiar o valor a ser pago para a data de vencimento da fatura – que pode ser programada de acordo com sua realidade. Muitas pessoas, no entanto, interpretam o cartão como uma renda extra – e não é bem assim que funciona.

Realmente, com um cartão de crédito conseguimos adquirir bens mais caros do que nosso orçamento, pois podemos parcelar a compra. Mas será que estamos prontos para arcar com esse custo nos próximos meses? A facilidade de antecipar sua satisfação (a compra) e adiar a frustração (o pagamento) é uma tentação e tanto!

Por isso, quem usa cartão de crédito precisa criar um planejamento financeiro para não se enrolar com as dívidas. Sem um controle de gastos, você acabará sendo surpreendido por um valor que não estava esperando: é aí que surge o problema.

Gastei mais do que devia no cartão: E agora?

Quando a fatura chega e você não tem dinheiro para arcar com o pagamento integral, o Banco lhe oferece duas opções: pagar o mínimo do valor (cerca de 20%) ou parcelar o saldo devedor. Especialmente no primeiro caso, você pode acabar pagando juros altíssimos nos próximos meses, multiplicando o valor inicial – e aumentando sua dívida.

Como funciona o pagamento mínimo da fatura

Por mais que pareça, não é bom negócio pagar o mínimo. Vamos fazer uma simulação simples com uma fatura de R$ 500 para você entender como funciona.

Se você pagar o mínimo de R$ 100 na fatura do primeiro mês, ficará devendo R$ 400 para o mês seguinte. Este saldo é chamado de crédito rotativo, ou seja, você contrata um empréstimo para adiar o pagamento. Portanto, como todo empréstimo, o banco vai lhe cobrar juros sobre esse valor.

De acordo com o Banco Central, a média de juros do rotativo de fevereiro/2017 foi de 14,35% ao mês. Ou seja, de R$ 400,00 sua dívida pulou para R$ 457,40. Como você já pagou R$ 100, o total pago será de R$ 557,40 pelos R$ 500 em compras.

Até o março de 2017, você poderia continuar pagando o mínimo e a dívida continuaria crescendo. Para se ter uma ideia, usando o rotativo, e sem fazer nenhuma compra nova, você levaria 8 meses e iria desembolsar um total de R$ 737,92¹ para quitar aquelas comprinhas de R$ 500 feitas lá no começo. Bom negócio? Hummm... só que não!

Novas regras para o uso do crédito rotativo

A partir de 03/abril, essa regra mudou. Pagando o mínimo uma vez, no mês seguinte você não tem mais o direito de rolar a dívida pelo crédito rotativo.

Só terá seu pagamento mínimo liberado depois de quitar essa dívida. E você terá duas opções para isso: ou paga o valor total (fortemente recomendado!!!), ou parcela o saldo devedor da fatura. Com juros, é claro! Afinal, parcelamento também é um tipo de empréstimo.

Novamente, vamos usar o exemplo acima para demonstrar como ficaria esse cálculo: digamos que você tenha pago o valor mínimo de R$ 100 no primeiro mês e seu saldo seja de R$ 400. Então, você tem duas opções: ou paga o total de R$ 457,40 ou parcela essa dívida. Geralmente, o Banco já lhe trará algumas propostas de parcelamento. Mais uma vez, optar pela parcela mais barata pode não ser um bom negócio. Quer ver?

Veja o quadro abaixo com uma simulação² do valor acima parcelado em 12, 18 ou 24 parcelas, a uma taxa de juros de 7,90% ao mês (a média do parcelado em fev/2017):



Saldo devedorNúmero de parcelasValor da parcelaValor total a ser pago
R$ 469,4012R$ 60,38R$ 724,56
R$ 469,4018R$ 48,47R$ 872,46
R$ 469,4024R$ 43,08R$ 1.033,92


Lembra que você já pagou R$ 100 do mínimo no primeiro mês? Portanto, pelos R$ 500 em compras, você pode chegar a pagar cerca mais que o dobro! Não seria melhor ter pago à vista?

Se atrasar o pagamento da fatura a partir de um dia, você ainda terá multa por atraso de até 2% ao mês, mais o chamado “juros de mora”, de até 1% ao mês. Isso sem contar o IOF, que é o imposto que o governo cobra sobre todas as operações de crédito.

Tudo isso sem fazer uma única compra nova no seu cartão de crédito!

É preciso tomar cuidado

Uma dívida de cartão de crédito pode sim tornar-se impagável. E acredite: muitos jovens estão afundados em dívidas, pois não souberam utilizar seu cartão.

Como dito antes, planejar-se é fundamental. Todo mês, procure fazer um planejamento financeiro relacionando seu salário com os gastos que poderá ter durante aquele período. Separe o que será necessário para o dia a dia, poupe para o futuro, e analise quanto poderá pagar em sua fatura do cartão de crédito. Estabelecer um limite de gastos é essencial – e faz toda a diferença.

O banco disponibiliza, no momento em que o cliente desejar, um extrato da conta e uma prévia do valor da próxima fatura, facilitando o controle. Sugiro que, semanalmente, você acesse os dois documentos para verificar se tudo está correndo como o esperado.

Procure não ultrapassar 30% do seu salário em compras no cartão. Faça projeções para verificar se é o momento certo de fazer uma compra. Às vezes, esperar por alguns meses pode evitar grandes problemas com endividamento. Tudo é questão de analisar o cenário.

Outra dica valiosa é: não tenha muitos cartões de crédito – especialmente os oferecidos por lojas de departamento. Quando mais possibilidades você tiver, mais difícil será de controlar os gastos – e, consequentemente, as dívidas.

1. Cálculos feitos pela ferramenta do Banco Central - Calculadora do cidadão a uma taxa de juros de 14,35% a.m
2. Cálculos feitos pela ferramenta do Banco Central - Calculadora do cidadão a uma taxa de juros de 7,9% a.m


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.