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Assédio não é erro, é crime e deve ser tratado como tal

      
Assédio não é erro, é crime e deve ser tratado como tal
Assédio não é erro, é crime e deve ser tratado como tal  |  Fonte: Shutterstock
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

O tema da coluna de hoje é polêmico e nem um pouco fácil, porém, extremamente necessário. Durante a semana passada e no início desta semana, acompanhamos um caso de denúncia de assédio sexual por parte de um famoso ator brasileiro contra uma figurinista. Ao contrário do que comumente ocorre, o caso não foi silenciado, mas sim, extremamente exposto. Diversas mulheres – e homens também – se uniram em uma campanha intitulada “Mexeu com uma, mexeu com todas” para combater casos do tipo. A repercussão gigantesca do caso trouxe mais uma vez à tona um fato: assédio é um crime e deve ser exposto.

Pouco após o começo da campanha, o responsável pelo assédio emitiu uma carta assumindo que havia cometido o ato e que se tratava de um erro pelo qual se arrependia. Tal posicionamento é importante, pois, mostra que a indignação pública e o esforço das mulheres em não deixar a história passar batida surtiu efeito, especialmente quando se tratava de alguém famoso e poderoso. Porém, é importante frisar: assédio não é erro, é crime e deve ser tratado como tal.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram algum tipo de assédio sexual. Das mulheres brasileiras, 86% já sofreu assédio em público, segundo a organização internacional de combate à pobreza ActionAid. Elas não são vítimas de erros, mas sim de atitudes conscientes, pensadas e embasadas por uma certeza de que não haverá punição – ou que, ao menos, ela tardará a chegar.

A sociedade tem um método próprio de silenciar casos assim. Segundo um levantamento pelo Vagas.com em julho de 2015, 87,5% de quem já sofreu assédio moral ou sexual no trabalho optou por não denunciar. O principal motivo? Medo de perder o emprego, da possibilidade de sofrer represálias e, o mais alarmante, sensação de culpa. Porém, quem denuncia, também não vê muito efeito no ato. 74,6% afirmaram que mesmo após expor o caso, o agressor permaneceu na empresa. Vale destacar que, desse número todo, 54,4% das vítimas são mulheres.

Confesso que eu própria fiquei surpresa com o tamanho da repercussão e como, felizmente, dessa vez não foi possível silenciar o assunto. Essa reação prévia de pensar “não vai dar em nada mesmo” mostra o qual problemática é a situação. Quantas mulheres não deixam de fazer denúncias pelo mesmo motivo? A pressão dessas mesmas mulheres ter feito um homem famoso admitir e expor sua culpa traz esperança quanto ao futuro. Porém, ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Mesmo com tanta comoção, ainda foi possível ler ou ouvir frases como: “será que realmente aconteceu?”, “mas foi só um erro, ele se desculpou”, “será que ela não inventou para ficar famosa?”. Ainda que o agressor assuma, ainda que existam provas, encontra-se um meio de culpar a vítima, busca-se formas de duvidar de sua palavra. E, pior, redime-se quase de imediato o culpado quando, na verdade, a confissão deveria ser apenas o começo. O trauma provocado pelo assédio não some com um pedido de desculpas, a culpa também não deveria. Claro, é essencial que tal reconhecimento ocorra, porém, apenas ele não é o suficiente.

Comprar o CD de A Bela e a Fera na versão em português quando você achava que era a original é um erro. Tocar a genital de uma mulher sem que ela tenha consentido com isso é assédio. Logo, como já mencionei no início desse texto, um pedido de desculpas não basta porque um assédio não é um erro. É um ato pensado. E um ato pensado constantemente e muito facilmente desculpado pela sociedade. Assédio é um crime e como todo crime precisa de punição e não apenas um pedido de desculpas.


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