text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

A revolução das bonecas

      
A revolução das bonecas
A revolução das bonecas  |  Fonte: Shutterstock
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

Há algum tempo atrás, eu mencionei, ao falar sobre as profissões apresentada às meninas, como a indústria dos brinquedos está começando a mudar sua forma de desenvolver novos produtos, fugindo de alguns estereótipos de gênero e criando brinquedos não para meninos ou meninas, mas para crianças. Porém, é fato de que a boneca ainda é o mais comumente associado a elas. Em tempos em que monstrinhas e bonecas meio humanas meio pônei dominam as prateleiras, as mais tradicionais, visando se manter no mercado e também se adequar à atualidade, estão cada vez mais investindo em novos modelos que passem mensagens além de apenas entreter e que abracem mais a diversidade.

Essa questão veio à minha mente após ler uma notícia não tão recente em que a Mattel, empresa responsável pela Barbie, anunciava a criação de uma boneca presidente e outra vice-presidente com o intuito de incentivar as meninas a almejarem cargos de lideranças políticas. Pouco tempo atrás, a marca já havia lançado versões da boneca em outras profissões como desenvolvedora de jogos e espiãs. Não há como negar, as bonecas – e os brinquedos – estão mudando e quem souber se adaptar melhor sobreviverá.

Quando eu era criança, uma boneca com asas de fada ou um lindo vestido de princesa era o que fazia mais sucesso, hoje, bonequinhas azuis, verdes ou roxas, com partes do corpo que se soltam, garras e cabeças costuradas atraem muito mais os olhares. Foi preciso uma queda de vendas de 11% para que a Barbie compreendesse que seu modelo “padrão” já não funcionava e se atentasse às transformações que iam ocorrendo ao seu redor. Com animações que trazem personagens destemidas e donas de si como a Elsa, de Frozen, e Moana, o lugar para o tradicional foi ficando cada vez mais estreito, o que provocou mudanças.

Porém, não se trata somente de uma questão mercadológica. Fazer com que o brinquedo mais assimilado ao sexo feminino se torne uma ferramenta de estímulo e empoderamento para as meninas é algo importante. Se essa ainda é a primeira opção de presente para as garotas, que ela transmita uma mensagem significativa junto a si. Como eu contei anteriormente, após a grande repercussão de Estrelas Além do Tempo, filme que narra a trajetória de três cientistas negras que com seu trabalho possibilitaram a exploração da Lua, a Lego decidiu lançar uma linha chamada "Mulheres da NASA", com figuras que foram fundamentais para a história da agência.

São dois movimentos diferentes que acabam por se unir em um só: os interesses das meninas mudaram e a necessidade de se sentir representada junto à de mostrar a elas que existem as mais variadas opções de profissões e jeitos de ser por aí está cada vez mais gritante. E, se as grandes empresas não fizerem, as próprias mulheres farão. Joyce Venâncio fez. Sentindo falta de bonecas de etnias diferentes nas prateleiras, a empresária de São Paulo desenvolveu a Preta Pretinha, linha de bonecas e bonecos de pano negras, indígenas, muçulmanas, deficientes, carecas e tudo mais que você puder imaginar.

As garotas não se resumem apenas a ser bonitas ou ter uma roupa deslumbrante. Elas querem explorar, querem ser heroínas, cientistas, presidentes e, o mais, importante, querem se enxergar naquilo com que brincam. Querem também que seus brinquedos espelhem os possíveis sonhos que elas têm ou virão a ter. Logo, não basta apenas ser boneca, é preciso ser uma representação do que essas meninas são, é preciso fazer com que elas olhem aquele brinquedo e enxerguem nele não apenas diversão, mas também uma possibilidade de ser o que for que elas quiserem.


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.