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Imperdível: Fronteiras do Pensamento tem ingressos com 50% desconto

      
Fronteiras do Pensamento traz valores da sociedade em temporada 2017
Fronteiras do Pensamento traz valores da sociedade em temporada 2017  |  Fonte: Divulgação

O ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento 2017, que começa no dia 17 de maio e se estende até dezembro, terá como tema Civilização – A Sociedade e seus valores. Será uma série de debates com pensadores de destaque no cenário internacional das mais diversas áreas e que visa compreender o que nos define como civilização. Os ingressos, que são vendidos em pacotes, já estão à venda. Cliente Santander tem desconto de 50% na compra do pacote.

A abertura acontecerá às 20h30 no Teatro Santander, em São Paulo, e contará com o físico italiano Carlo Rovelli, autor do best-seller Sete Breve Lições de Física. A programação completa do evento está no site do Fronteiras do Pensamento. O valor dos pacotes varia entre R$ 2.886 para plateia e R$ 1.688 balcão e pode ser parcelado em até cinco vezes. Os ingressos são válidos para toda a temporada.

O Fronteiras do Pensamento já realizou mais de 200 conferências internacionais, apresentadas para mais de 170 mil espectadores e com o propósito de oferecer perspectivas para o mundo contemporâneo. A Universia Brasil conversou com o curador do projeto, o Doutor em Filosofia e Professor do Insper, Fernando Schuler, para compreender melhor do que se trata o ciclo, seus propósitos e atuações. Confira:

Qual é a principal proposta do Fronteiras do Pensamento?

O Fronteiras do Pensamento é um projeto voltado ao debate de ideias, ao diálogo entre o conhecimento acadêmico e o grande público, à difusão da leitura e ao uso da imagem para a reflexão sobre o mundo atual. Vivemos em uma sociedade marcada pela rapidez, pela falta de atenção e pela oferta caótica de informação. O Fronteiras funciona como um convite para que as pessoas parem um pouco, desliguem os celulares por algum tempo e exercitem a velha arte de escutar e refletir. Nossa crença é de que isto fará alguma diferença na vida de cada pessoa. E mais: temos a expectativa de que um projeto voltado ao debate de ideias sirva como incentivo a uma cultura de tolerância. Em um mundo marcado pela radicalização política e crispação nas redes sociais, por que não incentivar o gosto pela moderação e autorreflexão?

Como é feita a curadoria do projeto?

O primeiro desafio é definir a temática básica que servirá de pauta para os debates realizados ao longo do ano. É um trabalho contínuo de observação e reflexão, em que muitas pessoas são ouvidas. A partir daí é feita a escolha dos nomes. Neste ponto, entram em cena alguns critérios. O primeiro deles define convidar pensadores que tenham contribuições originais sobre os temas propostos. Obviamente, observa-se a qualidade da produção acadêmica ou intelectual e exige-se alguma capacidade de comunicação com um público diversificado. E há um olhar especial sobre a pluralidade de abordagens. Não é nosso objetivo convidar intelectuais mais ou menos famosos, ou que que se expressem de maneira mais ou menos carismática. O foco está no conteúdo, na qualidade da produção intelectual.

Quais são as novidades da edição 2017 do Fronteiras do Pensamento?

O foco de 2017 é o debate sobre a civilização e os valores que pautam a sociedade em nosso tempo. Há um mal estar na sociedade atual, e ele brota de vários lugares. A crise dos refugiados, na Europa, é um deles. Diria que o velho continente está sendo testado em seus valores de tolerância e respeito à diversidade. É um debate bastante complexo, que diz respeito às questões de identidade cultural, do universalismo dos direitos humanos e do tema da justiça, no mundo atual. A desigualdade importa? Há várias respostas de diferentes convidados deste ano: uma clássica, de Thomas Piketty, e outra mais contemporânea, de Deirdre McCloskey. Há também a de Martha Nussbaum, herdeira de Amartya Sen, baseada no conceito de desenvolvimento humano, e uma mais sistêmica, oferecida por Niall Ferguson e sua visão sobre o papel das instituições e do conhecimento científico no progresso do ocidente, na era moderna. Será, sem dúvida, uma grande temporada.

Em sua opinião, por que o Fronteiras do Pensamento se destaca como um dos principais eventos culturais do calendário brasileiro?

O Brasil tem um calendário de grandes eventos culturais. Nesse universo, procuro pensar que o Fronteiras ocupa um papel bastante específico: provocar o debate de ideias. Mas há alguns elementos que contam a favor do projeto. Em primeiro lugar, a independência curatorial. Não existe um bom projeto cultural, seja na área de artes ou de humanidades, sem este cuidado. Há também uma preocupação quase obsessiva com a qualidade. O projeto funciona como uma plataforma de geração de conteúdo. Produzimos livros, documentários, um projeto educativo, um portal com um amplo conteúdo de imagens, além de um amplo calendário de conferências e debates com a sociedade civil. Há um trabalho conjunto com a mídia cultural. O Brasil tem um jornalismo cultural de alto padrão e o Fronteiras está integrado a este universo. Há também uma rede de parceiros internacionais que o projeto foi criando ao longo de seus mais de dez anos. E há, por certo, uma equipe de profissionais de primeira linha na organização de todas as atividades. No fim do dia, o segredo de um bom projeto cultural é coerência em relação aos critérios estabelecidos e muito trabalho.

Como começou sua relação com os projetos culturais e de onde veio a inspiração para criar o Fronteiras do Pensamento?

O Fronteiras do Pensamento é resultado de uma longa história de eventos intelectuais. Lembro que no início dos anos 90 convidei para ir a Porto Alegre intelectuais do porte de Cornelius Castoriadis, Francis Fukuyama, Eric Hobsbawm, Jean Baudrillard e François Furet. Porto Alegre, à época, se tornou um dinâmico polo intelectual. O Fronteiras é um fruto distante dessa história. Ele nasceu em 2006, em um diálogo muito profícuo com Luís Fernando Cirne Lima. A primeira palestra do projeto foi dada pelo historiador americano Paul Kennedy, no final de 2006. Desde então, foram mais de 200 conferências nacionais e internacionais, sobre temas da filosofia, história, ciências, economia, cidades e direitos humanos.

O Fronteiras do Pensamento pretende ampliar e democratizar o debate acadêmico?

Com a devida modéstia e senso de proporção, diria que sim. Desde sempre existiu a figura do intelectual público. Voltaire foi um intelectual público, com ação direta sobre questões públicas da França de então, como no caso Jean Callas. Rousseau oferecia leituras públicas de suas Confissões, na Paris do século XVIII. Oscar Wilde fez uma longa excursão oferecendo palestras organizadas profissionalmente nos Estados Unidos, no final do século XIX. Uma grande cultura também se produz oferecendo um lugar de honra para os intelectuais, escritores e cientistas. Diria mais: também é importante para a academia e para seus pesquisadores o contato direto com as pessoas e o grande público. Na verdade, todos ganham com a democratização do debate intelectual.

O Fronteiras do Pensamento contribui para ajudar as pessoas a aceitar um pensamento diferente? Como?

Não tenho dúvidas. Aliás, uma das doenças da cultura contemporânea é a chamada “tribalização” produzida pelas redes sociais. Não me esqueço da frase que ouvi, tempos atrás, de um sociólogo, dizendo que estamos formando uma “legião de especialistas nas próprias opiniões”. O Fronteiras do Pensamento dedicou uma temporada inteira, em 2015, a discutir este tema: como viver juntos. Lembro das sábias palavras de Richard Sennett, que esteve conosco naquele ano: precisamos de uma nova diplomacia nas redes sociais. Precisamos ter menos “ênfase” e saber usar mais o modo subjuntivo. Considerar que podemos estar inteiramente enganados sobre aquilo que pensamos. Sempre vi isto como o melhor antídoto contra o dogmatismo e contra a raiva. A tranquilizadora sensação que nos provoca a consideração de que somos falíveis. E a abertura ao contraditório. A não apenas escutar, mas realmente tentar compreender as razões de quem pensa diferente. Este também é um objetivo de um projeto como o Fronteiras.

Hoje quais são os principais desafios do Fronteiras do Pensamento?

O maior desafio do Fronteiras do Pensamento é preservar sua identidade como um projeto independente e desafiador. Saber propor novas pautas, a cada ano, sem cair na tentação de agradar a este ou aquele público, grupo ou opinião. Outro desafio é ampliar o seu público. A ida para o Teatro Santander, neste ano, tem este significado. Um espaço não apenas mais amplo e bem localizado, mas fruto de uma parceria que tem tudo para dar certo e para levar o projeto a milhares de estudantes universitários e instituições de ensino superior. O Fronteiras tem crescido, ao longo dos anos, pelas parcerias que estabelece: com empresas, universidades e veículos de comunicação capazes de conectar o grande público. O desafio é levar o projeto a outras cidades e inovar em termos de novos produtos. Confesso ter um sonho: levar o projeto para outros países da América Latina. Sempre me surpreende a distância que ainda temos da produção intelectual de países como o Chile, a Colômbia e mesmo a Argentina. Quem sabe temos aí um grande desafio.


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