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Livros Fuvest 2017: o que estudar sobre Capitães da Areia

      
Fonte: Shutterstock
Neste ano, o vestibular da Fuvest 2017 trará algumas alterações em sua lista de leituras obrigatórias para a prova. Os clássicos Iracema, de José de Alencar, Sagarana, de João Guimarães Rosa, e Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, marcam presença entre as novidades da lista deste ano.


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No entanto, a surpresa fica por conta do livro Mayombe, do escritor angolano Pepetela, marcando a primeira vez que uma obra não pertencente à literatura brasileira ou portuguesa será cobrada na Fuvest.

Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), O Cortiço (Aluísio Azevedo), A Cidade e as Serras (Eça de Queirós), Capitães da Areia (Jorge Amado) e Vidas Secas (Graciliano Ramos), que já estavam na lista de obras do último vestibular, continuam sendo cobradas na prova deste ano.

Pensando nas mudanças, a Universia Brasil entrevistou o professor de literatura João Luís Machado, do Sistema Poliedro. A seguir, confira as dicas do educador sobre a obra Capitães da Areia, de Jorge Amado.

O autor

Capitães de Areia foi escrita por Jorge Amado, um escritor baiano, original de Salvador, onde se passa a história do livro. “Por ter um conhecimento amplo da cidade, ele tinha uma compreensão muito clara dos problemas sociais que ela apresentava, entre os quais estava, especificamente, o dos meninos de rua, que viviam marginalizados socialmente”, explica.

Isso vai de encontro com o fato de Jorge Amado também estar politicamente engajado naquela época. “O autor era filiado ao partido comunista brasileiro, o que obviamente transpareceu na obra em diversos momentos”, conta Machado. Segundo o professor, se o aluno não se preocupar com a contextualização, não será possível entender as menções feitas aos estivadores, ao potencial da greve.

Para Machado, entender o momento do escritor e sua ideologia político-partidária, que orientam sua escrita, é essencial para compreender certos aspectos, que podem parecer secundários, mas não são, como a marginalização das crianças, o cenário do porto e dos estivadores, da polícia como uma instituição opressora etc.

Outra característica bastante importante é que a obra de Jorge Armado apresenta perfil realista e também regionalista. O autor, que já foi apontado como um dos principais escritores brasileiros, vai retratar como poucos a sua terra e tem a preocupação de trazer a Bahia para o mundo, fazendo com que ficasse conhecida dentro e fora do País.

A obra

Capitães de Areia é uma narrativa que foca nos personagens, ou seja, nos garotos do trapiche. “A obra traça os perfis de cada um deles, tendo como protagonistas o líder, Pedro Bala, e Dora, que são os personagens emblemáticos” aponta o professor.

Outros personagens secundários também vão povoar a obra, como os outros garotos do trapiche, que são marginalizados e encontram nos pequenos crimes uma forma de sobreviver; o padre, que é preocupado em acolher e dar oportunidades sociais aos meninos; e os estivadores, que até pelo fato de Pedro Bala ser filho de um deles, oferecem aos garotos uma espécie de grupo de apoio.

O professor também aconselha ao estudante estar atento ao lado social, com a exclusão e amarginalização das crianças, e ao lado da opressão, que aparece no episódio do reformatório, e que caracteriza o fascismo e a repressão, crucificando esse modelo ideológico que, na época, se fortalecia em alguns países.

Como cai na prova

Considerando as últimas edições da Fuvest em que o livro foi cobrado, já foram cobradas questões que pediam analogias entre Capitães da Areia e outras obras leitura obrigatória. “Normalmente, a analogia mais direta que se faz é com Vidas Secas, por conta do entorno e do contexto da pobreza, da miséria, da exclusão social”, explica o professor do Poliedro, alertando para o fato de as obras pertencerem a dois contextos diferentes, sendo um urbano (Capitães da Areia) e outro rural (Vidas Secas).


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