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É importante educar as nossas meninas

      
Muitas meninas ainda são privadas do acesso à educação
Muitas meninas ainda são privadas do acesso à educação  |  Fonte: Shutterstock

A educação como um todo sempre foi alvo de preocupação e consideração de organizações no mundo todo. Presente em uma declaração realizada pela Organização das Nações Unidas em 1959, ela é garantida como direito a todas as crianças, independentemente de seu sexo, cor, língua ou religião. Porém, se no papel tudo parece muito justo, na realidade as coisas são bem diferentes.

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A privação do acesso de meninas a essa garantia, um problema antigo e constante, presente em diversos países ainda hoje, vem gerando importantes debates sobre a questão ao longo dos últimos anos. Isso porque, em muitos casos, elas precisam arriscar suas vidas na luta para poder fazer algo simples como ir à escola. Foi o que aconteceu com a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Nobel da Paz de 2014 junto a Kailash Satyarthi, que foi baleada na cabeça aos 15 anos por talibãs quando voltava para casa após as aulas.

Casos assim, ao mesmo tempo que trágicos, chamam a atenção para algo urgente e para uma batalha que parece longe de terminar. As histórias a seguir, contadas em palestras do TED, mostram como é viver e enfrentar isso diariamente e quão necessárias são essas mudanças. Vale a pena assistir:

A FILHA GUERREIRA

Ziauddin Yousafzai, ativista pela educação e pai de Malala, conta como, ao longo da história e em sociedades patriarcais, o nascimento de uma menina não é visto com bons olhos. Ele coloca então a questão de que, se já pelo nascimento ela recebe exclusões, que dirá de quando chegar a hora de ter acesso a coisas que deveriam ser universais, independentemente do sexo, como, por exemplo a educação.

Ao contrário do esperado em sua sociedade, Yousafzai sentiu-se honrado com o nascimento da filha e deu a ela o nome de uma lendária guerreira paquistanesa, Malalai, um prenúncio do papel que a garotinha viria a ter. Anos mais tarde, ele decidiu colocá-la na escola, algo malvisto em sua sociedade por significar que, a partir de então, aquela menina teria acesso a possibilidades e à chance de sonhar com um futuro diferente.

Ainda criança, aos dez anos, Malala se uniu ao pai na luta pelo direito de meninas poderem estudar e, como retaliação, foi atacada pelo Talibã em 2012. Uma tentativa de calar uma voz incômoda, mas que falhou. A garota ganhou ainda mais atenção e sua batalha se intensificou. Ziauddin, em sua palestra, explica a trajetória que a trouxe até o momento atual e como é preciso mudar a mentalidade para tornar o mundo um local mais inclusivo e aberto à diversidade.

UM ACORDO POR UMA ESCOLA

Nem sempre, porém, os pais estão junto às suas filhas nessa luta. A ativista e educadora queniana Kakenya Ntaiya precisou fazer um duro acordo com seu pai para poder estudar: ela enfrentaria a circuncisão feminina – ou mutilação genital, um tradicional e doloroso rito de passagem que atinge, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, entre 100 e 140 milhões de meninas em diferentes lugares do mundo – se ele a deixasse cursar o ensino médio.

Ela explica como, após voltar a estudar, decidiu que transformaria seu sonho de ser professora em algo que realmente mudasse a vida de outras meninas no seu vilarejo. Após conseguir uma bolsa de estudos Universidade Feminina de Randolfh-Macon em Lynchburg, na Virgínia, nos Estados Unidos, ele retornou ao seu país e iniciou um longo e difícil processo que impactaria a vida de ao menos 125 garotas. Kakenya construiu uma escola, aceitou meninas que já haviam passado da idade exigida e conseguiu evitar que suas alunas fossem mutiladas ou obrigadas a se casar aos doze anos.

AS FAMÍLIAS E A EDUCAÇÃO

Promover mudanças e facilitar o acesso de meninas e mulheres à educação também foi algo que ocorreu na vida da afegã Shabana Basij-Rasikh. Assim como na história de Malala, Basij foi impedida de estugar quando o Afeganistão ficou sob o controle do Talibã. Por cinco anos, ela, que na época tinha apenas seis, se vestia de menino e acompanhava a irmã rumo a uma escola secreta. E também como a jovem ativista paquistanesa, Shabana contou com o apoio dos pais, que viam na educação uma ferramenta para melhorar a vida de suas filhas e da própria comunidade.

Aos 22 anos, a jovem co-fundou a SOLA, uma escola para meninas em seu país. Em suas palestras, mais do que falar do próprio trabalho, ela exalta a importância e a necessidade de as famílias apoiarem os estudos das meninas, mesmo que isso signifique correr riscos, ir contra tradições ou até mesmo se colocar em perigo.

ELES POR ELAS

Assim como sua conterrânea, o Talibã também afetou a vida da ativista Sakena Yacoobi. Especializada em treinar novas professoras, Yacoobi foi ameaçada por realizar seu trabalho, mas não o abandonou. Tendo a rara oportunidade de fazer faculdade, ela aprendeu que, mais do que conhecimento, a educação traz também transforma as pessoas, as torna mais confiantes e atribui status.

Desafiando preconceitos e a falta de confiança tanto dentro quanto fora de seu país, Sakena começou a recrutar professores, ensinar pessoas comuns a como dar aulas e transmitir seus conhecimentos adquiridos no Estados Unidos, local no qual se graduou. Curiosamente, ela deu, a princípio, preferência aos homens. O propósito era mostrar a eles o potencial das mulheres e torná-los aliados nessa luta.

A FORÇA DAS MENINAS

Assim como o apego a tradições e preconceitos dentro das sociedades, as guerras são uma das principais causadoras do afastamento de crianças, em especial meninas, da escola. A vencedora do Nobel da Paz Leymah Gbowee sabe bem disso. Ela liderou um movimento de mulheres que foi fundamental para encerrar a Segunda Guerra Civil da Libéria em 2003 e, com isso, ampliou ainda mais seu engajamento na luta pelos direitos das mulheres e meninas ao redor do mundo.

Vivenciando os impactos da guerra nas vidas das meninas, Gbowee percebeu que há muita vontade de crescer, melhorar e aprender, mas poucas chances. Ela narra a história de garotas que sofrem desde abusos físicos até violência sexual em troca de poder ir à escola, mas que ainda assim não perdem seu desejo de mudar de vida. Focando-se na força dessas mulheres e meninas, Leymah passou a direcionar a sua jornada de maneira a ajudar essas garotas a terem acesso à educação e fazer suas vozes serem ouvidas.


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