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“É irresponsável jogar para o aluno sem preparação”, diz professor sobre novo Ensino Médio

      
“É irresponsável jogar para o aluno sem preparação”, diz professor sobre novo Ensino Médio
“É irresponsável jogar para o aluno sem preparação”, diz professor sobre novo Ensino Médio  |  Fonte: Shutterstock

Sancionada nesta quinta-feira (16), a reforma do Ensino Médio vem causando debate no meio educativo. Entre questionamentos, críticas e pontos polêmicos, a reforma, que foi enviada ao Congresso por meio de uma medida provisória, já possuía força de lei desde que foi publicada em setembro de 2016, porém, só deve ser colocada em prática após a definição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que está sendo elaborada e deve ser homologada em 2017.

Para o Coordenador do Colégio Poliedro, Leandro Baldo, um dos pontos fundamentais é a forma como a reforma será aplicada em colégios particulares e públicos. “Temos que dividir a mudança em como vai funcionar em escola particulares e públicas. Quando eles vão colocando as informações pra gente, sempre é de uma maneira muito não clara. Falam ‘vai ficar a critério da escola’, mas tem uma série de itens que eu olhei e, se ficar tudo a critério da escola, corremos o risco de determinadas áreas não serem contempladas”, afirma.

A questão da distribuição dos conteúdos é, na opinião do professor, um dos temas mais delicados. “Quando você pensa em uma escola grande, particular, com estrutura é claro que vai sofre pressão dos pais e vai afetar. Os alunos de escolas particulares não terão problemas, mas escolas particulares menores e principalmente escolas públicas sim. As escolas públicas não vão ter estrutura ou mão de obra qualificada para oferecer todas as áreas de conhecimento e aí já começa o problema. E aí fica a dúvida sobre os professores... Terá um notório saber, não precisa ter uma formação na área, isso é grave, é complicado. Que tipo de professor vai estar lá? ”.

O coordenador acredita que é possível que as escolas públicas passem a se focar mais em cursos profissionalizantes. “´É uma maneira mais rápida e fácil de colocar o aluno no mercado. O que vai acontecer com esse aluno? Ele já vai ser retirado da possibilidade de fazer uma faculdade, ele não vai ter um ensino voltado para um vestibular, aí começa a ter um problema, você começa a excluir uma parcela da população e você acaba tirando esses alunos da universidade. ”

Familiarizado com esse tipo de ensino, o diretor do Colégio FECAP, Marcelo Krokoscz, por sua vez, acredita que a mudança será positiva. “Atende a uma tendência do ensino global. Nós falamos com uma certa especialização nisso porque a nossa escola é técnica. Obviamente, há ajustes a serem feitos, mas a experiência que temos é de um aluno muito mais satisfeito. Ele estudo aquilo que gosta, aquilo que quer”, afirma.

Essa liberdade de escolha, porém, é outro questionamento entre os professores. Existe uma preocupação sobre a maneira como os alunos serão cuidados ao longo da mudança, uma vez quea reforma prevê que os estudantes escolham sua área de interesse já no primeiro ano do Ensino Médio. “O aluno de primeiro ano ainda não tem a maturidade. E se ele quiser mudar, o que ele vai fazer? É irresponsável jogar isso para o aluno sem preparação, escolhe aí e depois a gente vê como faz. Ele [o Ministro da Educação, Mendonça Filho] diz que a minoria dos alunos não sabe o que quer e que não faria uma política para minoria. Mas que minoria é essa? De quantos por cento estamos falando? ”, diz.

Para Baldo, com a mudança, haverá conflito com os vestibulares. “Vai acabar tendo um choque de interesses. A universidade que quer um aluno de determinado perfil, ela pode bater o pé e dizer que quer o aluno preparado e fim. Ou ela pode adequar, pensando nas áreas de conhecimento. E volta ao problema de antes: e o aluno que começou, por exemplo, com matemática e suas tecnologias e muda de ideia? Então olha o sofrimento que esse aluno vai ter depois. O problema só aumenta”, afirma.

Para Krokoscz, os vestibulares se adaptarão à mudança e a escola poderá ajudar o aluno na escolha. “A escola precisa subsidiar o aluno no processo de escolha, ajudá-lo a entender quais são as possibilidades, ela vai ajudar na maturidade na escolha da carreira. Possivelmente, vai haver uma modernização, uma modificação no formato de ingresso no ensino superior”, conclui.

Apesar da transformação, ambos concordam que levará algum tempo até que as mudanças sejam de fato sentidas. Em entrevista coletiva realizada após a sanção da lei, Mendonça Filho afirmou que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo, só sofrerá mudanças em 2019. A questão também preocupa o professor Baldo. “Eu acho que ainda vai demorar um pouco. Mas é preciso ir aos poucos. Se mudar o ensino médio e mudar o Enem, eu acho grave. O ideal seria mudar e dali a uns dois, três anos, fazer a mudança no exame”.

REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Entre os destaques do texto, está a permissão para que as escolas escolham como ocupar 40% da carga horária do período de três anos que corresponde ao Ensino Médio. Os outros 60% serão compostos por conteúdos obrigatórios determinados pela Base Nacional Curricular Comum (BNCC).

A escola deverá oferecer aos alunos um dos cinco chamados itinerários formativos que consistem em: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional.

O ensino de português e matemática será obrigatório. Inglês, artes, educação física, sociologia e filosofia também serão compulsórios, porém, poderão ser diluídas em outras matérias, algo que Baldo também questiona. “Não estão tão claras as coisas. Nós temos profissionais nessas áreas e você exclui esses profissionais [uma vez que, ao haver tal diluição, professores de outras áreas poderão assumir tais temáticas]. Nós temos profissionais qualificados, temos sociólogos, filósofos, para onde eles vão?”.

Outro ponto abordado pela reforma é o ensino integral também é apoiado pela medida e estabelece que a carga horária atual deve ser ampliada até atingir 1,4 mil horas anuais. O total cobrado atualmente é de 800 horas. As escolas terão cinco anos para terem uma carga de ao menos mil horas.

Saiba mais sobre a reforma do ensino médio e fique por dentro

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