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Dia Nacional da Ciência: ainda há algo a se comemorar?

      
Dia Nacional da Ciência: ainda há algo a se comemorar?
Dia Nacional da Ciência: ainda há algo a se comemorar?  |  Fonte: Shutterstock
Vera Murányi Kiss - Fundação Péter Murányi

Vera Murányi Kiss

Vera Murányi Kiss, descendente de húngaros, tem uma visão humanista e integrativa dos diversos aspectos da vida. É presidente da Fundação Péter Murányi, que reconhece pesquisas que melhoram a qualidade de vida de populações em desenvolvimento. Assina a coluna Olhar Científico 

Pensado para ser uma data de celebração, o Dia Nacional da Ciência, comemorado em 8 de julho, ultimamente tem sido visto muito mais como um estímulo à reflexão do que um dia de festa. Depois de tantos cortes no orçamento e tantas outras dificuldades em concretizar as pesquisas, nossos cientistas ainda têm o que comemorar?

Depende. Não podemos colocar todas as questões que envolvem as pesquisas num mesmo saco. Se levarmos em consideração apenas a produção científica do Brasil, a resposta é sim, temos o que comemorar. Apesar dos percalços, ainda produzimos muita pesquisa. Números recentes mostram que o país responde por 13% de tudo o que é pesquisado no mundo. Um percentual muito expressivo, se considerarmos as imensas restrições orçamentárias impostas no último ano a esse setor.

Mas, se focarmos na aplicação prática, nosso desempenho ainda deixa muito a desejar. Apesar de nossa grande produção científica, estamos apenas em 69o lugar no ranking de inovação mundial (Índice Global de Inovação). Ou seja: pesquisamos muito, mas não aplicamos os resultados desses estudos.

E as razões para esse comportamento são muitas, passando pelos já conhecidos problemas de infraestrutura, não esquecendo de aspectos mais simples, mas não menos impeditivos como a burocracia e, culminando, na falta de interligação entre faculdades e empresas.

Esse último, aliás, pode ser considerado um freio importante para a evolução da ciência no Brasil. Nossos centros universitários são reconhecidos mundialmente por sua excelência em pesquisa, mas o que é produzido ali fica restrito a esses corredores.

Reconheço que existem muitas etapas a serem transpostas desde a concepção de um projeto, a sua pesquisa, a análise de seus resultados, a consolidação dos conhecimentos até que surja o resultado final, quer seja ele, um produto, um serviço ou a alteração de um padrão de comportamento.

Recentemente tive a grata surpresa de tomar conhecimento de estudantes de ensino médio que devidamente estimulados e orientados desenvolveram projetos de sua autoria apresentados (e premiados) em feiras de ciência nacionais e internacionais. Estes trabalhos, oriundos de vários Estados do Brasil e que ganharam visibilidade por meio da Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), não só atestam a capacidade inovadora de seus jovens autores frente a busca de soluções para problemas reais e práticos das regiões onde habitam, bem como, surpreendem pela seriedade e competência com que foram desenvolvidos.

Esta recente experiência, leva-me a acreditar na educação, no seu sentido mais amplo, como o instrumento que pode melhorar a nossa posição no ranking mundial da inovação mundial. Precisamos que as duas extremidades da corda se encontrem. De um lado, uma educação que estimule a curiosidade do aluno, onde os conhecimentos sejam transmitidos de forma interessante e a motivação transforme o estudante em protagonista de seu processo de aprendizagem e o professor seja aquele que o oriente nesta caminhada. De outro lado, é necessário que a sociedade geral e os empresários tomem conhecimento daquilo que os pesquisadores estão fazendo. Que se fortaleça a ciência translacional, que transforma a pesquisa e o conhecimento em produto e inovação.

Fazer ciência no Brasil ainda é uma tarefa para poucos. Requer paixão, comprometimento, dedicação e habilidade para contornar os obstáculos. Porém, as mesmas barreiras que afastam muitos jovens, aproximam tantos outros, que ainda acreditam ser possível tornar nosso país uma das nações mais inovadoras.

Neste Dia Nacional da Ciência, as queixas ainda são muitas, mas com algumas das mudanças, a data pode se transformar, de fato, em motivo de orgulho para os muitos pesquisadores que perseveram e transformam nossos laboratórios e centros de ensino em celeiros de boas ideias, e por que não, em produtores efetivos de inovação.


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