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Evasão universitária no Brasil: causas e possíveis soluções

      
Problemas financeiros levam muitos estudantes a abandonar a graduação.
Problemas financeiros levam muitos estudantes a abandonar a graduação.  |  Fonte: istock

Por outro lado, a taxa de evasão universitária preocupa. Na rede pública, ela permanece relativamente estável nos últimos anos, mas alta: em torno de 24% para cursos presenciais e mais de 30% para ensino a distância, de acordo com dados da pesquisa “Evasão no Ensino Superior Brasileiro”, feita pelo Instituto Lobo em 2016.

Já nas instituições particulares, os números de desistência vêm crescendo. Segundo o "Panorama do Ensino Superior Privado do Brasil", realizado pela startup edtech, a evasão no setor privado aumentou 4% entre 2011 e 2016, indo de 19% do total de estudantes para 23%.

As causas para os altos índices, seja na rede pública, seja na privada, são várias: vontade de trocar de curso, falta de recursos e assistência, incapacidade de conciliar o estudo com o trabalho, entre outros. Saiba mais sobre a evasão universitária no Brasil, suas causas e possíveis soluções.

Desistência no primeiro ano e troca de curso

Entre os novos ingressantes de instituições de ensino superior é bastante comum encontrar alunos que decidem trocar de curso e prestar um novo vestibular. De acordo com dados do Inep, dos 329.563 estudantes que ingressaram em Instituições Federais de Educação Superior em 2017, mais de 69 mil – ou seja, 21% – fizeram o Enem mais uma vez nesse mesmo ano.

No setor privado, segundo dados do Instituto Lobo, a maior taxa de evasão se dá no primeiro ano do curso, e o papel das transferências é bastante significativo, já que a taxa de graduação é muito maior do que o esperado frente aos índices de evasão.

Nesse sentido, uma melhor orientação vocacional de jovens do ensino médio prestes a fazer o Enem poderia ser uma solução. No entanto, ainda são muitos os casos em que a desistência é completa, sendo mais complexo encontrar formas de manter os estudantes no ensino superior.

Falta de recursos e assistência

A crise econômica no Brasil e a inadimplência são prováveis responsáveis pelo crescimento da evasão universitária na rede privada, que detém 75% das matrículas em cursos de graduação. Muitos alunos sem bolsa ou com bolsas parciais precisam trabalhar para se manter em faculdades privadas, o que muitas vezes leva a desistências.

Mesmo na rede pública, a falta de assistência estudantil também torna difícil para estudantes de baixa renda familiar continuar a estudar. Já a falta de preparo para receber alunos especiais dificulta a inclusão social no ensino superior e pode levar à desistência desses estudantes.

No caso do ensino a distância, que tem uma média de idade mais elevada do que a modalidade presencial, a dificuldade de conciliar o estudo com o trabalho e a família também são prováveis causadores da crescente evasão universitária. O EaD não para de crescer no país, apresentando um aumento de cerca de 18% na sua participação no total de ingressantes em cursos de graduação entre 2007 e 2012. Ao mesmo tempo, é nessa modalidade que mais crescem as taxas de evasão, que, em algumas instituições, chegam a mais de 50%, segundo o Censo EAD.BR 2017.

Possíveis soluções para a evasão universitária

É possível se espelhar em casos de sucesso, como o da Universidade de Brasília (UnB), que está entre as universidades com menores taxas de evasão no Brasil. Programas de tutoria especiais e políticas de assistência estudantil foram formas encontradas para diminuir a desistência de alunos. No entanto, essas políticas dependem de investimentos do governo federal, e os novos cortes de verbas no ensino superior vão de encontro às medidas de combate à evasão.

É preciso não somente que o Estado financie iniciativas contra a evasão universitária, como também, segundo a vice-presidente do Instituto Lobo e professora Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo, é necessário que o governo invista em pesquisas e estudos sistemáticos sobre o tema, para compreender o problema mais a fundo e descobrir quais são as práticas mais eficientes para mitigá-lo.


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