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As mulheres e os cargos de liderança

      
As mulheres e os cargos de liderança
As mulheres e os cargos de liderança  |  Fonte: Shutterstock
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

Você já se perguntou por que não conhecemos tantas mulheres em cargos de liderança? Elas estão “escondidas” ou simplesmente não existem? Logo que essa coluna estreou, eu comentei sobre a relação entre as mulheres empreenderem e suas histórias não serem contadas. Em meio a esse assunto, falei sobre como, além de enfrentar problemas para conseguirem capital e credibilidade, elas acabam tendo sua confiança minada pouco a pouco ao longo do caminho. Porém, essa questão não se atém somente ao mundo do empreendedorismo, ela está no mercado de trabalho como um todo. Afinal, por que as mulheres ainda são minoria em cargos de liderança? E por que parece que somos “naturalmente” afastadas de sequer ter tal ambição?

No ano passado, durante palestra na Plataforma Liderança Sustentável 2016, a vice-presidente de recursos humanos da Coca-Cola no Brasil, Raissa Lumack, levantou um ponto que eu já mencionei por aqui anteriormente, mas que é válido falar outra vez. Ela ressaltou o quanto a mulher sempre está se cobrando mais. “A mulher sempre está em débito com ela mesma e esse sentimento de culpa atrapalha muito esse crescimento, ela se sabota”, afirmou na época. Tal fala vem de encontro ao que uma das criadoras do projeto The Girls On the Road, Taciana Mello, me contou uma vez: as mulheres tendem a duvidar de si mesmas. “A gente tende a se duvidar mais do que os homens. Os homens já se enxergam como presidentes, as mulheres pensam ‘não, não é bem assim”.

Em ambas as falas, o sintoma ficou claro: nós duvidamos de nós mesmas. Mas o que provoca isso? O que faz com que, apesar de respondermos a 43,8% dos trabalhadores brasileiros, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015, ocuparmos apenas 37% dos cargos de direção e gerência e 10% nos comitês executivos das grandes empresas? O que ocorre ao longo do desenvolvimento da carreira das mulheres para elas em algum ponto deixarem de acreditar que podem estar em tais posições?

Um relatório divulgado no início de abril pela Boston Consulting Group, uma consultoria norte-americana, apontou que o próprio ambiente corporativo é responsável por isso. Segundo o estudo, conforme avançam em suas carreiras, as mulheres se deparam com faltas de oportunidade, poucos exemplos nos quais se espelhar e problemas interpessoais que vão desde ser subestimada por ser mulher à assédio. Ou seja, o pouco ânimo das mulheres em chegar nesses cargos se dá pelos vários obstáculos que são colocados no caminho e não pela falta de vontade delas. É possível persistir, mas em algum momento elas são vencidas pelo cansaço.

É muito comum, no entanto, ouvirmos que as mulheres acabam “deixando a carreira de lado” por conta, principalmente, da maternidade. Porém, a pesquisa também mostrou que a importância dada às oportunidades de liderar varia apenas 1% entre mulheres da mesma idade com ou sem filhos. Logo, a justificativa de que mulheres apenas não aceitam tais cargos por conta da família simplesmente não condiz com a realidade. A falta de mulheres em líderes tem muito mais a ver com fatores externos do que internos.

Além da falta de representatividade, a diferença salarial também é um ponto a ser questionado. De acordo o estudo A Simples Verdade Sobre a Desigualdade Salarial de Gêneros, feito em 2015, nos Estados Unidos, mulheres que trabalhavam em tempo integral ganhavam 80% a menos do que os homens. E, segundo a Associação Americana de Mulheres Universitárias, a estimativa é que a diferença só desapareça daqui a 135 anos. Ou seja, não é difícil compreender por que em algum momento as mulheres apenas desistem: em muitos dos casos, chegar a um posto de liderança se mostra praticamente impossível.

As soluções para isso passam, majoritariamente, por questões estruturais. É preciso que as empresas estimulem a diversidade de gênero, incluindo e ouvindo mulheres em suas atividades e dando a elas a oportunidade real de crescer. Não dá para buscar soluções para um problema que não é falado. Logo, abrir espaço para o diálogo sobre essas questões é mais do que fundamental, é necessário. É preciso se posicionar e assumir tal posicionamento. Colocar a mudança nas mãos das mulheres apenas é, como os autores do estudo feito pela BCG afirmam, “não vai levar a um avanço significativo”.


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