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Mães e empreendedoras? Sim!

      
Mães e empreendedoras? Sim!
Mães e empreendedoras? Sim!  |  Fonte: Shutterstock
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

Na semana passada, a Sobre Elas abordou o fato de ainda possuirmos um número baixo de mulheres em cargos de liderança – atualmente, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015, apenas 37% dos postos de liderança e gerência são ocupados por mulheres e a participação em comitês executivos é de 10%.

Retorno a isso, pois, é muito comum ouvirmos que as mulheres não estão em tais cargos porque “não querem” ou porque “optam pela família” mesmo não sendo verdade. Um relatório divulgado no início de abril pela Boston Consulting Group, uma consultoria norte-americana, apontou que o próprio ambiente corporativo é responsável por isso. Porém, o foco da coluna de hoje não é sobre a quantidade de mulheres em cargos de liderança ou os motivos que levam a isso. Hoje vamos falar de quem, indo contra os argumentos mencionados acima, não apenas ocupa cargos de liderança, mas empreende e é mãe.

Esse é o caso de Mariane Tichauer, fundadora da importadora e distribuidora especializada no mercado materno infantil, Itté. Formada em administração, Mariana sempre teve vontade de empreender, mas mudou o rumo onde atuaria após descobrir que estava grávida. “Eu tinha a vontade de abrir um negócio sobre turismo com uma ONG, um turismo comunitário. Eu me preparei bastante, fiz cursos sobre empreendedorismo e, quando eu estava com o plano de negócios pronto, descobri que estava grávida da minha primeira filha. E, então, eu dei uma pausa e voltei a trabalhar como consultora”, conta.

Foi durante sua segunda gravidez que ela começou a notar um nicho em potencial: mães que buscavam roupas e acessórios diferentes para os seus bebês, mas que não encontravam no Brasil. A própria Mariana se viu incluída nesse grupo e foi então que algumas ideias começaram a surgir. “Eu queria comprar roupa, por exemplo, e era tudo rosa. Eu tenho horror a estereótipo, menina rosa e menino azul, mas se eu quisesse comprar algo laranja ou vermelho, eu tinha que ir na sessão de meninos. E eu escutei muito essas reclamações”. Com um plano de negócios já em mente, ela transformou o antigo projeto em uma importadora e distribuidora de produtos infantis com loja online.

Com o tempo, os projetos se separaram e Mariane, que antes trabalhava com uma sócia, ficou apenas com a importadora. Durante o processo de crescimento da Itté, ela descobriu sua terceira gravidez, mas, por conta do meio que em a empresa atua, não teve problemas em levar a pequena Olívia junto a ela em reuniões e encontros com clientes. “Eu fazia tudo. Preparava as caixas, levava nas lojas, era bem eu e eu mesma com a Olívia”, conta. Mas a empresária sabe que nem todos os meios são tão abertos. No entanto, se ela não enfrentou problemas por ser mãe, viu algumas barreiras existirem por ser mulher. “Eu entrei em uma empresa estatal em que as pessoas eram mais velhas e, agora, olhando para trás, eu vejo coisas que eu queria fazer e não aconteciam porque as pessoas não acreditavam”.

Ela, porém, é direta quanto ao que fazer para lidar com as resistências que o mundo corporativo ainda impõe à mulher. “Eu sofri muito a questão de ser mulher, não percebi na hora, segui em frente. E você precisa [seguir em frente] porque na hora que você para e pensa sobre isso, você cria uma barreira, que é real, e ela vira o seu limite porque não tem como brigar com uma situação dessas. Se você ignorar, você atravessa. Se você não tem alternativa, você atravessa o muro”, afirma.

Para as mulheres que querem empreender, Mariane tem um conselho: não desistir. “A gente não pode parar, não dá para pensar ‘esse mercado está fechado para mim’. Se a gente fizer isso, a barreira se solidifica. Ela vira uma linha concreta. Tem que ignorar e, às vezes, a gente bate com a cabeça no muro, mas tem uma hora que a gente encontra uma maneira de contornar”. Ela também reforça que é importante não se sentir culpada e contar com o apoio de alguém. “Eu consegui muito por conta do meu marido, ele me apoiou muito, ficou com as meninas. Você não pode se sentir culpada. Não é fácil, você tem que ter uma rede de apoio, mas funciona”.

E essa rede pode ser composta também de outras mulheres na área. Pensando em incentivar mais mães a empreender, a empresária Dani Junco, junto a quatro outras mulheres, criou a B2Mammy, uma aceleradora de projetos e startups com foco em mães. A ideia é fazer com que as mulheres, ao saírem do mercado de trabalho após terem filhos, sintam-se mais do que incentivadas a voltar a trabalhar, mas a ter algo próprio e investir em suas próprias ideias. A aceleradora oferece desde uma orientação inicial até o impulsionamento de projetos já pré-elaborados. Durante o seu programa Pulse, por exemplo, a B2Mammy seleciona 20 empresas fundadas e gerenciadas por mães empreendedoras para falar sobre gestão e investimento em uma série de aulas com direito a apresentação de mentores.

É verdade que o mundo corporativo e o empreendedor ainda dificulta o acesso de mulheres, principalmente a postos de liderança, porém, ao mesmo tempo, é justamente a existência de obstáculos que incentiva pessoas como Dani ou Mariane a se arriscarem e mostrarem que é completamente possível equilibrar um negócio bem-sucedido com a maternidade e que essa história de que a mulher deixa de ambicionar um crescimento em sua carreira por conta da família não se sustenta. Os pesquisadores da Boston Consulting Group disseram que a mudança em tais valores deve ocorrer dentro das empresas. Que forma melhor de ocorrer senão com elas criando as próprias empresas?

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