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UnB convida intelectuais para discutirem os problemas do país

      
A proximidade das eleições presidenciais motivou o Diretório Central dos Estudantes (DCE) a realizar o encontro de quatro grandes intelectuais da atualidade: Emir Sader, Luís Piguelli Rosa, Leonardo Boff e Frei Beto. Panfletos e santinhos de candidatos eram distribuídos na porta do Anfiteatro 9, que estava lotado no dia 22 de agosto, às 19h.

O sociólogo Emir Sader criticou a atual organização econômica brasileira, baseada na valorização do capital especulativo e não no trabalho, na ciência ou na tecnologia. "Para piorar, o especulador estrangeiro não paga imposto, enquanto o brasileiro paga. Esse capital entra e sai do país com muita facilidade. Quando foge dólar, a inflação sobe. Qualquer mudança política é seguida de ameaça de fuga de capital. Estamos vivendo a ressaca desses oito anos de farra especulativa", afirmou.

Lembrando o jornalista Barbosa Lima Sobrinho, que dizia que capital se faz em casa, Sader destacou que a moeda só foi estabilizada porque o país pegou dinheiro no exterior. Segundo ele, hoje o Brasil deve 11 vezes mais que em 1994.

Apagão Internacional

Pinguelli Rosa, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ressaltou que vivemos uma grande farsa e que o país piorou nos últimos anos. "O Brasil cresceu da Segunda Guerra Mundial até a década de 80. As pessoas ganhavam pouco, mas tinham esperança de que o filho melhorasse de vida ou que a rua fosse asfaltada. Hoje diploma não é garantia de emprego. Novas faculdades de qualidade duvidosa brotam a cada esquina", disse.

Formado em engenharia, Pinguelli Rosa criticou a política estrangeirista do governo. "Por que a Petrobrás vai fazer plataforma fora do país? Nós moreninhos sabemos fazer, não precisa ser loiro de olho azul. A Light apagou a UFRJ e no outro dia FHC entregou uma medalha ao presidente francês da companhia", reclamou.

Com voz mansa, o teólogo Leonardo Boff conclamou a platéia para uma revolução. "Devemos reintroduzir a palavra revolução, que significa a mudança das estruturas da sociedade, e colocar no poder aqueles que nunca estiveram lá. Assim transformaremos a política em algo ético e não apenas em administração da moeda", avaliou.

O otimismo é balanceado com uma dose de realismo: "Quem herdar o governo FHC herdará um dilúvio de dívidas. Mas com coragem de arriscar, podemos ser agraciados com uma nova primavera e o Brasil se tornará grande não porque domina os demais e sim porque é generoso com seu povo", pregou.

Exclusão

O filósofo Frei Beto lembrou dos dados que fazem do Brasil um país marcado por 500 anos de exclusão. Segundo ele, mais de 50% da população ganha, no máximo, três salários mínimos e cerca de 80 milhões de brasileiros não têm acesso às duas mil calorias recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. "A população negra é duplamente marginalizada. O racismo ainda é muito forte entre nós", denunciou.

Lembrando os tempos da Ditadura Militar, Frei Beto traçou uma comparação com o momento atual: "Naquela época o que faltou foi o apoio popular. Hoje esse apoio não pára de crescer em torno da candidatura de Lula. É só com a eleição desse homem, que veio do nordeste para São Paulo num pau de arara e criou o maior central sindical do Brasil, é que podemos pensar na possibilidade de mudanças desses dados que não combinam com esse país que é de uma riqueza natural incomensurável".

Seguindo o pensamento de Frei Beto, todos os palestrantes evocaram a platéia a votar no candidato do PT à Presidência da República. No fim do encontro a platéia levantou-se e aplaudiu entusiasmada, gritando: "Brasil Urgente, Lula Presidente".

Fonte: UnB
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