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TV UFMG exibe reportagens de alunos da Comunicação Social sobre o complexo tema do "corpo morto"

      
A exclusão social pode ultrapassar os limites da vida. Mesmo após a morte, milhares de pessoas permanecem alijadas das benesses e confortos da cidadania. Todos os dias, em Belo Horizonte, o Instituto Médico Legal (IML) recebe corpos de indivíduos que jamais serão reconhecidos por amigos, vizinhos ou familiares. Se, quando vivos, tais homens e mulheres pouco receberam, também no fim da linha terão direito apenas a uma vala comum e alguns números de identificação. Complexo por natureza, o tema dos corpos abandonados é foco de uma das reportagens recentemente produzidas por alunos do curso de Comunicação Social da Universidade, e veiculadas no programa Câmera Aberta, da TV UFMG (canal 15).

Coordenadas pela professora Mirian Chrystus, as reportagens basearam-se na difícil tarefa de abordar, de maneira poética e elegante, assuntos pesados e polêmicos. Além da indigência descoberta no IML, os estudantes produziram uma crônica jornalística sobre "o corpo vivo e o corpo morto" e uma entrevista com a vice-diretora da Faculdade de Educação da UFMG, Antônia Soares, irmã e cunhada de dois guerrilheiros do Araguaia, mortos pelo regime militar.

A pauta da série de reportagens surgiu durante atividades dos alunos junto ao Laboratório de Processos Jornalísticos. A discussão dos temas margeou o amplo debate entre o interesse público e o interesse "do" público.

"Assuntos como sexo e morte, muito atrãntes para as pessoas, são tratados de forma banal pela mídia. Buscamos abordar o tema de maneira elegante", ressalta a roteirista Renata Ornelas, do 7º período de Comunicação Social. Para Mirian Chrystus, o espaço da TV universitária é propício ao debate de questões menos convencionais. "Se, por um lado, não há como cobrir o fato ocorrido na hora, as emissoras universitárias têm a possibilidade de fazer jornalismo aberto à experimentação", argumenta.

Arte e sentimento
Nas produções, os alunos lançaram mão de diversas manifestações e meio sartísticos. Durante a exibição da entrevista de Antônia Soares, por exemplo, os estudantes intercalaram cenas de tortura do filme A batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo. Já a crônica, que dura pouco mais de um minuto, contou com referências da fotografia, da poesia, das artes plásticas, da dança e da música. "A escolha das imagens obedeceu a um ritmo contemplativo. Foram usadas fotos de pessoas mortas feitas por grandes fotógrafos que trabalham com o tema", explica Mirian Chrystus. Além de metáforas imagéticas - um corpo morto "como um piano mudo" -, o telespectador acompanhará a narração ao som de Bach e O Grivo. Com duração aproximada de quatro minutos cada, a entrevista e a reportagem produzidas pelos alunos não se prendem à descrição de fatos e dados numéricos. Apesar da apuração cuidadosa, responsável pela descoberta de informações interessantes e, por vezes chocantes, os sentimentos prevalecem. Os produtores buscaram resgatar, de forma jornalística e poética, as angústias, os anseios, as esperanças e os absurdos referentes a tantos corpos desaparecidos ou não-reclamados.

A série revelou dados impressionantes. A reportagem do IML, por exemplo, mostra que, dos cerca de seis mil corpos dos indíviduos que chegam ao Instituto, 20% não são reclamados pelas famílias. Para abrigar os
desconhecidos, há 44 "geladeiras". Não se prender a tais dados foi o caminho escolhido para que, mais uma vez, as barbáries de uma sociedade excludente não se transformassem em números frios. "Se a experiência foi dura, a matéria procurou tratar de tudo com a máxima delicadeza", conclui a professora Mirian Chrystus.

Fonte: UFMG
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