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Notícias

Férias com arte

      
A proximidade das férias é um alívio para os alunos que estão na maratona de estudos desde o começo do ano, se preparando para as concorridas provas de vestibular e do Programa de Avaliação Seriada (PAS). Esse merecido descanso é essencial para repor as energias e noites de sono perdidas ao longo do semestre, mas isso não significa que o candidato precisa se desligar completamente das matérias exigidas nos processos seletivos das faculdades. Os vestibulandos podem aproveitar o tempo disponível para se atualizar, ler e conhecer os espetáculos e exposições de arte em cartaz.

Obras de renomados artistas estão expostas em espaços culturais da cidade, uma chance para quem está buscando uma forma de aprendizado diferente daquela tradicional da sala de aula. A mostra Pablo Picasso - paixão e erotismo, que chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil da cidade, é uma verdadeira aula de arte e história. São mais de 40 gravuras, cujo foco principal está nas paixões do artista e na sensualidade expressada pelo corpo.

Entre 1899 e 1972, Picasso produziu cerca de 22 mil gravuras, usando variadas técnicas desse tipo de arte, muito diferente das utilizadas em suas mais conhecidas obras, como Guernica. Uma das técnicas de gravura utilizadas pelo artista era a litografia, em que uma base de pedra era o ponto de partida do quadro. Picasso talhava o material, criando as linhas e texturas desejadas, depois passava a tinta, que penetrava pelas ranhuras feitas na pedra. O papel era colocado sobre a pedra, como uma serigrafia ou um carimbo, por exemplo. A partir do molde feito na pedra, várias cópias eram produzidas em papel e Picasso escolhia a que mais lhe agradava para finalizar com sua assinatura. Por esse motivo, dezenas de reproduções dos trabalhos, que na época foram rejeitadas pelo artista, se perderam, ou estão em posse de desconhecidos. Além da litografia, Picasso produziu gravuras a partir de bases de borracha, e também com uma técnica chamada água-forte, em que são usadas uma placa de metal, gordura e ácido.

A aluna Ianara Elisa Castro, 17 anos, visitou a exposição com a turma do colégio Marista, onde estuda. Ela está no 3º ano e se prepara para concorrer a uma vaga no curso de artes plásticas no vestibular do fim do ano. Admiradora dos trabalhos de Picasso, Ianara reconhece o valor das exposições artísticas para os estudos e para seu futuro profissional. "Não existe muito espaço para as artes plásticas, cênicas e musicais nos conteúdos dados nas escolas e cursinhos pré-vestibulares. Acho que é importante procurar essas exposições para complementar os estudos", defende Ianara.

PAS

As obras expostas na mostra foram feitas em diferentes épocas do século 20, entre a década de 30 e 70. Isso permite que o público tenha a oportunidade de identificar traços das várias fases de Picasso. No quadro Portrait de familie, por exemplo, não é difícil observar a representação em um só plano das dimensões de uma mulher, característica do Cubismo.

Segundo a coordenadora de artes do colégio Inei, Edite Domingues, ao visitar uma exposição, o estudante aprende mais sobre o período em que as obras foram feitas, os fatos históricos que influenciaram o artista, além de ver detalhes e o tamanho real do trabalho. Ela explica que a arte ficou mais presente na vida dos alunos depois que passou a ser valorizada em provas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), e em vestibulares tradicionais. Edite dá uma dica para os estudantes que se interessarem pela exposição: "Nessa série de gravuras, Picasso trabalhou linhas, volumes e cores. Seria interessante que o aluno observasse os traços delicados e sinuosos, diferentes da brutalidade do cubismo ou do sofrimento explicitado na Guernica".

"As obras de Picasso impressionam e ensinam, ao mesmo tempo", diz Letícia Tôrres, 16 anos, aluna do 3º ano. Enquanto os exercícios dão uma folga e as aulas não voltam, uma boa pedida é aproveitar o tempo livre para relaxar e adquirir novos conhecimentos em mostras artísticas, como indica a coordenadora Edite Domingues: "Com a arte, fica mais palatável entender os complicados assuntos do mundo".

Quem foi o mestre?

Pablo Picasso nasceu em 1881, em Málaga, na Espanha. Ele começou a desenvolver suas habilidades artísticas ao lado do pai, um professor de desenho. Quando o pintor tinha 10 anos, mudou-se com a família para o porto atlântico de La Coru¤a. Já em 1900, o rapaz foi pela primeira vez para Paris, cidade que se tornaria seu lar a partir de 1904, quando ele passa a morar no prédio Bateau-Lavoir, reduto de artistas vanguardistas na época, como Guillaume Apollinaire e Max Jacob. ? nesse período (1901-1904) que acontece a melancólica Fase Azul de Picasso, quando essa cor toma conta das obras do artista.

A representação e o uso de cores alegres volta na Fase Rosa (1905-1906), tempo em que o jovem criava cenários mais suaves e delicados. Essa mudança é atribuída ao início de uma relação amorosa com Fernande Olivier, o primeiro grande amor de Picasso. Ele é considerado o deflagrador no movimento cubista, com a tela Les demoiselles d?Avignon, de 1907, um dos grandes trabalhos da arte moderna. O quadro causou escândalo entre os apreciadores de arte, pois ele rompia com uma perspectiva clássica da pintura, reproduzia as várias faces de um objeto simultaneamente. A obra de Picasso foi influenciada por sua história, família e amores.

Seu quadro mais famoso é Guernica (1937), um painel em preto-e-branco que retrata o sofrimento da população frente a Guerra Civil Espanhola, iniciada em 1936 com um golpe militar liderado pelo general Francisco Franco. Defensor da república, Picasso aceitou fazer um grande painel para expor em Paris. Quando ele soube que aviões nazistas haviam destruído, a mando de Hitler, a cidade de Guernica, no País Basco, o artista se pôs a trabalhar. Os republicanos perderam a guerra e Picasso ficou exilado da Espanha para o resto da vida. Ele pintou até o fim de seus dias, em 8 de abril de 1973.

PABLO PICASSO - PAIXÇO E EROTISMO
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, trecho 2, conjunto 22)
Data: até 7 de julho.
(fechado às segundas-feiras)
Horário: das 10h às 21h
Entrada franca
Informações: 3310-7087

VISITE:

Giorgio Morandi e a natureza morta na Itália
Exposição com obras de Morandi e outros artistas renomados do século 20, como Fortunato Depero, Gino Severini e Carlos Carrà. Os quadros oferecem um panorama da natureza morta na Itália, arte que retrata frutas, móveis e outros objetos inanimados. Morandi nasceu e viveu em Bolonha, na Itália, e é reconhecido por dar recorte intimista às obras, que tinham como modelos frascos, garrafas, caixas e lâmpadas que o pintor guardava em seu próprio quarto.

Local: Centro Cultural Banco do Brasil
Data: até 23 de julho (fechado às segundas),
das 10h às 21h
Entrada franca
Informações: 3310-7087


Arte Africana

Uma das fontes de inspiração para a obra de Picasso foi justamente a arte produzida no continente africano. Obras de arte produzidas em países como Nigéria, Costa do Marfim, Gana, Guiné e Togo estão expostas na mostra Arte africana, localizada na Praça das Artes do Conjunto Nacional. As peças são funcionais, ou seja, não foram feitas apenas para serem contempladas, tinham outras funções para a população. As obras também trazem aspectos da cultura, mitologia e crenças do povo africano.

Local: Praça das Artes do Conjunto Nacional
Data: até 10 de julho, de 2¦ a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 15h às 22h
Entrada franca
Informações: 2106-9700


Anjos Caídos

O artista Sérgio Rizzo expõe um conjunto de pinturas e desenhos figurativos que exploram a mudança da forma humana em anjos cibernéticos e máquinas. A série de trabalhos traz estudos de movimentos corporais, com uma aparência futurista e medieval, simultaneamente. Os quadros foram inspirados no poema épico Paraíso Perdido, de John Milton, importante escritor do século 17.

Local: Espaço Cultural Contemporâneo -
Ecco (SCN Quadra 3, lote 5)
Data: até 30 de julho (fechado às segundas),
das 9h às 19h
Entrada franca
Informações: 3327-2027

Abdias Nascimento - 90 anos - Memória viva

Retrospectiva da vida e obra do político, dramaturgo e artista, fundador do Teatro Experimental do Negro, Abdias Nascimento. Estão expostos documentos, pinturas, fotos e instalações que abordam a trajetória de Nascimento desde sua juventude, na Frente Negra Brasileira, até os momentos de exílio nos Estados Unidos e no continente africano. Também é retratada sua atuação política e intelectual no Brasil e no exterior entre 1982 e 2003.

Local: Galeria Athos Bulcão (Via N2, anexo do Teatro Nacional)
Data: até 29 de junho, de 2¦ a 6¦, das 9h às 18h
Entrada franca
Informações: 3325-6142

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