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Alunos de Jornalismo da Unicap apresentam trabalho sobre Liêdo Maranhão

      

Ele nasceu no Recife da década de 20. O cheiro de peixe no Mercado de São José, os fiéis da Basílica do Carmo e as ruas repletas de fregueses do comércio popular do Centro da Cidade foram as primeiras referências para uma trajetória de vida peculiar. Formado em Odontologia pela Faculdade do Recife, em 1950, Liêdo Maranhão é um exemplo de recifense que foi criado para o mundo. Com viagens e trabalhos na Europa, em sua juventude, ele não esqueceu a cultura e as raízes do povo nordestino. Atualmente, aos 84 anos, ele se debruça em contar para a juventude histórias tão distintas, desde os causos das rodas de cordelistas às grandes musas do cinema hollywoodiano, como Greta Garbo e Marilyn Monroe.

E foi inspirado nesse testemunho da cultura popular que as alunas do curso de Jornalismo da Unicap Luiza de Assis, Maria Eduarda Ferraz, Tatiana Meirelles e Vivian Raposo apresentaram o trabalho "Liêdo Maranhão", sexta-feira (4), no auditório G1. A atividade faz parte da programação da disciplina "A Cultura Brasileira", ministrada pelo professor do curso de História Ernani Mestrinho. "Nessa cadeira, eu procuro sempre dar destaque a algumas pessoas que a cultura oficial não evidencia e Liêdo Maranhão é uma delas", disse o professor.

Abre-se uma casa na cidade de Olinda. Portas, janelas, quadros e vários livros apertados nas estantes dos cômodos da residência. Os cartazes de filmes do século passado, os cartões postais de musas e galãs e os álbuns de retrato com fotos de viagens pela Europa ainda contemplam no mesmo cenário os jardins, que foram milimetricamente planejados com esculturas em ferro de autoria do anfitrião Liêdo Maranhão. Esses e outros aspectos foram revelados na exibição do vídeo produzido pelas alunas de Jornalismo. Sentado em uma mesa rodeado pelas estudantes, ele afirmou: "A cultura popular é o futebol, a religião e a safadeza. Mas, a safadeza é a forma mais alegre de dizer as coisas", disse sorrindo.

O dito pelo não dito são cartas fora do baralho na imaginação de Liêdo Maranhão. Pois, seu português é claro e objetivo. Sua paixão, as mulheres. "Viajei três anos (pela Europa) pegando carona e fui até a Suécia". E as futuras jornalistas perguntam o motivo. "Sempre teve mulher no meio. Próximo ao meu trabalho tinha uma Aliança Francesa. Conhecei um professor e sua mulher, que precisava de tratamento dentário. Ele sentia ciúmes, mas os franceses sempre escondem esses sentimentos", revelou.

Segundo a estudante Tatiana Meirelles, o trabalho ainda foi motivo de boas conversas na sua família. "Gostei de conhecer a história dele. Meu avô é primo legítimo de Liêdo Maranhão. E foi muito engraçado a coincidência. Eu perguntei: vovô, o senhor o conhece? Ele disse que moravam juntos no bairro de São José". Ela ainda teve a experiência de conhecer detalhes de histórias dos parceiros de juventude. "Meu avô era apaixonado por uma menina e pedia para Liêdo escrever, já que não era bom em poesia. Essa jovem se apaixonou por vovô". Para ela, o vídeo produzido pelos alunos de Jornalismo contribui para a desconstrução de alguns mitos. "Achei interessante o trabalho dele em guardar cartazes antigos. Quando você imagina um colecionador de livros e obras de arte, logo associa a uma pessoa formal. Mas Liêdo é divertido e um homem simples", defendeu.

Convidado pelos alunos para uma palestra, Liêdo Maranhão não compareceu por questões de saúde.

Perfil de Liêdo Maranhão ? nascido no Recife, em 1925, se formou em Odontologia pela Faculdade de Medicina, Odontologia e Farmácia do Recife, no final da década de 1940. Em novembro de 1949, participou da fundação da Escola de Samba de Estudante de São José. Na década de 60, viajou pela Europa e trabalhou nos hospitais de La Pitié, na França, e no Hospital Provincial, de Madri. Conheceu sua esposa, dona Bernarda Ruiz, na Espanha. Com ela teve três filhos e fixou residência em Olinda. Ainda na mesma década, ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), atuando no Movimento de Cultura Popular, do governo Miguel Arrãs.

Conhecido também pela produção de documentários, a exemplo de "O folheto", "Ferro nunca é velho" e de fotovídeos como "Basta ser bonita", Liêdo Maranhão é autor de alguns livros e trabalhos publicados, entre eles, "Classificação popular da literatura de cordel", "A fala do povão" e "Cozinha de pobre". Em outubro de 2007, parte de seu acervo passou a ser exposto no Espaço da Cultura Popular, situado no Mercado de São José, no Centro do Recife.

Fonte: Unicap

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