Notícias

Painéis de Portinari instalados na ONU serão restaurados com colaboração da UFMG

      

Em dezembro, um grupo de professores da UFMG se desloca ao Rio de Janeiro para a primeira avaliação de um conjunto de 28 grandes placas de madeira, provenientes dos Estados Unidos. A carga é incomum: trata-se das peças de dois monumentais painéis do pintor brasileiro Cândido Portinari, de 140 metros quadrados cada, instalados no saguão do prédio da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, desde 1957. A obra modernista com traços cubistas, conhecida como Guerra e Paz, retorna ao país para restauração, onde permanece nos próximos três anos, devido à reforma do edifício da ONU.

A operação, considerada complexa por especialistas da área, conta com recursos de R$ 6,5 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as etapas de desmontagem dos painéis, além de transporte, armazenamento, restauração e pagamento de seguro por três anos. A previsão é de que os trabalhos de restauração sejam concluídos em quatro meses, e que Guerra e Paz parta para diversas mostras pelo país, incluindo BH, e exterior. Antes, no entanto, ela será exposta no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em evento aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 13 de dezembro. Pintados em compensado naval, os dois painéis, que tratam separadamente dos temas guerra e paz, apresentam pequenas degradações em decorrência de umidade e da junção das placas.

"Alguns relatos dão conta de que as placas estão com algumas ondulações, craquelês e problemas de limpeza", diz a professora da Escola de Belas-Artes (EBA) Alessandra Rosado, que integra a equipe da UFMG responsável pela avaliação científica das condições dos painéis. O trabalho de restauração será feito diante do público, no Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, por especialistas comandados por Edson Motta, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Cláudio Valério Teixeira, secretário de Cultura de Niterói. A UFMG não participa dessa etapa.

"Nosso papel será fornecer uma tradução, por meio de produção de imagens em alta resolução e de análise científica, da composição material e estrutural da obra. Essa avaliação ajudará a determinar o tipo de intervenção e os materiais a serem utilizados pela equipe de Edson Motta", detalha o professor Luiz Souza, diretor da EBA, que coordena o grupo da UFMG na parceria de restauração.

A Universidade, por meio do Laboratório de Ciência da Conservação (Lacicor), vinculado Cecor, ambos da EBA, é líder nessa modalidade de trabalho e pesquisa no país - o que a tornou referência em conservação e análise científica de acervos culturais, útil inclusive na arbitragem de falsificação e autenticidade de obras de arte, especialmente de autores brasileiros.

Aliado
Como explica Souza, o Lacicor poderá dar um salto em seu know-how com a análise de Guerra e Paz - que envolve, na realidade, projeto mais amplo de conhecimento da obra de Cândido Portinari e que tem aliado de peso na Itália: o Centro SMAArt (sigla para Metodologias Científicas Aplicadas a Arte e Arqueologia), vinculado à Universidade de Peruggia.

O órgão, que detém as técnicas mais avançadas de análise científica de bens culturais não destrutivas, deverá transferir tecnologia e firmar convênio de intercâmbio acadêmico com a UFMG. "O que os diferencia é o uso de laboratório móvel e muitos equipamentos portáteis de ponta, que dispensam a retirada de amostra física das obras, inclusive para análise de materiais", ressalta Souza.

Em janeiro, alguns de seus integrantes desembarcam no país para trabalhar em mutirão com a equipe da UFMG nos painéis Guerra e Paz e em outro projeto de pesquisa do Lacicor, financiado pelo CNPq: a análise de técnicas e materiais das coleções Portinari do Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, e do Museu Chácara do Céu, que se encontra hoje na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Entre as obras mais conhecidas dos acervos estão Baile na Roça e Café.

De acordo com Souza, a colaboração dos europeus nos trabalhos dos painéis Guerra e Paz fará parte das atividades do ano da Itália no Brasil, em 2011, com apoio do Instituto Italiano de Cultura.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais

  • Fonte:


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.