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UFMT aprova política de sobrevagas para inclusão étnica e social

      
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é a primeira no país a adotar a política de sobrevagas para o acesso de vestibulandos negros pobres, brancos pobres e índios. A decisão foi tomada no final da tarde desta segunda-feira (10/11) pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Consepe) que aprovou por maioria absoluta (houve apenas uma abstensão) o mérito da proposta que prevê o adicional de 30% das vagas de cada um dos seus cursos regulares, com destinação aos candidatos que se enquadrem nessas classificações. Ao todo, em três campi, a UFMT oferece 66 cursos (contando as turmas da noite e as diferentes habilitações de cada área). Foi criada, também hoje, uma comissão para discutir com todas as unidades acadêmicas e formular, no prazo de 90 dias, as estratégias de implantação dessa política. Proposta essa, que retorna ao Consepe para apreciação. A implantação deve estar consolidada em três anos, a começar do vestibular de 2005.

´´O que nos diferencia, é que nós queremos incluir, crescendo, trazendo mais pessoas para acrescentar ao que já temos e para isso colocando a meta de mais 30% sobre as vagas já oferecidas´´, destaca o reitor Paulo Speller. ´´Defendemos a ampliação do acesso ao ensino superior e isso se faz, na UFMT, mediante diversas políticas. Historicamente trabalhamos com a formação de professores das escolas públicas, com a interiorização de cursos de licenciatura e bacharelado e com educação a distância, tendo aumentado 950 vagas no vestibular de 2004´´, enfatiza.

As sobrevagas serão compostas e preenchidas conforme a classificação obtida pelos vestibulandos negros pobres, brancos pobres e indígenas, dentro de cada um dos seus respectivos segmentos, e que foram classificados no exame vestibular´´, define a resolução aprovada (Consepe nº 110). Essa distribuição segue a proporção de 45% para vestibulandos negros pobres, 45% para vestibulandos brancos pobres e 10% para vestibulandos indígenas.

O professor Flávio Nascimento, do curso de História de Rondonópolis (218 Km de Cuiabá), expressa satisfação com a aprovação da medida, resultado de um processo de discussão com a comunidade e que inclui a participação de representação social na comissão encarregada de formular a proposta de implantação do sistema. A comissão é integrada por cinco docentes e dois estudantes, todos membros do Consepe; por dois representantes dos movimentos negros, um de Cuiabá e um de Rondonópolis, pela professora Maria Lúcia Müller, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Políticas Raciais e Étnicas (Nepre). É presidida pela pró-reitora de Graduação, Matilde Araki Krudo.

O processo que deu origem à resolução aprovada foi proposto por Nascimento, e é assinado por 6.500 pessoas do município de Rondonópolis. Para ele, trata-se do êxito de um movimento de três anos. Ele explica que campus local é composto majoritariamente por alunos negros, presentes nas licenciaturas e não em cursos socialmente prestigiados. Relator do processo, o professor Paulo Jorge da Silva, do curso de Ciências Biológicas do campus do Médio Araguaia (518 Km de Cuiabá), votou favorável à adoção do sistema de sobrevagas e integra a comissão.

Para Lúcia Müller, que acaba de divulgar os resultados preliminares do Censo Étnico na UFMT, ´´esta é uma decisão histórica no aspecto das ações afirmativas da sociedade brasileira´´. Ela lembra que as universidades estaduais do Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso do Sul e a UnB já adotam essas políticas, mas por meio de cotas. Na UFMT há dois componentes considerados: o étnico-racial e a condição sócio-econômica. Matilde Krudo também chama a atenção para a inclusão dos grupos étnicos com implantação gradativa mediante a viabilidade acadêmica de cada curso, mas já a partir do vestibular de 2005.

Fonte: UFMT
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