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Gays e heteros na faculdade: dá para conviver?

      
(Crédito: Stock/Divulgação)
(Crédito: Stock/Divulgação)
 

Para muitos alunos gays e lésbicas, a fase universitária acaba sendo o momento propício para assumir sua preferência sexual perante a família, os colegas e a sociedade. Sair do armário fica mais fácil (ou menos difícil) nessa época por conta de um ambiente liberal onde a divergência de opiniões é razoavelmente respeitada.

 

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O que não quer dizer que não há fofocas, piadinhas e gente incomodada, como o estudante universitário do 5º semestre de Jornalismo, Obede Rocha Viana Júnior, de 21 anos. "Não condeno quem é gay. Tampouco discrimino, mas não concordo com este tipo de relacionamento", declara. Ele assume que se sente desconfortável ao ver casais de gays e lésbicas se beijando na universidade, apesar do relacionamento "entre meninas" parecer menos agressivo. "A homossexualidade entre meninos é mais chocante. Não dou muita atenção quando vejo casais assim, não vou lá interrompê-los nem nada, mas se me perguntarem o que eu acho...", avisa o estudante.

 

Um outro aluno, do curso de criação e produção gráfica, de 20 anos, que preferiu não se identificar, também concorda com Viana Junior. "Por uma questão religiosa não acho correto e nem normal duas pessoas do mesmo sexo se relacionarem. Claro que entre homens é sempre mais agressivo, nojento.Com as meninas, às vezes, pode ser interpretado até como fetiche, mas ainda assim sou contra", ressalta.

 

Já Marcelo Oliveira, de 20 anos, do curso de Secretariado Executivo Bilíngue da FATEC (Faculdade Tecnológica de São Paulo), não vê o menor problema neste tipo de relação. "O preconceito de qualquer ordem é ruim e deve, sim, ser reprimido", acredita. Ele diz isso porque sofre na pele preconceito por ter escolhido uma carreira cuja maioria dos estudantes são mulheres. "Já ouvi piadinhas do tipo: 'por que você não faz um curso de homem?', 'vai fazer curso superior pra servir cafézinho? Hora-extra com o chefe?'"

 

Do outro lado

 

Quem assumiu sua homossexualidade, por sua vez, acredita que o preconceito existe, mas dificilmente os atinge. "As pessoas podem até pensar, mas não vão chegar até mim e falar: olha, eu acho que está errado você ser gay", diz Marcos A. Sousa, de 22 anos, estudante de Jornalismo da Unicsul. "Assumi minha homossexualidade porque senti afinidade com a turma e conquistei o respeito dos colegas", conta. Hoje, no 3º ano da faculdade, até os colegas heterossexuais - meninos - o cumprimentam com um selinho. "? lógico que não são todos, mas alguns não têm o menor problema em retribuir desta forma", diz.

 

Quem pensa que o estudante ganhou o respeito facilmente, mal pode imaginar o que ele passou nos dois primeiros anos do curso, quando não havia ainda assumido sua preferência. "Não me sentia à vontade. No começo, você não conhece ninguém e, entre os meninos, é inevitável rolar piadinhas sobre gays. Muitas vezes eu até entrava na onda, só com o tempo e o respeito que conquistei por ser articulado, ter muitos amigos e estar sempre de bem com a vida é que decici contar", lembra o estudante. Um dia, no fim do segundo ano da faculdade, quando a turma se dividiria entre Jornalismo e Publicidade, ao se despedir, Marcos levantou no meio da sala de aula, e disse: "eu queria dizer, para quem não sabe, que sou gay. E agradecer pelo apoio e respeito dos colegas que nunca me trataram diferente".

 

Mas, para se assumir, nem todos sentem necessidade de gritar, assim, aos quatro ventos. Marcelo Croci, de 22 anos, estudante de Administração, por exemplo, preferiu ter uma postura discreta, e acredita que por isso não tenha enfrentado grandes problemas na universidade. "As pessoas até estão preparadas para saber, mas não para ver. Quem é discreto acaba sendo aceito com mais facilidade", opina. O ambiente universitário lhe deu confiança para assumir sua preferência sexual e, também, para conversar com seus pais. Foi no início da faculdade, aos 17 anos, e já com um namorado, que ele decidiu contar para a família. "A princípio eles acharam que eu era muito novo para decidir minha opção sexual, encararam como algo passageiro. Com o tempo, viram que não era 'fogo de palha', e aceitaram", revela o estudante.

 

Rafãl Silva Martins, de 24 anos, estudande do curso de Publicidade conta que teve mais dificuldade em casa do que na faculdade ao assumir sua homossexualidade. Ele, cujo o irmão mais velho também já havia assumido ser gay, diz que a parte mais dolorosa foi encarar a reação dos pais. "Minha mãe ficou um bom tempo chorando no banheiro, mas entendeu. Meu pai é um pouco mais distante. Não falo sobre este assunto com ele. Tenho um namorado e às vezes ele pergunta se está tudo bem conosco, é receptivo. O carinho não mudou, mas foi difícil", diz.

 

Homo pergunta -Por que incomoda tanto aos heteros, especialmente homens, ver um casal de gays se beijando ou se abraçando?
* Por Marcelo Croci, de 22 anos, estudante do curso de Administração

 

Hetero pergunta - Você se acha uma pessoa normal?
* Por Obede Rocha Viana Jr, de 21 anos, estudante do curso de Jornalismo

 

Homo responde - Não me acho normal, mas não é por ser homossexual, e sim por acreditar que sou livre de preconceitos de qualquer ordem em uma sociedade que se preocupa com quem usa piercings, tatuagens, é homossexual, é negro, índio, etc.
* Por Marcos A. Sousa, de 22 anos, estudante do curso de Jornalismo 

 

Homo pergunta -Por que incomoda tanto aos heteros, especialmente homens, ver um casal de gays se beijando ou se abraçando?
* Por Marcelo Croci, de 22 anos, estudante do curso de Administração

 

Hetero responde -Não gosto porque não acho normal. Tanto é que os órgãos sexuais não são compatíveis entre pessoas do mesmo sexo. Além de tudo, acho nojento.
* Estudante do curso de Criação e Produção Gráfica, de 20 anos, que preferiu não se identificar

 

 Hetero pergunta - Por que os gays são tão exibicionistas?
* Estudante do curso de Criação e Produção Gráfica que preferiu não se identificar

 

Homo responde - Este é um ponto de vista comum entre os heteros, mas eu não concordo. Existem gays exibicionistas como heteros exibicionistas. Entre meus 15 e 16 anos, quando ficava e namorava com meninas, eu era super "galinha" e, de certa forma, exibicionista. Hoje, não. O respeito que consegui foi me impondo e não me expondo.
* Por Marcos A. Sousa, de 22 anos, estudante do curso de Jornalismo


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